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Endometriose e infertilidade: quem tem a doença consegue engravidar?

Descubra como a endometriose pode afetar a fertilidade, quem consegue engravidar naturalmente, quando a reprodução assistida pode ser indicada e quais são as opções de tratamento para quem deseja ter filhos.

Receber o diagnóstico de endometriose costuma trazer muitas dúvidas, principalmente para mulheres que desejam ter filhos. Entre elas, uma costuma aparecer primeiro: quem tem endometriose consegue engravidar?

A resposta é sim. Muitas mulheres com a doença conseguem engravidar naturalmente. Em outros casos, pode ser necessário um tratamento específico ou o auxílio de técnicas de reprodução assistida. Tudo depende das características da doença e da saúde reprodutiva de cada paciente.

Antes de entender como a endometriose pode interferir na fertilidade, vale conhecer melhor essa condição e por que ela merece atenção.

O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença ginecológica crônica em que um tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o interior do útero — cresce fora da cavidade uterina. Essas lesões podem atingir os ovários, as tubas uterinas, o peritônio e, em alguns casos, órgãos como intestino e bexiga.

Durante o ciclo menstrual, esse tecido também responde às alterações hormonais. Como não pode ser eliminado pelo organismo da mesma forma que acontece dentro do útero, ele provoca um processo inflamatório que pode causar dor e favorecer a formação de aderências.

A doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo e é considerada uma das principais causas de infertilidade feminina.

Os sintomas podem variar bastante. Algumas mulheres apresentam cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais, dor pélvica persistente ou alterações intestinais e urinárias durante a menstruação. Outras descobrem a doença apenas durante a investigação da dificuldade para engravidar.

Outro desafio é o diagnóstico. Como muitos sintomas ainda são confundidos com cólicas menstruais consideradas “normais”, não é raro que a confirmação da endometriose aconteça anos após o início dos primeiros sinais.

Toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar?

Não. Embora a endometriose esteja associada à infertilidade, ela não impede a gravidez em todos os casos.

O impacto sobre a fertilidade depende de diversos fatores, como a localização das lesões, o grau da doença, a idade da mulher, a reserva ovariana e a presença de outras condições que também podem interferir na concepção.

Por isso, duas mulheres com o mesmo diagnóstico podem ter experiências completamente diferentes. Enquanto algumas conseguem engravidar espontaneamente, outras podem precisar de acompanhamento especializado para aumentar as chances de gestação.

Como a endometriose pode afetar a fertilidade?

A endometriose pode dificultar a gravidez por diferentes mecanismos. A inflamação provocada pela doença pode alterar o ambiente da pelve, interferindo na qualidade dos óvulos, na fecundação e até na implantação do embrião.

Outro fator importante é a formação de aderências, que podem modificar a anatomia dos órgãos reprodutivos e dificultar o encontro entre o óvulo e o espermatozóide.

Quando a doença acomete os ovários, também podem surgir os chamados endometriomas, cistos que, em alguns casos, comprometem a reserva ovariana — ou seja, a quantidade e a qualidade dos óvulos disponíveis.

Além disso, algumas mulheres podem apresentar alterações na receptividade do endométrio, reduzindo as chances de implantação do embrião.

Nem todas essas alterações acontecem ao mesmo tempo, o que explica por que o impacto da doença varia tanto de uma paciente para outra.

O que muda quando existe o desejo de engravidar?

Quando a mulher deseja engravidar, o tratamento da endometriose passa a ter um objetivo diferente. Além do controle da dor e dos sintomas, a estratégia busca preservar ou aumentar as chances de uma gestação.

Em alguns casos, especialmente quando a doença é leve e não existem outros fatores que dificultem a fertilidade, o médico pode orientar um período de tentativa de gravidez natural, acompanhado por monitoramento da ovulação e da saúde reprodutiva.

Já em outras situações, a cirurgia por videolaparoscopia pode ser indicada para remover lesões ou aderências que estejam comprometendo a anatomia da pelve. Essa decisão deve ser individualizada, principalmente quando há comprometimento dos ovários, já que o procedimento também pode impactar a reserva ovariana.

Por isso, a indicação cirúrgica sempre considera fatores como idade, sintomas, extensão da doença e desejo reprodutivo.

Quando a reprodução assistida pode ser indicada?

Quando a gravidez não acontece espontaneamente ou caso existam fatores que reduzam significativamente as chances de concepção, o especialista pode indicar técnicas de reprodução assistida.

A inseminação intrauterina (IIU) pode ser considerada em situações específicas, dependendo da avaliação clínica da paciente. Já a fertilização in vitro (FIV) costuma ser uma das principais alternativas para mulheres com endometriose mais avançada ou quando outros tratamentos não resultaram em gravidez.

Como a fecundação acontece em laboratório, a técnica consegue contornar parte das alterações provocadas pela doença, principalmente aquelas relacionadas às tubas uterinas.

A escolha entre tentativa natural, cirurgia ou reprodução assistida não segue uma regra única. Cada mulher apresenta uma combinação diferente de fatores, que precisam ser avaliados em conjunto pelo ginecologista e, quando necessário, pelo especialista em reprodução humana.

O tratamento da endometriose muda durante a tentativa de gravidez?

Sim. Medicamentos utilizados para controlar os sintomas da endometriose, como anticoncepcionais hormonais, progestagênios e análogos do GnRH, costumam atuar bloqueando a ovulação. Por esse motivo, eles geralmente não são utilizados quando a mulher está tentando engravidar.

Nessa fase, o acompanhamento passa a ter foco na fertilidade. Exames para avaliar a reserva ovariana, a permeabilidade das tubas uterinas e outros aspectos da saúde reprodutiva ajudam a definir qual estratégia oferece as melhores chances de gravidez para cada paciente.

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Quando procurar um especialista?

Mulheres com diagnóstico de endometriose que desejam engravidar não precisam esperar anos de tentativas para buscar orientação.

O acompanhamento com um ginecologista especializado em endometriose ou um especialista em reprodução humana permite avaliar a fertilidade de forma individualizada, esclarecer dúvidas e planejar a gravidez de acordo com as características de cada mulher.

Quanto mais cedo esse planejamento acontece, maiores são as possibilidades de preservar a fertilidade e definir o tratamento mais adequado para aquele momento de vida.

O planejamento faz diferença

Receber o diagnóstico de endometriose pode gerar insegurança, principalmente quando existe o desejo de formar uma família. No entanto, os avanços no diagnóstico, no tratamento e nas técnicas de reprodução assistida ampliaram as possibilidades para muitas mulheres.

Mais do que buscar uma única solução, o mais importante é contar com acompanhamento especializado para entender como a doença se manifesta em cada caso e construir um plano de tratamento individualizado. Assim, é possível tomar decisões com mais segurança e escolher o caminho mais adequado para o projeto reprodutivo de cada paciente.

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