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Meu filho vive doente: quando isso faz parte da infância e quando merece investigação?

Meu filho vive doente: isso é normal? Entenda por que crianças adoecem com frequência, quando isso faz parte do desenvolvimento do sistema imunológico e quais sinais merecem investigação.

Muitos pais têm a sensação de que o filho melhora de uma gripe e, poucos dias depois, já apresenta outro quadro respiratório. Essa sequência de infecções costuma gerar uma dúvida bastante comum: será que a criança está com a imunidade baixa?

Na maioria das vezes, não. Durante os primeiros anos de vida, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Cada contato com vírus e bactérias ajuda o organismo a aprender a reconhecer esses agentes e a criar mecanismos de defesa para infecções futuras. Esse processo faz parte do amadurecimento natural da imunidade.

Por isso, principalmente entre crianças que frequentam ambientes coletivos, como creches e escolas, é esperado que ocorram vários episódios de infecções respiratórias ao longo do ano.

Por que as crianças ficam doentes com tanta frequência?

Ao contrário do que muitos imaginam, adoecer faz parte do desenvolvimento do sistema imunológico.

Nos primeiros anos de vida, a criança entra em contato com vírus e bactérias que nunca haviam sido encontrados pelo organismo. A cada nova exposição, o sistema de defesa cria uma memória imunológica que ajudará a responder de forma mais eficiente em infecções futuras.

Além disso, ambientes com muitas crianças favorecem a circulação de vírus respiratórios, o que explica por que quem frequenta creches ou escolas costuma adoecer mais do que aquelas que permanecem em casa.

Isso, por si só, não significa que exista um problema de imunidade.

O que realmente significa "imunidade baixa"?

O termo “imunidade baixa” é muito utilizado no dia a dia, mas nem sempre corresponde a uma doença do sistema imunológico.

Diversos fatores podem deixar a criança mais suscetível às infecções por um período, como noites mal dormidas, alimentação inadequada, exposição ao cigarro e algumas condições de saúde. Isso é diferente das imunodeficiências, que são doenças mais raras e exigem investigação especializada.

Por isso, mais importante do que contar quantas vezes a criança ficou doente é observar como essas infecções acontecem.

Quando as infecções deixam de ser esperadas?

Nem sempre o número de episódios é o que mais preocupa o pediatra. A gravidade das infecções, o tempo de recuperação, a necessidade de internação e a resposta ao tratamento costumam ser informações mais importantes durante a avaliação.

Alguns sinais merecem atenção, como:

  • Quatro ou mais episódios de otite em um ano;
  • Duas ou mais pneumonias ao longo de um ano;
  • Sinusites graves de repetição;
  • Necessidade frequente de antibióticos por períodos prolongados;
  • Infecções que exigem internação ou antibióticos na veia;
  • Dificuldade para ganhar peso ou crescer adequadamente;
  • Histórico familiar de imunodeficiências.

Esses sinais não confirmam um diagnóstico, mas indicam que a criança deve ser avaliada para entender se existe alguma condição que esteja favorecendo essas infecções.

Existe alguma forma de fortalecer a imunidade?

Não existe uma fórmula capaz de “aumentar” a imunidade de crianças saudáveis. Suplementos e produtos vendidos com essa promessa nem sempre têm benefício comprovado e só devem ser utilizados quando houver indicação médica.

Por outro lado, algumas medidas fazem diferença para o funcionamento adequado do sistema imunológico. Manter a vacinação em dia, oferecer uma alimentação equilibrada, garantir boas noites de sono, estimular atividades ao ar livre e incentivar hábitos simples, como a higiene das mãos, ajudam a reduzir o risco de infecções e contribuem para a saúde da criança.

Quando procurar um especialista?

O pediatra é o primeiro profissional responsável por avaliar esse quadro. A partir da consulta, ele analisa o histórico da criança, acompanha seu crescimento e verifica se a frequência e as características das infecções estão dentro do esperado para a idade.

Quando existem sinais que sugerem alguma alteração do sistema imunológico, o pediatra pode indicar uma avaliação com um imunologista pediátrico para investigar o caso de forma mais detalhada.

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Mais importante do que contar quantas gripes a criança teve

É natural que pais e responsáveis se preocupem quando o filho adoece várias vezes ao longo do ano. No entanto, a quantidade de infecções, sozinha, não define se existe um problema de imunidade.

Observar como a criança cresce, se desenvolve, responde aos tratamentos e se recupera de cada episódio costuma fornecer informações muito mais importantes do que apenas o número de gripes ou resfriados. Com acompanhamento pediátrico regular, é possível diferenciar o que faz parte do desenvolvimento do sistema imunológico daquilo que realmente precisa de investigação.

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