A Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), anteriormente conhecida como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), é uma das condições hormonais mais comuns em mulheres em idade reprodutiva. A mudança de nome acompanha uma compreensão mais ampla da síndrome: ela não envolve apenas os ovários, mas também aspectos hormonais e metabólicos que podem influenciar a saúde da mulher.
Estima-se que a condição afete entre 5% e 18% das mulheres em idade reprodutiva. A SOMP está entre as principais causas de dificuldade para engravidar relacionadas à alteração da ovulação. Se você recebeu esse diagnóstico e deseja engravidar, é natural ter dúvidas sobre o que isso significa para a sua fertilidade.
A resposta mais direta é: na maioria dos casos, mulheres com SOMP conseguem engravidar. O caminho pode exigir acompanhamento médico especializado e, em alguns casos, tratamentos para estimular a ovulação, mas a condição não significa impossibilidade de gravidez. Entender como a síndrome funciona é o primeiro passo para tomar decisões informadas junto ao médico responsável.
O que é SOMP e por que ela acontece
A SOMP é uma condição que envolve alterações hormonais e metabólicas capazes de afetar o funcionamento dos ovários e o ciclo menstrual. Em algumas mulheres, essas alterações podem levar a ciclos irregulares, dificuldade de ovulação, aumento dos níveis de andrógenos (hormônios como a testosterona, presentes em menores quantidades no organismo feminino) e aspecto policístico dos ovários ao ultrassom.
A causa exata da síndrome ainda não é totalmente conhecida, mas fatores genéticos e alterações relacionadas ao metabolismo, como a resistência à insulina, parecem ter participação importante no seu desenvolvimento. Essa relação ajuda a explicar por que a SOMP pode estar associada a alterações como aumento da glicose e do colesterol, além de questões relacionadas ao peso e à fertilidade.
Como a SOMP pode afetar a fertilidade feminina
Para que uma gravidez aconteça, é necessário que um óvulo maduro seja liberado pelo ovário, processo chamado de ovulação. Na SOMP, algumas mulheres podem apresentar alterações nesse processo, com ovulações menos frequentes ou irregulares. Quando a ovulação não acontece em determinado ciclo, a chance de fecundação naquele período é reduzida.
Isso não significa que mulheres com SOMP não possam engravidar. Muitas delas ovulam naturalmente, ainda que com menor regularidade ou em momentos mais difíceis de prever. A alteração do ciclo menstrual é um dos sinais que podem levar à investigação da síndrome e uma das possíveis razões pelas quais algumas mulheres encontram mais dificuldade para engravidar.
Como o diagnóstico de SOMP é feito
O diagnóstico da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) é feito a partir da avaliação dos sinais, sintomas e exames da paciente. Os critérios mais utilizados internacionalmente são os de Rotterdam, que consideram três características principais. Para o diagnóstico, é necessário apresentar pelo menos dois dos três critérios abaixo, após a exclusão de outras condições que possam causar sintomas semelhantes:
- Alterações no ciclo menstrual, como menstruações irregulares ou ausência de menstruação;
- Sinais de excesso de andrógenos (hormônios como a testosterona), que podem aparecer como acne, aumento de pelos ou queda de cabelo;
- Aspecto policístico dos ovários no ultrassom.
É importante destacar que ter ovários com aspecto policístico no exame de imagem, isoladamente, não significa ter SOMP. Por isso, o diagnóstico deve ser feito por um ginecologista ou endocrinologista, considerando o histórico da paciente, os sintomas e os resultados dos exames.
Tratamentos para quem deseja engravidar
O tratamento para mulheres com SOMP que desejam engravidar é individualizado e depende de fatores como a frequência da ovulação, o histórico de saúde, o tempo de tentativa e a avaliação da equipe médica. Existem diferentes estratégias que podem ajudar a aumentar as chances de gravidez, entre elas:
- Mudanças no estilo de vida: para algumas mulheres, especialmente aquelas com sobrepeso ou obesidade, ajustes na alimentação, prática regular de atividade física e uma perda de peso adequada podem contribuir para melhorar a ovulação e a saúde metabólica;
- Indução da ovulação: quando necessário, o médico pode indicar medicamentos para estimular a ovulação. De acordo com as diretrizes internacionais de 2023, o letrozol é considerado a primeira opção medicamentosa para indução da ovulação em mulheres com SOMP, apresentando bons resultados na melhora das taxas de ovulação e gravidez;
- Reprodução assistida: em situações em que outras estratégias não resultam em gravidez, técnicas como a fertilização in vitro podem ser consideradas. A indicação depende da avaliação individual da paciente e de outros fatores envolvidos na fertilidade do casal.
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O acompanhamento na gestação
Muitas mulheres com SOMP têm gestações bem-sucedidas. No entanto, a condição pode estar associada a um risco maior de algumas complicações, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, aborto espontâneo e parto prematuro. Por isso, o acompanhamento pré-natal pode incluir uma atenção mais próxima e monitoramentos específicos ao longo da gravidez.
Com o cuidado adequado, é possível identificar alterações precocemente e adotar as medidas necessárias para proteger a saúde da mãe e do bebê. O acompanhamento com uma equipe de saúde preparada para acompanhar mulheres com SOMP contribui para uma gestação mais segura e tranquila.
Receber o diagnóstico de SOMP não significa abrir mão do sonho de ser mãe. Com uma avaliação individualizada, acompanhamento médico e, quando necessário, tratamentos para auxiliar a ovulação, muitas mulheres conseguem engravidar e seguir com uma gestação saudável. Procurar ajuda especializada no momento certo pode fazer toda a diferença nessa jornada.


