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Coração artificial: como funciona, quem pode usar e quais os riscos

Entenda o que é o coração artificial, quando ele é indicado, quais os riscos e como ajuda pacientes com insuficiência cardíaca.
Dra. Ana Luiza Moreno
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O coração artificial é um dispositivo mecânico utilizado para auxiliar ou substituir a função de bombeamento do coração em pacientes com insuficiência cardíaca avançada. Indicado em situações específicas, ele pode servir como ponte para o transplante cardíaco ou como tratamento definitivo quando o transplante não é uma opção.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil, representando 30% delas. Nesse contexto, avanços como o coração artificial representam uma importante alternativa para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida de pacientes com falência cardíaca grave.

Neste artigo, você vai entender como funciona o coração artificial, quem pode utilizá-lo, quais são seus benefícios, riscos e perspectivas.

O que você precisa saber sobre o coração artificial

  • É um dispositivo mecânico que auxilia ou substitui parcialmente a função do coração.
  • É indicado para pacientes com insuficiência cardíaca avançada.
  • Pode ser utilizado como ponte para transplante cardíaco.
  • Em alguns casos, funciona como tratamento definitivo.
  • Os principais riscos incluem infecções, sangramentos e trombose.
  • Pode melhorar a qualidade de vida e aumentar a sobrevida.

O que é um coração artificial?

Embora o termo “coração artificial” seja amplamente utilizado, na prática ele costuma se referir aos dispositivos de assistência ventricular (DAVs), que auxiliam o coração a bombear sangue. Já o coração artificial total é utilizado em situações mais específicas e substitui completamente a função dos ventrículos cardíacos.

Médica cardiologista e especialista em insuficiência cardíaca e transplante cardíaco, Dra. Gabriela Campos Lima explica que o coração artificial é um dispositivo mecânico de assistência ventricular que produz fluxo de sangue, permitindo aumentar o débito cardíaco.

Na prática, existem diferentes tipos de dispositivos cardíacos mecânicos. Os mais utilizados atualmente são:

  • Dispositivos de assistência ventricular (DAVs), que ajudam o coração a bombear sangue para o corpo.
  • Em situações mais específicas, pode ser utilizado um coração artificial total, capaz de substituir completamente os ventrículos cardíacos.

Esses equipamentos representam uma importante opção terapêutica para pacientes com insuficiência cardíaca grave, especialmente quando o transplante cardíaco não é possível de imediato.

Como funciona o coração artificial?

Dependendo do tipo de dispositivo utilizado, o coração artificial pode auxiliar a função de bombeamento do coração ou, em situações específicas, substituir completamente os ventrículos cardíacos.

“Ele funciona ajudando o trabalho do coração, drenando o ventrículo esquerdo e mandando o sangue para a raiz da aorta, consequentemente aumentando a quantidade de sangue distribuída para todo o organismo”, descreve Dra. Gabriela Campos Lima, que também atua na Unidade Coronariana Hospital São Luiz Anália Franco e faz parte da Equipe de Transplante Cardíaco da Rede D’Or São Paulo.

O coração artificial funciona por meio de uma bomba mecânica capaz de manter a circulação sanguínea quando o coração não consegue bombear sangue adequadamente devido à insuficiência cardíaca avançada. Essa bomba é alimentada por baterias externas e mantém a circulação sanguínea de forma contínua.

Atualmente, os dispositivos de assistência ventricular mais modernos utilizam bombas centrífugas e sistemas de levitação magnética, tecnologias que ajudam a reduzir o desgaste mecânico e o risco de complicações.

Como o sangue passa constantemente por componentes mecânicos, há um risco maior de formação de coágulos. Por isso, os pacientes precisam usar medicamentos que “afinam” o sangue, como anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, para diminuir o risco de tromboses e outras complicações.

Embora seja uma tecnologia promissora, sua utilização ainda é mais restrita e indicada apenas para casos específicos.

Quem pode usar um coração artificial?

O coração artificial é indicado principalmente para pacientes com insuficiência cardíaca avançada, quando os sintomas persistem mesmo após tratamento clínico otimizado.

A cardiologista explica que o coração artificial pode ser utilizado como “ponte” ou como terapia de destino. “O termo ‘ponte’ significa que o dispositivo vai permitir que o paciente consiga esperar um transplante cardíaco (ponte para transplante) ou que se torne candidato ao transplante (ponte para candidatura) pela correção da hipertensão pulmonar”, relata Dra. Gabriela.

Quando o paciente tem alguma contraindicação para o transplante cardíaco, o coração artificial poderá ser como uma terapia definitiva (terapia de destino). Isso pode ocorrer em situações como:

  • Idade avançada ou maior fragilidade clínica, quando os riscos do transplante são considerados elevados;
  • Pacientes sensibilizados, que possuem características imunológicas que dificultam a identificação de um doador compatível;
  • Outras condições médicas que contraindiquem o transplante cardíaco.

“Nem todos os pacientes serão candidatos ao coração artificial, pois esse dispositivo dá suporte apenas ao lado esquerdo do coração. Se o paciente tem o lado direito também com disfunção, o dispositivo não vai conseguir melhorar o débito cardíaco e ajudar o paciente em uma vida melhor”, destaca Dra. Gabriela.

Pacientes que não podem utilizar medicamentos anticoagulantes devido ao alto risco de sangramento, já que esses remédios são essenciais para prevenir a formação de coágulos no dispositivo, também possuem contraindicação para o coração artificial.

Benefícios do coração artificial

Os avanços tecnológicos tornaram o coração artificial cada vez mais seguro e eficiente.  Os principais benefícios desse dispositivo são:

  • Aumento da sobrevida;
  • Melhora da qualidade de vida;
  • Melhora de todas as funções do organismo;
  • Possibilidade de uma rotina próxima do normal para muitos pacientes.

“Como limitações, temos que lembrar que o paciente tem que ficar ligado a baterias e não pode realizar atividades aquáticas”, alerta a cardiologista.

Riscos do coração artificial

Como qualquer procedimento complexo, o implante de um coração artificial também apresenta riscos como:

  • Sangramentos, devido ao uso contínuo de medicamentos anticoagulantes e antiagregantes;
  • Sangramentos gastrointestinais, que estão entre as complicações mais frequentes;
  • Sangramentos graves, como AVC hemorrágico ou hematomas em outras regiões do corpo;
  • Infecções, especialmente no local por onde passa o cabo que conecta o dispositivo às baterias (driveline);

• Dor e necessidade de tratamento com antibióticos quando ocorrem infecções relacionadas ao dispositivo.

Qual a diferença entre coração artificial e transplante cardíaco?

“Tanto o transplante cardíaco quanto o coração artificial são tratamentos indicados para insuficiência cardíaca avançada. Nessa fase da doença, apenas as medicações e medidas não farmacológicas não conseguem manter o paciente estável e a mortalidade é muito alta”, aponta Dra. Gabriela.

Embora ambos sejam utilizados em casos graves de insuficiência cardíaca, existem diferenças importantes:

No transplante cardíaco:

  • Há a troca total do coração.
  • O paciente recebe o coração de um doador que tem que ser imunologicamente compatível e com mesmo tipo sanguíneo.
  • Há também necessidade do uso de medicações imunossupressoras para evitar a rejeição do órgão e por isso os pacientes ficam mais suscetíveis a infecções.

“A sobrevida no transplante, assim como a qualidade de vida são boas permitindo que o paciente volte a uma vida normal. Mas nem todos são adequados ao transplante, como por exemplo, idosos e pacientes com hipertensão pulmonar (que é uma contraindicação formal ao transplante)”, atesta a cardiologista.

O coração artificial:

  • Indicado para aqueles pacientes com contraindicação ao transplante cardíaco e que não possuem disfunção grave do ventrículo direito, já que o suporte é apenas para o ventrículo esquerdo.
  • O paciente precisa ficar ligado a baterias e tem cuidados com curativos.

“A qualidade e o tempo de vida também aumentam. Mas precisam continuar o uso de todos os medicamentos para insuficiência cardíaca, além do uso de anticoagulantes e antiagregantes”, ressalta Dra. Gabriela Campos Lima.

Perguntas frequentes sobre coração artificial

O que é um coração artificial?

É um dispositivo mecânico que ajuda o coração a bombear sangue quando ele está muito enfraquecido.

Existe coração artificial no Brasil?

Sim. O implante de dispositivos de assistência ventricular e, em situações específicas, de coração artificial pode ser realizado em centros especializados no Brasil.

Quem pode usar um coração artificial?

Pacientes com insuficiência cardíaca avançada que não melhoram com medicamentos e outros tratamentos convencionais.

O coração artificial substitui o transplante cardíaco?

Em alguns casos, ele funciona como uma ponte até o transplante. Em outros, pode ser utilizado como tratamento definitivo.

Quais são os benefícios do coração artificial?

Os principais benefícios são o aumento da sobrevida, a melhora dos sintomas e uma maior qualidade de vida.

Quais são os riscos do procedimento?

Os principais riscos incluem sangramentos, infecções e formação de coágulos, o que exige acompanhamento médico contínuo.

Quem usa coração artificial pode ter uma vida normal?

Muitos pacientes conseguem retomar grande parte das atividades do dia a dia, mas precisam seguir cuidados específicos e utilizar baterias para o funcionamento do dispositivo.

O coração artificial cura a insuficiência cardíaca?

Não. O coração artificial é uma forma de tratamento que auxilia a circulação sanguínea e melhora a qualidade de vida, mas não cura a insuficiência cardíaca.

O coração artificial precisa ser trocado?

A durabilidade varia conforme o dispositivo utilizado e as condições clínicas do paciente, sendo necessário acompanhamento médico contínuo.

Como é a vida do paciente após o implante do coração artificial?

A cardiologista ressalta que a qualidade de vida do paciente após o implante de um coração artificial é boa, permitindo uma vida praticamente normal, até com realização de atividades físicas, exceto aquelas aquáticas.

Os pacientes com coração artificial devem tomar cuidado com:

  • Baterias (que devem estar sempre carregadas);
  • Uso de anticoagulantes/antiagregantes (para evitar a trombose do dispositivo);
  • Cuidados com a pele na inserção do fio do “driveline”;
  • Compreender os alarmes do dispositivo e saber quando procurar ajuda específica;
  • Uso das medicações habituais para insuficiência cardíaca.

As pesquisas em cardiologia continuam avançando rapidamente. Dra. Gabriela retrata que as bombas mais atuais, centrífugas e com levitação magnética, permitem menor estresse do sangue com o dispositivo, reduzindo as chances de trombose e necessitando de uma menor necessidade de antiagregação e anticoagulação.

“Menos problemas com tromboses e com sangramentos graves. Tudo isso impacta também em maior durabilidade do dispositivo”, diz.

Quanto tempo uma pessoa pode viver com um coração artificial?

A sobrevida de pacientes com coração artificial varia de acordo com fatores como idade, gravidade da insuficiência cardíaca, presença de outras doenças e tipo de dispositivo utilizado. Em muitos casos, o coração artificial permite que o paciente viva por anos com boa qualidade de vida, especialmente quando associado ao acompanhamento médico adequado e ao uso correto das medicações.

Pacientes com doenças cardiovasculares devem manter acompanhamento regular com o cardiologista para avaliação individualizada e definição das melhores estratégias terapêuticas.

Sintomas como falta de ar, cansaço persistente, inchaço nas pernas, palpitações e redução da capacidade física podem indicar doenças cardíacas importantes. O diagnóstico precoce permite identificar alterações antes que evoluam para quadros graves, aumentando as possibilidades de tratamento e controle da insuficiência cardíaca.

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A Rede D’Or conta com equipes especializadas em cardiologia e cirurgia cardiovascular, oferecendo diagnóstico, acompanhamento e tratamentos avançados para pacientes com doenças cardíacas complexas. Agende uma consulta com um de nossos especialistas.