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Saúde ginecológica: por que a adesão aos exames preventivos ainda é tão baixa?

Apesar de toda a divulgação e educação sobre o tema, os exames preventivos ginecológicos ainda não fazem parte da rotina de boa parte do público-alvo
Por: Rede D'Or
ALT: em primeiro plano, aparece a cabeça de paciente, por trás, imagem embaçada, diante de uma médica realizando prescrições em folha de papel.
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Entre os cuidados de saúde preventiva mais eficazes já criados pela medicina, os exames ginecológicos ocupam um lugar de destaque: são simples, rápidos e capazes de identificar alterações antes mesmo que se tornem doenças graves. Ainda assim, uma parte significativa do público-alvo da saúde ginecológica não realiza esses exames com a regularidade recomendada, e outra parte nunca fez.

Essa lacuna entre o que é recomendado e o que de fato acontece na prática tem consequências reais. Doenças como o câncer de colo do útero e o câncer de mama estão entre os tipos de câncer mais comuns em pacientes com útero, e ambos têm alta taxa de cura quando descobertos cedo. Entender por que a adesão aos exames preventivos ainda é baixa, e conhecer quais exames fazem parte dessa rotina de cuidado, é o primeiro passo para mudar essa realidade.

  • De acordo com estudo divulgado pela Agência Brasil com base em dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, 21,4% das pessoas que fazem o exame Papanicolau estão fora da faixa etária recomendada, entre 25 e 64 anos, e 45,7% que nunca realizaram o rastreamento têm entre 25 e 34 anos.
  • O Instituto Nacional de Câncer (INCA) destaca que o rastreamento organizado apresenta melhores resultados e menores custos do que o modelo oportunístico ainda predominante no Brasil, no qual o exame só é oferecido quando a mulher procura o serviço de saúde por iniciativa própria.
  • O Ministério da Saúde inclui a saúde ginecológica como parte do cuidado integral à mulher, reforçando que o exame preventivo (Papanicolau) deve ser realizado periodicamente entre 25 e 64 anos para quem já tenha iniciado a vida sexual, independentemente da presença de sintomas.
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Quais são os principais exames ginecológicos preventivos?

O acompanhamento ginecológico de rotina reúne um conjunto de exames que, juntos, permitem identificar a maior parte das condições que afetam a saúde reprodutiva. O principal deles é o Papanicolau, também chamado de exame preventivo ou citologia oncótica cervical, que coleta células do colo do útero para identificar alterações que podem evoluir para câncer. É um exame indicado para quem tem entre 25 e 64 anos e já iniciou a vida sexual, com repetição anual nos dois primeiros exames e, se normais, a cada três anos.

A ultrassonografia de pelve transvaginal é outro exame frequentemente solicitado, permitindo avaliar útero, ovários e outras estruturas da pelve com imagens detalhadas. Já a mamografia é o principal exame de rastreamento do câncer de mama, com recomendação atualizada para as idades entre 50 e 74 anos, a cada dois anos, embora o exame clínico das mamas e a atenção a alterações suspeitas devam fazer parte do cuidado em qualquer idade.

Quando o resultado do Papanicolau apresenta alterações, podem ser solicitados outros exames complementares. Um deles é a colposcopia, que permite visualizar detalhadamente o colo do útero, a vagina e a vulva com o auxílio de um aparelho específico, outro são testes moleculares para detecção do HPV, vírus associado à maioria dos casos de câncer de colo do útero.

Quais doenças os exames ginecológicos ajudam a prevenir?

O principal objetivo dos exames ginecológicos preventivos é identificar lesões antes que se tornem câncer, ou detectar tumores ainda em fase inicial, quando o tratamento costuma ser mais simples e as chances de cura são maiores. O câncer de colo do útero está fortemente associado à infecção persistente pelo HPV, e sua progressão a partir de lesões precursoras costuma ser lenta, o que torna o rastreamento regular especialmente eficaz para interromper a doença antes que ela avance.

O câncer de mama, por sua vez, é o tipo de câncer mais comum entre mulheres e pessoas com útero em todo o mundo. A detecção precoce, seja por meio da mamografia de rastreamento na faixa etária recomendada, seja pela atenção a sinais e sintomas suspeitos em qualquer idade, é uma das estratégias mais importantes para reduzir a mortalidade pela doença.

Além desses dois tipos de câncer, o acompanhamento ginecológico regular também permite identificar outras condições, como infecções vaginais, alterações hormonais, endometriose, miomas e cistos ovarianos, muitas vezes antes mesmo de causarem sintomas perceptíveis.

Qual especialista procurar para realizar os exames ginecológicos?

A ginecologia clínica é a especialidade responsável pela prevenção, diagnóstico e tratamento de condições relacionadas ao útero e ovários, e às mamas, juntamente com a mastologista: solicita e interpreta os exames de rotina, orienta sobre contracepção, saúde sexual e planejamento familiar, e encaminha para investigações adicionais quando necessário.

A recomendação é que a primeira consulta ginecológica aconteça logo após a primeira menstruação, e que o acompanhamento seja mantido ao longo de toda a vida, com periodicidade geralmente anual. Mesmo quem não tem vida sexual ativa deve manter essa avaliação regular, já que parte dos exames e orientações independe da atividade sexual.

Em situações específicas, outras especialidades podem ser acionadas em conjunto com a ginecologia, como oncologistas, quando há confirmação de câncer, ou endocrinologistas, quando alterações hormonais mais complexas estão envolvidas. Essa atuação conjunta reforça a importância de manter a ginecologia como referência central no cuidado preventivo da saúde ginecológica.

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Quais sintomas podem indicar a necessidade de exames ginecológicos?

Embora muitos exames ginecológicos sejam preventivos e realizados mesmo na ausência de sintomas, alguns sinais merecem atenção imediata e não devem esperar a próxima consulta de rotina.

Sangramento vaginal fora do período menstrual, dor pélvica persistente, corrimento com odor ou coloração alterada e dor durante a relação sexual são sinais que justificam avaliação médica sem demora.

Em relação à saúde das mamas, além de realizar o autoexame, é importante manter o que se chama de consciência mamária: observar e perceber mudanças no formato, presença de nódulos, alterações na pele ou saída de secreção pelos mamilos. Qualquer alteração percebida deve ser comunicada à equipe médica o quanto antes, independentemente da idade ou da data prevista para o próximo exame de rotina.

Alterações persistentes no ciclo menstrual, sangramento após a menopausa, ou sintomas intensos associados ao climatério também são motivos válidos para buscar avaliação médica fora do calendário habitual de consultas, já que podem indicar condições que precisam de investigação mais aprofundada.

Como combater a baixa adesão aos exames ginecológicos preventivos?

Entre os fatores associados à baixa adesão aos exames preventivos estão o desconhecimento sobre a importância e o objetivo dos exames, o medo do desconforto físico ou de um eventual diagnóstico, a vergonha de expor o corpo, e dificuldades práticas de acesso aos serviços de saúde, como tempo de deslocamento e disponibilidade de horários. Barreiras institucionais, como demora na entrega de resultados e falta de busca ativa de pacientes que tenham exames alterados também comprometem a continuidade do cuidado.

Reverter esse cenário passa por informação clara sobre o que é cada exame e por que ele importa, além de um ambiente de consulta acolhedor, sem julgamento.

Os passos mais importantes para quebrar esse ciclo é buscar profissional de confiança para cuidar da sua saúde, tirar dúvidas abertamente e entender que o desconforto de um exame é temporário, enquanto os benefícios da prevenção duram a vida toda.

Não é preciso esperar sintomas para procurar avaliação ginecológica. O Papanicolau, a mamografia e as demais avaliações de rotina existem justamente para agir antes que a doença se manifeste. Colocar esses exames em dia é uma das formas mais simples e eficazes de cuidar da própria saúde a longo prazo.

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