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Fatores que aumentam o risco de infarto na mulher

Infarto na mulher pode ter sintomas silenciosos. Conheça fatores de risco, sinais de alerta e como prevenir o ataque cardíaco feminino.
Por: Rede D'Or
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O infarto na mulher é mais comum do que se imagina e pode ser mais grave, principalmente quando os sintomas não são reconhecidos rapidamente. Diferente dos homens, o ataque cardíaco em mulheres costuma apresentar sinais mais sutis, o que pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de complicações.

Um estudo apresentado no Congresso de Cardiologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) mostrou que as mulheres têm o dobro de risco de morrer por infarto agudo do miocárdio em comparação aos homens.

Neste conteúdo, você vai entender quais são os sintomas de infarto na mulher, os principais fatores de risco e como prevenir.

O que é infarto (infarto agudo do miocárdio)?

O infarto agudo do miocárdio ocorre quando há interrupção do fluxo de sangue para o coração, geralmente causada pela obstrução de uma artéria coronária.

Essa obstrução costuma estar relacionada à aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias.

Segundo o Ministério da Saúde, o infarto é uma das principais causas de morte no Brasil. Estima-se que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos por ano no país, com cerca de um óbito a cada 5 a 7 episódios.

Quais são os sintomas de infarto na mulher?

Os sintomas de infarto na mulher podem ser diferentes e mais silenciosos do que nos homens.

Na mulher, as manifestações clínicas do infarto nem sempre são tão exuberantes como dor em aperto no peito. A mulher se queixa de:

  • Cansaço incomum;
  • Fadiga desproporcional ao esforço;
  • Sensação de “falta de energia”;
  • Dificuldade de executar tarefas habituais;
  • Falta de ar;
  • Náuseas ou vômitos;
  • Dor nas costas, mandíbula ou pescoço;
  • Sensação de mal-estar geral;
  • Dor leve ou em pressão no peito.

“A dor nem sempre é de forte intensidade, pode ser leve ou em ‘pressão’ nas costas, pescoço, mandíbula ou braço. Às vezes, confundida com dor no estômago ou indigestão. Não é intensa, pode ser vaga, ir e voltar”, descreve a cardiologista do Hospital São Lucas – Rede D’Or São Luiz em Aracaju (SE) Dra. Celi Marques.

Por que o infarto pode ser diferente nas mulheres?

O infarto feminino pode ter causas e manifestações diferentes.

Com a menopausa, a queda do estrogênio aumenta rapidamente o risco cardiovascular, podendo se igualar ou até ultrapassar o risco dos homens.

Nos homens, o mais comum é a ruptura de uma placa de gordura dentro da artéria, que acaba formando um coágulo e bloqueando a passagem do sangue.

Já nas mulheres, o mecanismo muitas vezes é diferente. O infarto pode acontecer por:

  • Desgaste da placa (erosão), sem rompimento completo;
  • Problemas nos vasos menores do coração (microcirculação);
  • Espasmo da artéria, como se ela “contraísse” de repente;
  • Dissecção espontânea, quando há uma espécie de “rasgo” na parede do vaso.

“Isto significa que muitas mulheres podem ter infarto mesmo sem grandes obstruções nas artérias”, explica a médica.

Clinicamente este infarto é chamado de MINOCA, do inglês, que significa infarto do miocárdio sem obstrução coronária.

Em outras palavras, muitas mulheres podem ter um infarto com um exame de cateterismo sem grandes entupimentos nas artérias principais.

Fatores de risco para infarto na mulher

Os fatores de risco de infarto na mulher podem ser mais agressivos do que nos homens.

Eles são subdivididos em fatores de risco tradicionais, fatores de risco específicos da mulher e fatores sub-reconhecidos ou potencializadores de risco.

Fatores de risco tradicionais:

“Na mulher, esses fatores de risco têm o poder duas a três vezes maior de causar doenças cardiovasculares quando comparados aos homens”, destaca a médica.

Fatores de risco específicos da mulher:

“Essas condições aumentam significativamente o risco de doença cardiovascular e infarto”, afirma.

Fatores de risco sub-reconhecidos:

  • Depressão e ansiedade;
  • Abuso sexual e violência;
  • Privação socioeconômica;
  • Baixa educação em saúde;
  • Fatores de risco ambientais;
  • Racismo estrutural;
  • Acesso aos sistemas de saúde;
  • Orientação sexual;
  • Tratamento oncológico;
  • Estresse crônico.

“O reconhecimento de todos esses fatores de risco é fundamental na saúde cardiovascular da mulher e, quando inseridos na estratificação de risco, conduzem a mulher para um nível imediatamente mais alto, permitindo uma maior precisão na condução clínica”, aponta.

Infarto em mulheres jovens: é possível?

Sim. O infarto em mulheres jovens pode acontecer, principalmente quando há:

  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Estresse elevado
  • Histórico familiar
  • Doenças hormonais

Mesmo sem idade avançada, o risco existe.

Como prevenir o infarto na mulher

Até 80% dos casos podem ser prevenidos com mudanças no estilo de vida.

Principais medidas:

  • Alimentação equilibrada;
  • Atividade física regular (150 min/semana);
  • Parar de fumar;
  • Dormir bem (7 a 9 horas);
  • Controlar estresse;
  • Monitorar colesterol, glicemia e pressão.

VEJA MAIS: A influência genética no risco de doenças cardíacas

O problema muitas vezes não é a falta de exames, mas a interpretação inadequada dos sintomas. Por isso estar atento a eles é importante.

Portanto, de acordo com a cardiologista, a avaliação clínica mais a estratificação de risco são a base para prevenir um infarto. Deve-se incluir na avaliação clínica:

  • Pressão arterial;
  • IMC e circunferência abdominal;
  • Histórico familiar;
  • Histórico gestacional (ESSENCIAL);

Também é necessário investigar:

  • Pré-eclâmpsia;
  • Diabetes gestacional;
  • Menopausa precoce.

Na avaliação laboratorial, deve-se incluir exames de:

Em casos selecionados com risco intermediário e história familiar forte é importante avaliar:

Na triagem inicial, são essenciais exames complementares como:

“A interpretação deve ser cautelosa por ter menos especificidade em mulheres”, ressalta Dra. Celi.

Exames de imagem avançados, que incluem:

“A angiotomografia coronária é muito útil para risco intermediário, dúvida diagnóstica, mulheres com sintomas atípicos e risco subestimados”, destaca.

Em geral, as mulheres recebem menos frequentemente: diagnóstico precoce, terapias invasivas e tratamento otimizado, portanto têm maior chance de ter complicações e mortalidade pós-infarto.

Quando procurar ajuda médica?

Procure atendimento imediato se houver:

  • Sintomas persistentes;
  • Piora progressiva;
  • Sensação de algo errado no corpo.

O diagnóstico precoce pode salvar vidas.

Perguntas frequentes sobre infarto na mulher

Quais são os principais fatores de risco de infarto na mulher?

Pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, sedentarismo e obesidade.

A menopausa aumenta o risco de infarto na mulher?

Sim. A queda do estrogênio reduz a proteção natural do coração.

Os sintomas de infarto são diferentes nas mulheres?

Podem ser. Além da dor no peito, são comuns falta de ar, cansaço, náuseas e dor nas costas.

Infarto na mulher pode ser silencioso?

Sim. Em muitos casos, os sintomas são discretos e facilmente ignorados.

Mulheres jovens podem ter infarto?

Sim, especialmente se houver fatores de risco como tabagismo, obesidade ou histórico familiar associados.

Infarto na mulher ainda é subdiagnosticado

O infarto na mulher ainda é subdiagnosticado, principalmente devido aos sintomas atípicos e à menor percepção de risco.

Conhecer os sinais, identificar os fatores de risco, eliminá-los sempre que possível e manter acompanhamento médico regular são medidas essenciais para a prevenção

Se você apresenta sintomas ou fatores de risco, procure avaliação especializada. Agende uma consulta com um cardiologista D’Or e cuide da sua saúde cardiovascular.