Sentir ansiedade faz parte da vida — inclusive da infância. Antes de uma viagem, apresentação na escola, consulta médica ou até de um passeio novo, é natural que haja uma certa agitação. O problema surge quando esse sentimento se torna frequente e intenso, prejudicando a rotina da criança.
Criança tem ansiedade?
Sim, crianças também podem sofrer com ansiedade — e mais do que se imagina. Mas, diferente dos adultos, elas muitas vezes não conseguem compreender ou explicar o que estão sentindo. Por isso, é fundamental que pais, responsáveis e educadores fiquem atentos aos sinais.
Além da ansiedade comum, há transtornos específicos, como: ansiedade de separação (medo intenso de se afastar dos pais); ansiedade social (dificuldade para interagir ou se expor); fobias específicas (medo exagerado de certas situações ou objetos) e mutismo seletivo (recusa de falar em ambientes fora de casa).
Em alguns casos, o quadro é leve e passageiro. Mas, se os sintomas persistirem por algumas semanas ou forem frequentes, busque ajuda especializada.
Como identificar os sinais?
Os sintomas podem variar, mas os mais comuns são:
- Irritabilidade, choro fácil e dificuldade para dormir;
- Pesadelos frequentes;
- Acordar várias vezes durante a noite;
- Voltar a chupar o dedo ou fazer xixi na roupa ou na cama;
- Queixas físicas, como dores de barriga e cabeça;
- Medo excessivo de ficar longe dos pais;
- Fuga das atividades de rotina.
O que causa ansiedade infantil?
Nem sempre a ansiedade infantil tem uma origem identificada, mas alguns fatores aumentam o risco: timidez acentuada, divórcio dos pais, mudança de escola, ambientes familiares tensos e com muitos conflitos, perda de alguém querido ou exposição constante a um ambiente estressante.
Na maioria dos casos, o quadro é leve e passageiro. No entanto, se os sinais persistirem por algumas semanas ou se tornarem frequentes, busque ajuda profissional.
Como ajudar uma criança ansiosa?
O acolhimento da família faz toda a diferença no tratamento da ansiedade. Veja algumas atitudes que podem ajudar:
Valide os sentimentos da criança: evite frases como “isso é bobagem” ou “não tem motivo para ter medo”. Escute com atenção e mostre que está ao lado dela.
Não fuja dos medos, mas também não force: evitar situações que causam medo pode reforçar a ideia de que há um perigo real. Avance aos poucos, com paciência e apoio.
Mostre que a ansiedade passa: explique que aquele sentimento é temporário e ajude a desviar o foco com atividades divertidas e relaxantes.
Explore o que está por trás do medo: converse com a criança sobre o que ela imagina que vai acontecer. Juntos, vocês podem pensar em estratégias para lidar com a situação.
Quando procurar ajuda profissional?
Se a ansiedade começa a atrapalhar a rotina da criança — seja na escola, seja em casa ou nas relações sociais — é hora de buscar ajuda. O primeiro passo é consultar um pediatra para descartar outras causas físicas. Em seguida, o acompanhamento com um psicólogo infantil pode ser fundamental para avaliar o quadro e definir o melhor caminho.
Quanto mais cedo houver acolhimento e cuidado, maiores são as chances de a criança crescer com mais leveza, segurança e bem-estar.


