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CAR-T com alvo CD70: inovação no tratamento de tumores sólidos

Pesquisas com terapia CAR-T direcionada ao CD70 buscam ampliar o tratamento de tumores sólidos. Saiba como funciona essa abordagem inovadora.

Nos últimos anos, os avanços da imunoterapia vêm transformando a forma como diversos tipos de câncer são tratados. Entre as estratégias mais inovadoras está a terapia CAR-T. Embora essa abordagem já tenha demonstrado resultados relevantes em cânceres hematológicos, pesquisadores agora buscam expandir seu uso para tumores sólidos. Nesse cenário, novos alvos terapêuticos têm sido investigados, como a proteína CD70. A seguir, entenda como funciona esse tratamento e por que ele tem despertado tanto interesse na oncologia.

O que é a terapia CAR-T

A terapia CAR-T é um tipo inovador de imunoterapia utilizado no tratamento do câncer. Diferente de terapias tradicionais, como quimioterapia e radioterapia, ela consiste na modificação genética das células de defesa do próprio paciente, os linfócitos T, para que passem a reconhecer e destruir células tumorais.

Essa abordagem representa um avanço importante na oncologia, pois permite uma atuação altamente direcionada contra o câncer. Nos últimos anos, a terapia CAR-T apresentou resultados expressivos, sobretudo no tratamento de alguns cânceres hematológicos, como leucemias e linfomas, incluindo casos resistentes a múltiplas linhas de tratamento.

No entanto, aplicar essa tecnologia no tratamento de tumores sólidos ainda é um desafio. Diversos grupos de pesquisa ao redor do mundo trabalham no desenvolvimento de novas estratégias, como o CAR-T com alvo CD70, com o objetivo de ampliar a eficácia dessa terapia para diferentes tipos de câncer.

O que é o CD70 e por que ele é um alvo terapêutico

O CD70 é uma proteína normalmente encontrada na superfície de algumas células do sistema imunológico. Em condições fisiológicas, sua expressão é transitória e rigidamente controlada, ocorrendo principalmente durante a ativação imune, como em respostas a infecções.

Essa proteína se liga ao receptor CD27, presente principalmente em linfócitos T e outras células do sistema imune. A interação entre CD70 e CD27 desempenha um papel importante na ativação, proliferação, diferenciação e sobrevivência dessas células, contribuindo para uma resposta imunológica eficaz.

Entretanto, em alguns tipos de câncer, as células tumorais passam a expressar CD70 de forma aberrante e persistente. Essa superexpressão tem sido descrita em diferentes tumores sólidos, como o carcinoma renal de células claras, o glioblastoma e alguns casos de câncer de pulmão, entre outros.

Quando expresso de forma contínua, o CD70 pode contribuir para a progressão tumoral. A ativação crônica da via CD70–CD27 está associada a mecanismos de evasão imunológica, incluindo exaustão de linfócitos T e expansão de células imunossupressoras, favorecendo um microambiente tumoral mais permissivo ao crescimento do câncer.

Por esse motivo, o CD70 tem sido considerado um alvo terapêutico promissor. Como sua expressão em tecidos normais é geralmente limitada e transitória, terapias direcionadas contra essa proteína podem permitir maior seletividade no ataque às células tumorais, com menor impacto sobre células saudáveis.

Como funciona o CAR-T direcionado ao CD70

O processo começa com a coleta de linfócitos T do paciente por meio de um procedimento chamado leucoaférese, no qual essas células são separadas do sangue. Em seguida, elas são enviadas para um laboratório especializado, onde passam por modificação genética.

Durante essa etapa, os linfócitos T recebem um gene que os instrui a produzir um receptor quimérico de antígeno (CAR), projetado especificamente para reconhecer a proteína CD70 na superfície de células tumorais. Esse receptor funciona como um “sensor molecular”, permitindo que as células do sistema imune identifiquem o alvo de forma precisa e independente da apresentação clássica por HLA.

Após a modificação, as células CAR-T são expandidas em laboratório até atingirem uma quantidade suficiente para uso terapêutico. Antes da infusão, o paciente geralmente recebe um regime de quimioterapia linfodepletora, que ajuda a melhorar a expansão e a atividade das células CAR-T no organismo.

Em seguida, as células são reinfundidas por via intravenosa. Uma vez no corpo, elas passam a circular e, ao reconhecer células que expressam CD70, são ativadas para destruí-las. Além disso, essas células podem se expandir in vivo e persistir por determinado período, potencializando a resposta antitumoral.

Benefícios potenciais

O desenvolvimento de terapias CAR-T direcionadas ao CD70 representa uma estratégia promissora na busca por tratamentos mais eficazes para tumores sólidos. Um dos principais benefícios dessa abordagem é a alta especificidade, já que as células são projetadas para reconhecer um marcador tumoral específico.

Outro ponto importante é a capacidade de expansão e persistência das células CAR-T no organismo, o que pode permitir uma vigilância imunológica contínua contra células tumorais que expressam o CD70. Esse mecanismo pode contribuir para maior controle da doença ao longo do tempo.

Além disso, terapias direcionadas ao CD70 podem representar uma alternativa para tumores resistentes a tratamentos convencionais, como quimioterapia, radioterapia ou terapias-alvo. Em neoplasias com alta expressão dessa proteína, essa estratégia pode oferecer uma nova possibilidade terapêutica.

A combinação do CAR-T anti-CD70 com outras abordagens também é um campo de grande interesse. Estratégias que incluem imunoterapias adicionais, como inibidores de checkpoint imunológico, anticorpos monoclonais e agentes moduladores do microambiente tumoral estão em investigação e podem potencializar os resultados clínicos.

Desafios e limitações

Apesar do potencial, a aplicação do CAR-T direcionado ao CD70 em tumores sólidos ainda enfrenta desafios importantes. Diferente dos cânceres hematológicos, os tumores sólidos apresentam barreiras biológicas e estruturais que podem limitar a eficácia dessa abordagem.

Um dos principais obstáculos é o microambiente tumoral imunossupressor. Muitos tumores produzem substâncias e recrutam células que inibem a resposta imunológica, reduzindo a atividade, a expansão e a persistência das células CAR-T.

Outro desafio relevante é a dificuldade de infiltração das células CAR-T no interior do tumor. Barreiras físicas, como matriz extracelular densa e alterações vasculares, podem impedir que essas células alcancem o tecido tumoral em quantidade adequada.

A heterogeneidade tumoral também representa uma limitação importante. Nem todas as células do tumor expressam CD70 de forma uniforme, o que pode permitir a sobrevivência de clones tumorais que escapam ao reconhecimento pelas células CAR-T.

Além disso, como ocorre com outras terapias celulares, há risco de efeitos adversos, como a síndrome de liberação de citocinas e a neurotoxicidade associada à imunoterapia. Embora o perfil de toxicidade possa variar conforme o alvo e o desenho do CAR, o tratamento deve ser realizado em centros especializados, com monitoramento rigoroso.

Por fim, aspectos logísticos e econômicos também são relevantes. A produção das células CAR-T envolve etapas complexas, incluindo coleta, modificação genética e expansão celular, o que exige infraestrutura altamente especializada e pode limitar o acesso ao tratamento.

Mesmo diante dessas limitações, avanços contínuos na engenharia de células CAR-T, como CARs de nova geração, estratégias “armadas” e abordagens combinadas, aliados ao melhor entendimento da biologia tumoral, vêm ampliando as perspectivas dessa tecnologia. Estudos clínicos em andamento irão esclarecer o papel do CAR-T anti-CD70 no tratamento dos tumores sólidos nos próximos anos.

Atualmente, a terapia CAR-T direcionada ao CD70 está sendo investigada principalmente em tumores sólidos que apresentam maior expressão dessa proteína, com destaque para o carcinoma renal de células claras, considerado o principal modelo de estudo até o momento. Além dele, pesquisas iniciais também incluem o glioblastoma, o câncer de pulmão de não pequenas células e o câncer de mama, especialmente o subtipo triplo negativo. Outros tumores, como câncer de ovário e neoplasias de cabeça e pescoço, também vêm sendo explorados em estudos pré-clínicos. De modo geral, os dados disponíveis ainda são limitados e provenientes, em sua maioria, de estudos iniciais (fase I), focados principalmente em avaliar a segurança e a viabilidade dessa abordagem, sendo necessários resultados mais robustos para confirmar sua eficácia e possível aplicação na prática clínica.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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