Estima-se que cerca de 14,5% dos pacientes com câncer desenvolvam **feridas neoplásicas malignas (FNM)**¹, também chamadas de feridas oncológicas ou feridas tumorais. Essa condição impacta profundamente a qualidade de vida, não apenas pelo desconforto físico, mas também pelo sofrimento emocional e social que pode causar.
Compreender as causas, características e formas de cuidado dessas lesões é essencial não só para os profissionais de saúde, mas também para os pacientes oncológicos e seus familiares. Continue a leitura e saiba mais sobre o tema!
O que é a ferida oncológica?
A ferida oncológica é uma lesão na pele causada pela invasão direta ou crescimento de um tumor maligno nos tecidos cutâneos e subcutâneos. Trata-se de uma condição complexa, crônica e geralmente progressiva, mais comum em estágios avançados do câncer, quando há proliferação descontrolada das células tumorais.
É importante diferenciá-la de outras lesões que podem surgir em pacientes com câncer, como úlceras por pressão (escaras), feridas traumáticas ou infecções secundárias. A ferida neoplásica é causada especificamente pela presença de células cancerígenas no local, o que explica sua dificuldade de cicatrização, persistência e resistência aos tratamentos convencionais de feridas.
O que causa a ferida oncológica?
A ferida neoplásica pode surgir de duas formas:
- A partir de um câncer primário na pele, como o carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular ou melanoma;
- Como consequência de metástase cutâneas, quando células tumorais de outros órgãos — como mama, pulmão ou cólon — se disseminam pela corrente sanguínea ou linfática até a pele.
Em ambos os casos, o crescimento desordenado dessas células provoca destruição das estruturas locais, resultando em lesões ulceradas, dolorosas e de difícil cicatrização. Nos tumores primários, o atraso no diagnóstico pode favorecer a evolução para feridas abertas. Já nas metástases, a infiltração tumoral leva à formação de feridas com características agressivas e progressivas.
Como é uma ferida oncológica?
As feridas oncológicas apresentam aspecto clínico bastante característico. Embora sua aparência varie conforme o tipo de câncer, o local e o estágio da doença, geralmente são feridas dolorosas, malcheirosas e de evolução lenta.
Têm bordas irregulares e endurecidas, podendo exibir áreas de necrose (tecido morto), secreção abundante e coloração escura ou acinzentada. O odor fétido é comum e decorre da colonização por bactérias anaeróbias. A pele ao redor costuma estar inflamada, avermelhada e sensível ao toque.
Algumas feridas assumem o formato de “couve-flor”, conhecidas como feridas fungosas malignas. O sangramento espontâneo ou por pequenos traumas, como na troca de curativos, também é frequente e pode ser difícil de controlar.
Qual tratamento pode ser indicado?
O tratamento deve ser individualizado e ter como foco principal o controle dos sintomas, a prevenção de infecções e a melhoria da qualidade de vida. Como as feridas oncológicas costumam aparecer em estágios avançados da doença, o objetivo é principalmente o manejo eficaz de complicações, como dor intensa, sangramento e odor.
Além disso, é indispensável tratar a causa de base, o câncer responsável pela ferida. Dependendo do tipo e do estágio, podem ser indicados quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia, conforme avaliação médica.
Para o manejo local da ferida, as medidas podem incluir:
- Desbridamento (remoção de tecido necrótico, quando indicado);
- Curativos específicos que mantenham o ambiente úmido e controlem secreção e odor;
- Uso de agentes tópicos antimicrobianos;
- Controle do sangramento e da dor com medicamentos apropriados.
Também são fundamentais o suporte nutricional, o acompanhamento psicológico e a atuação de uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, especialistas em cuidados paliativos, psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas.
Como cuidar de uma ferida oncológica?
O cuidado com a ferida oncológica requer atenção contínua e suporte especializado. Os profissionais de saúde orientam o paciente e seus familiares sobre as medidas adequadas para cada situação. Entre as principais recomendações estão:
- Higienizar a ferida com soro fisiológico ou produtos específicos indicados por profissionais, para remover secreções e reduzir a carga bacteriana;
- Trocar os curativos com técnica asséptica e na frequência recomendada pela equipe;
- Evitar o uso de produtos caseiros ou não prescritos;
- Usar os medicamentos indicados pelo médico para o controle da dor e outros sintomas;
- Proteger a pele ao redor da lesão com barreiras específicas, evitando irritação e maceração;
- Observar sinais de infecção, como aumento da vermelhidão, secreção purulenta, febre ou piora do odor, e comunicar imediatamente a equipe médica.
Jamais substitua a avaliação profissional por orientações informais ou automedicação. O acompanhamento especializado é essencial para ajustar o plano de cuidados conforme a evolução da ferida e o estado clínico do paciente.
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¹ TORRES, Y. et al. EFICÁCIA DO TRATAMENTO TÓPICO PARA O CONTROLE DA DOR EM FERIDA NEOPLÁSICA MALIGNA EM ADULTOS: REVISÃO DE EFEITO. Congresso Paulista de Estomaterapia, [S. l.], 2021. Disponível em: https://anais.sobest.com.br/cpe/article/view/95. Acesso em: 18 set. 2025.
Revisor científico
Dra. Fernanda Frozoni Antonacio
Oncologista Clínica
Rede D’or – Hospital Vila Nova Star e Hospital São Luiz Itaim


