Quando a criança reclama de dor na barriga com frequência, é natural que os pais busquem entender a causa.
A dor abdominal está entre as queixas mais comuns na infância, especialmente entre os 4 e os 12 anos. Quando os episódios se repetem ao longo de semanas ou meses, na maioria das vezes não há uma doença identificável por trás do sintoma. Ainda assim, observar como a dor se manifesta e conhecer os sinais de alerta é fundamental para saber quando ela pode indicar a necessidade de uma avaliação médica.
Ao longo deste texto, você vai entender quais são as causas mais comuns da dor de barriga em crianças, quando é possível observar os sintomas em casa e em quais situações é importante procurar atendimento.
Por que a criança sente dor na barriga com frequência?
A dor na barriga pode ter diferentes causas, e observar quando ela aparece, quanto tempo dura e quais outros sintomas a acompanham ajuda o pediatra a identificar a origem do problema.
Na maioria das vezes, quando a dor é recorrente, ela é classificada como funcional. Isso significa que o sistema digestivo está funcionando, mas reage de forma mais sensível a situações do dia a dia, como mudanças na alimentação, alterações na rotina, noites mal dormidas ou momentos de estresse. A dor é real, mesmo quando os exames não mostram nenhuma alteração.
Também existem causas orgânicas, que podem ser identificadas durante a avaliação médica. Entre as mais comuns, estão:
- Constipação intestinal: a dificuldade para evacuar e o acúmulo de fezes podem causar dor, inchaço e desconforto abdominal;
- Parasitoses intestinais: infecções por parasitas podem provocar dor abdominal, gases e alterações no funcionamento do intestino;
- Intolerâncias e sensibilidades alimentares: em algumas crianças, alimentos como os que contêm lactose podem desencadear dor e desconforto, exigindo investigação e orientação médica;
- Infecções gastrointestinais: gastroenterites causadas por vírus ou bactérias costumam provocar dor abdominal acompanhada de vômitos, diarreia e, em alguns casos, febre.
Dor abdominal funcional: quando a dor existe, mesmo sem alterações nos exames
Nem toda dor na barriga tem uma causa que aparece nos exames. Em muitas crianças, o desconforto é classificado como dor abdominal funcional. Isso significa que o intestino e o sistema digestivo funcionam normalmente, mas são mais sensíveis a estímulos do dia a dia.
A dor é real e merece atenção. Ela não é exagero ou imaginação da criança. Em alguns casos, os episódios podem estar relacionados a momentos de maior tensão, como provas, mudanças na rotina, conflitos escolares ou outras situações de estresse. Isso não significa que a dor seja apenas emocional, mas que corpo e emoções podem influenciar a forma como a criança percebe e responde ao desconforto.
Por isso, a avaliação pediátrica continua sendo fundamental. Além de descartar outras causas para a dor, ela ajuda a identificar os fatores envolvidos e a definir a melhor forma de aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida da criança.
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O que observar em casa e quando procurar o pediatra?
Na maioria das vezes, a dor na barriga na infância não está relacionada a doenças graves. Ainda assim, quando os episódios se repetem ou vêm acompanhados de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica.
De forma geral, recomenda-se investigar a dor abdominal recorrente quando a criança apresenta quatro ou mais episódios por mês durante pelo menos dois meses consecutivos. Também é indicado buscar atendimento se houver sinais de alerta, como:
- Dor que desperta a criança durante a noite;
- Perda de peso sem explicação;
- Febre persistente associada à dor;
- Sangue nas fezes;
- Vômitos frequentes;
- Dor intensa localizada no lado inferior direito do abdômen;
- Histórico familiar de doença inflamatória intestinal, doença celíaca ou úlcera péptica.
Vale observar quando a dor costuma aparecer, quanto tempo dura, onde está localizada e se vem acompanhada de sintomas como febre, vômitos, diarreia ou perda de apetite. Também é útil perceber se os episódios coincidem com mudanças na rotina ou situações de estresse e como estão os hábitos intestinais da criança.
Manter uma alimentação equilibrada, com boa ingestão de fibras e hidratação adequada, favorece o funcionamento do intestino e pode ajudar a reduzir dores relacionadas à constipação. Já mudanças na dieta ou o uso de medicamentos devem ser feitos apenas com orientação do pediatra.


