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Terapia celular: a revolução da medicina personalizada no tratamento do câncer

Entenda o que é a terapia celular contra o câncer, como funciona, o que a Anvisa já aprovou no Brasil e como é a cobertura pelos planos de saúde.

A terapia celular é uma das áreas que mais avançaram na oncologia nas últimas décadas. Nesse tipo de tratamento, células do próprio paciente ou, em alguns casos, de um doador são utilizadas para combater o câncer. Dependendo da estratégia empregada, essas células podem ser coletadas, modificadas em laboratório, multiplicadas e posteriormente reinfundidas no organismo para reconhecer e atacar as células cancerígenas.

Diferentemente dos tratamentos convencionais, a terapia celular utiliza células vivas como parte do tratamento, aproveitando ou potencializando a capacidade do próprio sistema imunológico de combater a doença. No Brasil, esse tipo de terapia é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já está disponível para alguns tipos de câncer do sangue, além de continuar sendo estudado para outras doenças.

Neste artigo, você entenderá como funciona a terapia celular, quais tratamentos já estão disponíveis no país e como funciona a cobertura pelos planos de saúde.

O que é a terapia celular contra o câncer e como ela funciona?

Terapia celular é o nome dado aos tratamentos que utilizam células humanas como parte do combate ao câncer. A modalidade mais conhecida atualmente é a terapia com células CAR-T , na qual linfócitos T do próprio paciente são geneticamente modificados para reconhecer proteínas específicas presentes nas células tumorais.

De forma resumida, o tratamento segue três etapas:

  • Coleta (aférese): o sangue do paciente passa por um equipamento que separa e coleta os linfócitos T, um tipo de célula do sistema imunológico;
  • Manufatura em laboratório: essas células são modificadas geneticamente para produzir um receptor chamado CAR (Chimeric Antigen Receptor), capaz de reconhecer um alvo presente nas células do câncer. Em seguida, elas são multiplicadas até atingir uma quantidade adequada para o tratamento;
  • Infusão: antes de receber as células modificadas, o paciente normalmente faz uma quimioterapia de curta duração, chamada de linfodepleção, que prepara o organismo para o tratamento. Depois disso, as células CAR-T são reinfundidas por via intravenosa, em ambiente hospitalar, com monitorização especializada.

Por esse motivo, a terapia celular costuma ser descrita como um “medicamento vivo”. Após a infusão, essas células podem permanecer no organismo durante meses ou até anos, mantendo a capacidade de reconhecer e combater células cancerígenas caso elas voltem a surgir.

É importante diferenciar a terapia celular do transplante de medula óssea (TMO). No transplante, o objetivo é substituir a medula óssea doente por células-tronco saudáveis, provenientes do próprio paciente ou de um doador. Já na terapia celular, o objetivo é utilizar células do sistema imunológico para reconhecer e atacar diretamente o câncer. Embora ambos possam ser indicados para algumas doenças hematológicas e sejam realizados em centros especializados, tratam-se de estratégias distintas.

Leia também: Transplante de medula óssea: você sabe como é feito?

Quais terapias celulares estão disponíveis e são regulamentadas no Brasil?

No Brasil, os chamados Produtos de Terapias Avançadas (PTAs), categoria que engloba terapias celulares, terapias gênicas e produtos de engenharia tecidual, são regulamentados pela Anvisa. Cada produto precisa passar por avaliação específica de qualidade, segurança e eficácia antes de receber autorização para uso.

Esses tratamentos também são conhecidos como medicamentos vivos, pois o produto administrado é formado por células capazes de permanecer ativas no organismo após a infusão.

Atualmente, terapias com células CAR-T possuem aprovação regulatória no Brasil para algumas doenças hematológicas, incluindo:

  • Leucemia linfoblástica aguda (LLA) de células B, em pacientes pediátricos e adultos jovens até 25 anos, com doença refratária ou em segunda recidiva ou posterior;
  • Linfoma difuso de grandes células B (LDGCB) e alguns outros linfomas de células B, em pacientes com doença recidivada ou refratária após pelo menos duas linhas de tratamento sistêmico;
  • Mieloma múltiplo recidivado ou refratário, em pacientes previamente tratados com as principais classes de medicamentos indicadas para a doença, conforme a indicação aprovada para cada produto.

Com o avanço das pesquisas, novas indicações e novos produtos vêm sendo avaliados continuamente pelas agências reguladoras.

Como os planos de saúde cobrem o tratamento de terapia celular?

A cobertura da terapia celular depende da indicação clínica, do tipo de tratamento, da regulamentação vigente e das regras previstas na legislação brasileira.

Quando uma terapia faz parte do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para determinada indicação, sua cobertura costuma ser obrigatória, desde que sejam atendidos os critérios definidos pela agência e pelo contrato do plano.

Mesmo quando um tratamento ainda não está incluído no rol, podem existir situações em que a cobertura seja obrigatória, conforme a legislação e decisões judiciais aplicáveis ao caso.

Como essa é uma área em rápida evolução, tanto as aprovações regulatórias quanto as regras de cobertura podem mudar ao longo do tempo. Por isso, é importante que o paciente e a equipe médica consultem a operadora do plano de saúde e as fontes oficiais antes do início do tratamento.

Quais são os efeitos colaterais da terapia celular e como eles são tratados?

Como qualquer tratamento oncológico, a terapia celular pode causar efeitos adversos. Por esse motivo, a infusão é realizada em centros especializados, com acompanhamento rigoroso da equipe médica.

Os efeitos colaterais mais conhecidos da terapia CAR-T incluem:

  • Síndrome de liberação de citocinas, causada pela intensa ativação do sistema imunológico, que pode provocar febre, queda da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, falta de ar e alterações em diferentes órgãos;
  • Neurotoxicidade associada às células efetoras imunológicas (ICANS), que pode causar confusão mental, dificuldade para falar, sonolência, tremores ou, em casos mais graves, convulsões.

Esses efeitos são bem conhecidos e possuem protocolos específicos de tratamento. Dependendo da gravidade, podem ser utilizados medicamentos como tocilizumabe, corticoides e outras medidas de suporte intensivo.

Como os pacientes permanecem sob monitorização especializada durante esse período, a maior parte das complicações é reconhecida precocemente e tratada de forma adequada.

A terapia celular já funciona também para tumores sólidos?

Até o momento, os resultados mais consistentes da terapia celular foram obtidos nos cânceres hematológicos, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo.

Nos tumores sólidos, como câncer de pulmão, ovário, mama ou melanoma, o tratamento enfrenta desafios adicionais. Além da dificuldade de identificar alvos exclusivos das células tumorais, existe o chamado microambiente tumoral, que dificulta a entrada e a atividade das células do sistema imunológico dentro do tumor.

Mesmo assim, esse cenário começou a mudar.

Em 2024, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou a primeira terapia celular para um tumor sólido: o lifileucel (Amtagvi®), uma terapia baseada em linfócitos infiltrantes de tumor (TIL), indicada para pacientes com melanoma avançado previamente tratados.

Além do melanoma, estudos clínicos investigam terapias celulares para câncer de pulmão, ovário, cabeça e pescoço, colo do útero, colorretal e outros tumores sólidos.

No Brasil, entretanto, cada terapia precisa passar por avaliação própria da Anvisa antes de receber autorização para uso.

Outra linha promissora de pesquisa busca desenvolver terapias celulares alogênicas, produzidas a partir de células de doadores saudáveis e disponibilizadas como produtos “prontos para uso”. Essa estratégia pretende reduzir o tempo necessário entre a indicação do tratamento e sua administração, mas ainda permanece em investigação clínica.

Como escolher um centro confiável para o tratamento?

Por ser uma área altamente especializada e em rápida expansão, é importante que a terapia celular seja realizada apenas em centros habilitados e com experiência nesse tipo de tratamento.

Também é importante ter cautela com ofertas de tratamentos experimentais ou de supostas terapias com células-tronco sem aprovação regulatória ou comprovação científica.

Antes de iniciar qualquer terapia celular, vale confirmar:

  • Se o produto possui aprovação da Anvisa para aquela indicação ou está sendo utilizado dentro de um estudo clínico aprovado;
  • Se o hospital possui estrutura para realizar todas as etapas do tratamento, incluindo coleta, processamento das células, infusão e acompanhamento das possíveis complicações;
  • Se a indicação foi feita por uma equipe especializada em hematologia ou oncologia, com base na situação clínica e nas evidências científicas disponíveis.

Centros especializados em terapia celular e transplante de medula óssea costumam reunir todas essas etapas em um único serviço, oferecendo acompanhamento multidisciplinar desde a avaliação inicial até o seguimento após o tratamento.

Se precisar, pode contar com a Oncologia D’Or!

A Oncologia D’Or transforma o cuidado com o câncer por meio de uma rede integrada de clínicas e centros de tratamento presentes em diversos estados do país. Com um corpo clínico especializado e equipes multidisciplinares dedicadas, proporcionamos uma jornada de atendimento que une tecnologia avançada, diagnóstico ágil e tratamentos personalizados.

Como parte da Rede D’Or, a maior rede de saúde da América Latina, garantimos acesso às estruturas hospitalares mais modernas e aos avanços científicos que fazem a diferença na vida dos pacientes.

Nosso compromisso é oferecer excelência, conforto e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, promovendo saúde e qualidade de vida.

Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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