Como saber se meu bebê tem problema no coração?
Saiba como o ecocardiograma fetal identifica problemas no coração do bebê ainda na gestação e quais sinais merecem atenção após o nascimento
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Problemas cardíacos em bebês podem gerar muita ansiedade nos pais, especialmente porque nem sempre os sinais são evidentes logo ao nascimento. As chamadas cardiopatias congênitas estão entre as malformações mais comuns na infância e podem variar de alterações leves até condições que exigem acompanhamento ou intervenção precoce.
Segundo o Ministério da Saúde, as cardiopatias congênitas afetam cerca de 30 mil bebês todos os anos no Brasil, e aproximadamente 40% dessas crianças necessitam de cirurgia ainda no primeiro ano de vida.
Os cardiologistas pediátricos são especialistas capacitados para diagnosticar, acompanhar e tratar problemas cardíacos desde os primeiros dias de vida. Muitas cardiopatias têm excelente evolução quando identificadas cedo e acompanhadas adequadamente.
Saber reconhecer os sinais de alerta e entender quando investigar é fundamental para garantir um diagnóstico rápido e um tratamento adequado. Continue lendo e entenda.
O que são cardiopatias congênitas? .
Cardiopatia congênita é uma alteração na estrutura ou no funcionamento do coração que já está presente desde o nascimento. Coordenadora do Setor de Cardiologia Pediátrica e Fetal das Unidades Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, São Caetano e Guarulhos, Dra. Tathiane Davoglio explica que as cardiopatias congênitas são originadas por desenvolvimento anormal do coração durante as primeiras 8 semanas de gestação.
“As cardiopatias congênitas englobam um espectro amplo, desde comunicações simples (CIV/CIA) até malformações complexas, muitas vezes necessitando de intervenção cirúrgica logo após o nascimento”, destaca.
A cardiologista aponta ainda que a incidência da cardiopatia congênita afeta cerca de 1 a cada 100 nascidos vivos no mundo (8 a 10 por 1.000). “No Brasil, estima-se que ocorram cerca de 29.000 a 30.000 novos casos por ano, sendo a malformação congênita mais comum e uma das principais causas de mortalidade infantil”, complementa Dra. Tathiane Davoglio.
O que causa cardiopatia congênita?
A origem das cardiopatias congênitas muitas vezes não é conhecida. No entanto, sabemos que alguns fatores genéticos e/ou ambientais podem contribuir para o aumento da incidência dessa condição:
- Idade materna avançada;
- Histórico familiar (pais ou irmãos com cardiopatia congênita);
- Doenças maternas como diabetes, doenças autoimunes, infecções virais (rubéola, citomegalovírus, alguns estados gripais mais graves);
- Consumo de substâncias (álcool, tabagismo, drogas ilícitas e alguns medicamentos);
- Fertilização in vitro;
- Síndromes genéticas como Trissomia do 21 (Síndrome de Down), Trissomia do 18 (Síndrome de Edwards) e outras malformações do feto podem contribuir para desenvolvimento da cardiopatia congênita.
Como saber se meu bebê tem problema no coração?
É possível identificar problemas no coração do bebê ainda durante a gestação através do exame chamado ecocardiograma fetal. “É um ultrassom especializado que permite avaliar detalhadamente a anatomia e funcionamento do coração do bebê. Pode ser realizado a partir das 18 semanas de gestação, mas o período ideal é entre 20 e 28 semanas. Após 30-32 semanas, o tamanho do bebê e a densidade óssea podem dificultar a avaliação”, explica a cardiologista.
Dra. Tathiane Davoglio ressalta ainda que o ecocardiograma fetal é considerado um exame obrigatório no pré-natal no Brasil, de acordo com a Lei 14.598/23, sancionada em junho de 2023. “O exame deve ser incluído na rotina de todas as gestantes, com o objetivo de detectar precocemente as cardiopatias congênitas.”
Quando uma cardiopatia congênita é diagnosticada antes do nascimento, a escolha do local onde o bebê nascerá faz toda a diferença. O planejamento cuidadoso do parto em uma unidade preparada, contando com UTI neonatal, equipe de cardiologia pediátrica, cirurgia cardiovascular e hemodinâmica é essencial para garantir o melhor início de vida para o bebê. Com isso o recém-nascido recebe a assistência adequada já nos primeiros minutos de vida, o que pode ser determinante para sua sobrevivência e qualidade de vida em longo prazo.
O teste do coraçãozinho, realizado ainda na maternidade, é uma triagem importante para detectar cardiopatias graves precocemente. Ele é obrigatório no Brasil, instituído pelo Ministério da Saúde, e deve ser realizado em todos os recém-nascidos (com mais de 34 semanas de idade gestacional) antes da alta hospitalar, preferencialmente entre 24 e 48 horas de vida.
“O exame é indolor, não invasivo, tecnicamente conhecido como oximetria de pulso, avalia a quantidade de oxigênio no sangue do bebê (saturação de oxigênio) para identificar possíveis cardiopatias congênitas críticas. Um sensor de oximetria (luz vermelha) é colocado na mão direita e em um dos pés do bebê, e compara a oxigenação entre a mão (pré-ductal) e o pé (pós-ductal) para detectar se há sangue com baixo oxigênio circulando, o que pode indicar problemas no coração ou grandes vasos”, detalha Tathiane.
“Apenas uma observação é que o teste é uma triagem. Se o resultado for alterado, o exame é repetido após uma hora e, se persistir, um ecocardiograma é solicitado para diagnóstico definitivo”, ressalta.
No entanto, nem todo bebê com cardiopatia congênita apresenta sintomas logo ao nascer; as cardiopatias simples podem ser assintomáticas por semanas ou meses. De acordo com a Dra. Tathiane Davoglio, os sintomas de cardiopatia congênita mais comumente no decorrer do tempo são:
- Sudorese excessiva;
- Infecções respiratórias de repetição;
- Baixo ganho de peso.
Já os recém-nascidos com cardiopatias graves mostram sinais e sintomas precoces como:
- Cianose (lábios/unhas roxos);
- Palidez cutânea;
- Respiração rápida (taquipneia);
- Cansaço intenso ao mamar;
- Hipotensão;
- Crise convulsiva podendo evoluir em alguns casos para morte.
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Geralmente em casos leves ou assintomáticos é possível ainda que uma cardiopatia congênita passe despercebida na infância e só seja diagnosticada na fase adulta. De Acordo com a Dra. Tathiane, os perigos incluem insuficiência cardíaca, arritmias, hipertensão pulmonar, AVC e morte súbita.
“O diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas é fundamental para permitir o planejamento do tratamento (cirúrgico ou clínico) antes que o bebê apresente descompensação grave, aumentando significativamente as chances de sobrevivência e garantindo melhor qualidade de vida”, alerta.
Nem todas as cardiopatias exigem cirurgia. A necessidade de intervenção cirúrgica depende do tipo, da gravidade e da evolução da doença. Algumas cardiopatias congênitas simples podem se resolver sozinhas ou exigem apenas acompanhamento médico. No entanto, em casos graves, o tratamento cirúrgico ou por cateterismo é essencial e deve ser precoce.
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Detectar a malformação ainda na gestação (pré-natal com ecocardiograma fetal) permite definir o local ideal para o parto e agilizar intervenções necessárias nas primeiras horas de vida, especialmente em casos complexos.
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