Febre do Nilo Ocidental e Dengue: como diferenciar os sintomas?

Sintomas como febre, dor de cabeça e dores no corpo são muito comuns e podem aparecer em diferentes doenças transmitidas por mosquitos. Deste modo, é normal ter dificuldade em saber quais sintomas podem indicar Febre do Nilo Ocidental, dengue ou outro tipo de doença ou infecção.
- A diferença entre a Febre do Nilo Ocidental e a Dengue está no mosquito transmissor, ciclo do vírus e nas complicações que cada doença pode gerar.
- Segundo o Ministério da Saúde, ambas são chamadas de arboviroses (infecções causadas por mosquitos).
- Apesar de terem manifestações semelhantes, existem características que permitem diferenciar claramente essas doenças.
- Avaliação médica é fundamental para confirmar as suspeitas, entender o quadro e quais cuidados devem ser feitos para o sucesso do tratamento.
Febre do Nilo e Dengue: quais as diferenças?
A Febre do Nilo Ocidental é transmitida pelo mosquito do gênero Culex (o pernilongo comum). O ciclo principal envolve mosquitos e aves; cavalos e humanos são infectados por acaso e não passam adiante o vírus para novos mosquitos.
Já a Dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O ciclo principal do mosquito acontece em locais com água parada, algo comum em períodos quentes e chuvosos.
Apesar das duas doenças serem causadas por vírus transmitidos por mosquitos, elas possuem diferenças na maneira como se apresentam.
Sintomas da Febre do Nilo Ocidental
Cerca de 80% das pessoas infectadas pela Febre do Nilo Ocidental não apresentam sintomas. Estima-se que 20% das pessoas apresentem sintomas mais leves. Entre os principais sintomas estão:
- Febre aguda de início repentino;
- Dor de cabeça;
- Dor muscular;
- Diarreia;
- Náuseas e vômitos;
- Dor nos olhos.
Problemas e sintomas mais graves são mais raros, chegando a 1%, mas podem acontecer quadros de encefalite, fraqueza muscular, meningite e paralisia.
Sintomas da Dengue
A Dengue costuma apresentar sintomas mais severos, como febre alta abrupta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores fortes nas articulações e no corpo, náuseas e vômitos, manchas vermelhas na pele. Os quadros mais graves de Dengue podem evoluir para hemorragias e choque.
Os sintomas da Dengue costumam aparecer de 4 a 7 dias após a picada do mosquito Aedes aegypti. Esses sintomas podem variar de pessoa para pessoa, podendo ser leves, moderados e graves.
Em ambas as doenças, é importante consultar o médico infectologista ou clínico geral para o diagnóstico correto e tratamento adequado, o que evita complicações.
Como diferenciar os sintomas da Febre do Nilo Ocidental e da Dengue?
A observação e diferenciação dos sintomas da Febre do Nilo Ocidental e da Dengue não descarta a avaliação médica, mas algumas combinações podem indicar possibilidade de uma das doenças.
Dor atrás dos olhos e febre alta
A combinação entre dores atrás dos olhos, dor no corpo, dor de cabeça e febre alta é muito comum em casos de Dengue, mas a junção desses sintomas não é o suficiente para confirmar o quadro e não dispensa avaliação médica.
Manchas vermelhas pelo corpo
O surgimento de manchas vermelhas na pele pode acontecer tanto na Febre do Nilo Ocidental quanto na Dengue. Somente a observação no aparecimento das manchas não permite diferenciar as duas doenças.
Sintomas neurológicos
Na Febre do Nilo Ocidental, é importante estar atento aos sinais de comprometimento neurológico. Alterações e confusões no estado mental, dificuldade para se movimentar, fraqueza muscular, convulsões e outros sintomas neurológicos exigem avaliação médica imediata.
E quando pode ser Dengue grave?
Na Dengue, a melhora da febre não significa que o quadro foi controlado. Entre o 3º e o 7º dia da doença, podem surgir sinais de agravamento da doença. Sinais de:
- Vômitos persistentes;
- Dificuldade para respirar;
- Dor abdominal contínua e intensa;
- Sangramento pelo nariz, gengiva e outras regiões;
- Sensação de desmaio ou tontura.
Esses sinais podem indicar evolução para Dengue grave e exigem atendimento médico rápido.
Diagnósticos da Febre do Nilo e Dengue
Os sintomas iniciais são semelhantes, o que pode dificultar a diferenciação clínica. Para o diagnóstico da Febre do Nilo Ocidental, o médico pode solicitar RT-PCR (no líquor ou no sangue) e sorologia (ELISA para anticorpos IgM).
Um dos maiores desafios é a chamada reação cruzada, ou seja, testes para Febre do Nilo podem reagir em testes de dengue, zika e febre amarela, o que pode gerar confusão. Nesses casos, testes mais complexos são necessários para confirmação do caso.
O diagnóstico da Dengue é feito por testes específicos de RT-PCR (nos primeiros dias de sintomas), teste de Antígeno NS1 ou sorologia IgM/mg após o sexto dia. A contagem de plaquetas e de hematócrito no hemograma também ajudam a avaliar a gravidade do quadro.
Tratamento da Febre do Nilo e da Dengue
Para ambos os quadros, não existe um tratamento antiviral específico.
A diferença é que, para Febre do Nilo Ocidental, não existe vacinação aprovada para humanos, já a Dengue possui vacinação liberada.
Para a Febre do Nilo Ocidental, nos casos leves, são indicados hidratação, repouso e controle térmico para os casos leves repetidos. Nos casos graves de neuroinfecção, é necessária a internação hospitalar e, dependendo do quadro, suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Para os quadros de Dengue, o tratamento pode ser feito com hidratação rigorosa via oral ou venosa, conforme o quadro, além do uso de analgésicos e antitérmicos que devem ser usados de acordo com a prescrição médica.
Na Rede D’Or, você encontra profissionais especializados que podem orientar o melhor tratamento para o quadro.