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Papiloma intraductal: o que é, sintomas e diagnóstico

Papiloma intraductal: entenda o que é esse achado na mama, por que ele não tem relação com HPV, quais sintomas causa e como é investigado.

O papiloma intraductal é uma lesão que se forma dentro de um ducto da mama, um dos pequenos canais por onde o leite passa até o mamilo. Na maioria das vezes, é uma lesão benigna, ou seja, não é câncer. Ele costuma ser descoberto durante a investigação de uma secreção pelo mamilo ou de uma alteração vista em um exame de imagem. Como aparece no laudo com um nome pouco conhecido, é comum que gere dúvida e preocupação.

Este texto explica, em linguagem simples, o que significa esse achado, quais sintomas ele pode causar e como o médico costuma investigá-lo.

O que é papiloma intraductal?

O papiloma intraductal é um pequeno crescimento de tecido que surge no interior de um ducto mamário. Seu formato pode lembrar o de uma pequena verruga, embora não seja uma verruga e não tenha qualquer relação com o vírus HPV.

Na maioria dos casos, existe um único papiloma, geralmente localizado próximo ao mamilo, na região central da mama. Em algumas situações, porém, podem existir vários papilomas ao mesmo tempo, em diferentes regiões da mama. Essa diferença pode ter importância na avaliação do risco e na definição do acompanhamento.

Papiloma intraductal tem relação com HPV?

Não. Essa é uma das confusões mais comuns, e vale esclarecê-la logo. A palavra papiloma aparece tanto no nome dessa lesão da mama quanto no nome do HPV (vírus do papiloma humano), mas as duas coisas não têm relação entre si.

O termo papiloma intraductal descreve o formato e a localização da lesão dentro do ducto mamário. Ele não é causado pelo HPV, não é uma infecção, não é transmissível e não tem relação com uma doença sexualmente transmissível.

Receber a palavra “papiloma” no laudo, portanto, não significa ter contraído HPV.

Papiloma intraductal é câncer de mama?

Na maioria dos casos, não. O papiloma intraductal é uma lesão benigna. Em algumas situações, porém, o papiloma pode apresentar atipia, que significa a presença de células com alterações em relação às células normais.

É importante entender que atipia não significa câncer. As células atípicas apresentam algumas características diferentes do tecido normal, mas isso, por si só, não significa que sejam células malignas. No entanto, a presença de atipia merece uma avaliação mais cuidadosa, porque está associada a um risco maior de encontrar uma alteração mais significativa na avaliação completa da lesão.

Por isso, quando um papiloma apresenta atipia na biópsia, o mastologista pode recomendar a retirada completa da lesão para que todo o tecido seja examinado. Em muitos casos, a análise definitiva confirma que não existe câncer.

Assim, encontrar um papiloma com atipia não significa receber um diagnóstico de câncer. Significa que existe uma alteração que precisa ser avaliada com mais atenção para definir a conduta mais segura.

Leia também: Câncer de mama: prevenção e diagnóstico precoce

A secreção pelo mamilo pode ser sinal de papiloma intraductal?

Sim. A secreção pelo mamilo é um dos sinais mais característicos do papiloma intraductal. Ela costuma ocorrer espontaneamente, sem que seja necessário apertar a mama, e geralmente sai por um único ponto do mamilo. A secreção pode ser transparente ou apresentar aspecto avermelhado, semelhante a sangue.

A presença de sangue costuma causar preocupação, mas, no caso do papiloma, pode ocorrer devido à fragilidade dos vasos sanguíneos da própria lesão dentro do ducto. A secreção sanguinolenta, isoladamente, não significa que exista câncer.

Em algumas mulheres, também pode ser possível sentir um pequeno nódulo próximo à aréola. Em outras, não há sintoma algum: o papiloma é encontrado por acaso durante um ultrassom ou uma mamografia realizados por outro motivo.

De modo geral, qualquer secreção espontânea pelo mamilo merece avaliação médica, especialmente quando ocorre em apenas uma das mamas ou apresenta aspecto sanguinolento.

O papiloma aparece no ultrassom da mama?

A investigação costuma começar pelos exames de imagem. O ultrassom das mamas pode ajudar a visualizar o ducto dilatado e a lesão em seu interior, sendo frequentemente utilizado na avaliação de pacientes com secreção pelo mamilo. A mamografia pode complementar a investigação e, em situações selecionadas, o médico pode solicitar uma ressonância magnética das mamas para caracterizar melhor o achado.

Os exames de imagem ajudam a identificar a lesão e avaliar suas características, mas nem sempre conseguem determinar sozinhos se ela é benigna ou se apresenta alguma alteração nas células. Por isso, dependendo do caso, pode ser necessária uma biópsia.

Confira: Devo fazer mamografia todo ano?

Como é feita a biópsia para investigar o papiloma?

A biópsia permite analisar uma amostra do tecido da lesão ao microscópio. Dessa forma, o patologista pode identificar o papiloma e verificar se existem atipias ou outras alterações associadas.

Em geral, o procedimento é realizado de forma percutânea, com uma agulha guiada por um exame de imagem, sem necessidade de cirurgia aberta. Uma das técnicas utilizadas é a biópsia a vácuo, também chamada de mamotomia, que permite retirar uma quantidade maior de tecido para análise.

A escolha da técnica depende das características da lesão, de sua localização e dos exames de imagem, sendo definida pela equipe médica.

Ter um único papiloma é diferente de ter vários?

Sim. Essa distinção ajuda a entender o que o laudo quer dizer.

Quando existe um único papiloma, geralmente localizado próximo ao mamilo, o quadro tende a ser mais simples. Quando há vários papilomas ao mesmo tempo, situação conhecida como papilomatose múltipla, a avaliação pode ser diferente.

A presença de múltiplas lesões pode estar associada a um risco um pouco maior de alterações mamárias futuras e, por isso, pode influenciar a estratégia de acompanhamento.

Nos dois casos, porém, o ponto de partida é o mesmo: avaliar as características das lesões, confirmar o diagnóstico e definir, com o mastologista, a melhor conduta.

Papiloma intraductal aumenta o risco de câncer?

Depende das características do papiloma.

Um papiloma intraductal sem atipia, especialmente quando é único e existe concordância entre os exames de imagem e a biópsia, não costuma representar um aumento importante do risco futuro de câncer de mama.

Já a presença de atipia, ou seja, células com alterações que fogem do padrão normal, merece uma atenção maior. Nesses casos, existe um risco aumentado de encontrar uma alteração mais significativa quando toda a lesão é examinada.

A presença de vários papilomas também pode estar associada a um aumento discreto do risco de câncer de mama. Por isso, o laudo anatomopatológico costuma especificar se o papiloma apresenta ou não atipia.

Essa informação, em conjunto com os exames de imagem e os sintomas, é importante para definir a conduta.

Quando o médico pode indicar a retirada do papiloma?

Nem todo papiloma intraductal precisa ser retirado por cirurgia.

Quando a biópsia mostra um papiloma sem atipia e o resultado é compatível com as características observadas nos exames de imagem, o médico pode optar pelo acompanhamento clínico e por exames de imagem periódicos. Essa é uma possibilidade especialmente considerada em pacientes sem sintomas e com uma avaliação radiológica e anatomopatológica concordantes.

A retirada cirúrgica pode ser indicada ou considerada quando o papiloma provoca sintomas, como secreção persistente pelo mamilo, quando existe alguma dúvida ou discordância entre os exames de imagem e a biópsia ou quando a lesão apresenta características que aumentam a preocupação.

Já quando o exame anatomopatológico identifica atipia, a retirada cirúrgica costuma ser recomendada, pois existe maior possibilidade de encontrar uma alteração mais significativa na avaliação completa da lesão.

A decisão é individualizada pelo mastologista e leva em consideração os sintomas, as características da lesão, os exames de imagem, o resultado da biópsia e outros fatores clínicos.

O papiloma intraductal pode voltar depois de retirado?

A retirada completa do papiloma geralmente resolve aquela lesão. No entanto, isso não impede que novos papilomas possam surgir em outros ductos da mesma mama ou da outra mama.

Por isso, mesmo depois da retirada, o acompanhamento médico continua sendo importante, especialmente quando existem múltiplas lesões ou outras alterações associadas.

Novos sintomas, como o aparecimento ou retorno de secreção pelo mamilo, devem ser comunicados ao médico para uma nova avaliação.

Papiloma intraductal e o Outubro Rosa

O papiloma intraductal costuma aparecer durante a investigação de sintomas ou alterações mamárias, um dos temas relacionados à conscientização promovida pelo Outubro Rosa.

A campanha reforça a importância de não adiar a avaliação de alterações nas mamas, como uma secreção espontânea pelo mamilo ou um nódulo percebido ao toque.

Manter os exames de rastreamento indicados para cada faixa etária e procurar avaliação médica diante de um sintoma novo são medidas importantes para esclarecer alterações mamárias com segurança.

No caso do papiloma intraductal, entender o diagnóstico e saber se existe ou não atipia ajuda a transformar a preocupação causada por um nome desconhecido no laudo em uma informação clara sobre o que está acontecendo e qual deve ser o próximo passo.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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