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Poliomielite: o Brasil venceu essa doença há mais de 30 anos e não podemos deixar que ela volte

Mesmo que o vírus da poliomielite tenha parado de circular no país desde 1990, a paralisia infantil continua exigindo atenção, pois a proteção vacinal precisa ser renovada a cada nova geração de crianças
Por: Rede D'Or
ALT: Uma menina pequena, de cabelos e olhos escuros, recebe dose oral da vacina contra a poliomielite em formato de gotinhas, ministrada por profissional da saúde.
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Entre as doenças que marcaram o século XX, poucas deixaram cicatrizes tão visíveis quanto a poliomielite. Conhecida como paralisia infantil, ela já encheu enfermarias de crianças e adultos no Brasil e hoje é lembrada, sobretudo, por quem convive com suas sequelas. No Dia Mundial de Combate à Poliomielite, celebrado em 24 de outubro, a data serve menos para comemorar essa vitória antiga e mais para lembrar o que precisamos fazer para manter essa vitória: a proteção contra a polio se dá pela vacinação e ela deve ser renovada sempre.

  • Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 a cada 200 infecções pelo poliovírus evolui para paralisia irreversível, geralmente nas pernas. Entre as pessoas que desenvolvem a forma paralítica, de 5% a 10% podem morrer quando os músculos da respiração são comprometidos.
  • De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o último caso de poliovírus selvagem registrado nas Américas ocorreu em 1991, e a região foi certificada como livre da doença em 1994, mesmo ano em que o Brasil recebeu o certificado de eliminação.
  • Dados do Ministério da Saúde indicam que grande parte das pessoas infectadas não apresenta sintomas e pode nunca saber que teve a doença, o que permite a circulação silenciosa do vírus. Quando a paralisia persiste após 60 dias, ela passa a ser considerada sequela.
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O que é a poliomielite e por que ela ainda preocupa?

A poliomielite é uma doença infecciosa aguda causada pelo poliovírus, um vírus que se multiplica no intestino e, em parte dos casos, alcança o sistema nervoso. Quando isso acontece, ele pode atingir os neurônios responsáveis pelo comando dos músculos e provocar perda de força de instalação rápida.

O nome popular, paralisia infantil, se explica pelo grupo mais atingido historicamente: crianças pequenas, sobretudo menores de 5 anos. Adultos sem proteção adequada, no entanto, também podem adoecer, e nessa faixa o quadro tende a ser mais grave.

A preocupação atual não vem de uma ameaça distante. O vírus ainda circula em alguns países e, em um mundo de deslocamentos constantes, basta uma população com proteção enfraquecida para que ele volte a encontrar espaço. A eliminação conquistada no Brasil depende de manutenção contínua, não de um feito definitivo.

Como o poliovírus, vírus da poliomielite, é transmitido?

A transmissão acontece principalmente pela via fecal-oral, ou seja, pelo contato com fezes de pessoas infectadas, de forma direta ou por meio de água, alimentos, mãos e objetos contaminados. O vírus também pode ser eliminado por gotículas de secreção da garganta ao falar, tossir ou espirrar.

Condições de saneamento precário, moradia inadequada e dificuldade de acesso à higiene favorecem a disseminação. Vale lembrar que uma pessoa sem sintoma algum pode estar eliminando o vírus, o que torna a barreira coletiva ainda mais importante que a percepção individual de risco.

Os sinais costumam aparecer entre 3 e 35 dias após a infecção. Medidas simples, como lavar bem as mãos, preparar os alimentos com cuidado e consumir água tratada, reduzem a chance de contágio, mas não substituem a proteção específica, tema tratado mais adiante neste texto.

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Quais são os sintomas da poliomielite?

A maioria dos sintomas da poliomielite passa despercebida. Os sinais podem ser inespecíficos e se parecerem com outras viroses comuns:

  • Febre, mal-estar e sensação de cansaço;
  • Dor de cabeça, dor de garganta e dores pelo corpo;
  • Vômitos, diarreia ou constipação intestinal;
  • Espasmos musculares e rigidez na nuca, que em alguns casos podem acompanhar um quadro de meningite;
  • Fraqueza muscular de início súbito, assimétrica e com flacidez, mais frequente nos membros inferiores.

Na forma paralítica, chama atenção um detalhe importante para o diagnóstico: a sensibilidade permanece preservada, mesmo com redução ou ausência dos reflexos. A pessoa continua sentindo o toque na região afetada, ainda que não consiga movê-la.

Como é feito o diagnóstico da poliomielite?

A suspeita costuma surgir diante de um quadro de paralisia flácida aguda, especialmente em menores de 15 anos. A avaliação inicial pode ser conduzida pelo pediatra ou pelo infectologista, muitas vezes com participação da neurologia na investigação do comprometimento motor.

A confirmação é laboratorial e se baseia na identificação do poliovírus em amostras de fezes. Exames complementares, como a análise do líquido da medula espinhal e os estudos da condução nervosa, podem ajudar a caracterizar o quadro e a afastar outras causas de fraqueza aguda.

Por se tratar de uma condição sob vigilância, todo caso suspeito deve ser avaliado com rapidez. A investigação precoce orienta o cuidado do paciente e permite verificar se há risco para quem está ao redor.

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Existe tratamento para a poliomielite? E quais sequelas essa doença pode deixar?

Não há tratamento capaz de interromper a progressão da doença depois que ela se instala. O cuidado é de suporte: internação quando necessária, controle dos sintomas, hidratação, manejo da dor e atenção especial à respiração nos casos em que a musculatura respiratória é atingida.

As sequelas são principalmente motoras e podem acompanhar a pessoa por toda a vida. Entre elas estão dores articulares, encurtamentos e diferenças de comprimento entre as pernas, deformidades nos pés, escoliose, perda de densidade óssea com risco de osteoporose e, em parte dos casos, dificuldades para falar ou engolir.

É justamente aí que o acompanhamento de longo prazo faz diferença. A fisioterapia tem papel central na manutenção da força, da mobilidade e da autonomia, em geral com apoio da ortopedia para o manejo das deformidades e indicação de órteses ou de procedimentos corretivos quando houver indicação médica.

Décadas após o quadro inicial, algumas pessoas relatam fadiga, dor e nova perda de força em músculos previamente afetados. Essa evolução tardia merece avaliação médica, porque pode demandar ajustes no acompanhamento e nas atividades do dia a dia.

Como se proteger da poliomielite?

A vacinação é a principal forma de prevenção e, na prática, a única capaz de interromper a circulação do vírus. Como a proteção não é transmitida de uma geração para outra, cada criança precisa receber o próprio esquema, no tempo certo.

Na Rede D’Or, a proteção contra a poliomielite está disponível na vacina inativada poliomielite (VIP), de aplicação injetável, e também na vacina hexavalente, que reúne em uma única aplicação a proteção contra poliomielite, difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções por Haemophilus influenzae tipo B. O esquema costuma começar aos 2 meses de vida, com doses aos 4 e aos 6 meses e reforço conforme orientação médica.

Adultos que não têm registro de vacinação ou que pretendem viajar para áreas onde o vírus ainda circula também podem se beneficiar da avaliação de um infectologista, que pode indicar doses adicionais de acordo com o histórico de cada pessoa e o destino da viagem.

Manter a caderneta em dia e guardar os registros é um cuidado simples com efeito coletivo. Na Rede D’Or, você encontra equipes de pediatria, infectologia e neurologia, além de serviços de vacinação, para acompanhar cada etapa desse cuidado com segurança.

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