Teste do coraçãozinho: o que detecta, quando é feito e por que é essencial para o bebê

O teste do coraçãozinho é um exame neonatal feito entre 24 e 48 horas após o nascimento para identificar cardiopatias congênitas graves por meio da medição da saturação de oxigênio no sangue do bebê. O exame é rápido, indolor e fundamental para o diagnóstico precoce, aumentando as chances de tratamento e reduzindo o risco de complicações graves.
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que aproximadamente 130 milhões de crianças em todo o mundo vivam com algum tipo de cardiopatia congênita. No Brasil, estima-se que cerca de 29 mil crianças nasçam todos os anos com esse diagnóstico.
Segundo a SBC, cerca de 80% dessas crianças necessitam de cirurgia cardíaca, e em metade dos casos o procedimento é indicado ainda no primeiro ano de vida. Aproximadamente 6% dos bebês não chegam a completar essa idade, o que reforça a importância da detecção precoce.
O que é o teste do coraçãozinho?
O teste do coraçãozinho é o nome popular da oximetria de pulso neonatal, um exame de triagem que avalia a oxigenação do sangue do recém-nascido. A partir da medição da saturação de oxigênio, é possível identificar alterações que podem indicar problemas cardíacos ou circulatórios.
Cardiologista especializada em cardiopatias congênitas, Dra. Vivian De Biase explica que o exame é realizado nas primeiras horas de vida, do nascimento até a alta hospitalar.
Como é feito o teste do coraçãozinho?
O exame é feito com um sensor colocado na pele do bebê, geralmente:
- na mão direita;
- em um dos pés.
“Nesse exame é medida a saturação de oxigênio das extremidades, mãos e pés. Ou seja, a quantidade de oxigênio que é detectada no sangue. É um exame completamente indolor e sem causar nenhum tipo de incomodo ao recém-nascido”, descreve Dra. Vivian, que também é membro da equipe de Cardiologia do Hospital São Luiz Morumbi, em São Paulo.
Para que serve o teste do coraçãozinho?
O teste do coraçãozinho serve para identificar precocemente doenças cardíacas graves presentes desde o nascimento, conhecidas como cardiopatias congênitas.
Essas condições podem comprometer a circulação sanguínea e reduzir a oxigenação do organismo, exigindo acompanhamento especializado ou intervenção imediata.
O que o teste do coraçãozinho detecta?
Entre as alterações que podem ser detectadas no teste do coraçãozinho estão:
- Mistura entre o sangue venoso e arterial;
- Alterações vasculares que também prejudicam a oferta de oxigênio nas extremidades;
- Alterações em válvulas cardíacas que prejudicam o fluxo sanguíneo;
- Alterações nos níveis de oxigênio no sangue.
“O oxigênio é fundamental para o funcionamento e desenvolvimento adequado das células e dos órgãos, e a falta dele pode acarretar problemas sérios de desenvolvimento e funcionalidade”, detalha Dra. Vivian De Biase.
Muitas dessas doenças não apresentam sinais logo após o nascimento, tornando o teste do coraçãozinho essencial para o diagnóstico precoce.
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Quando fazer o teste do coraçãozinho?
O teste do coraçãozinho deve ser realizado:
- entre 24 e 48 horas de vida;
- antes da alta da maternidade.
O exame precisa ser repetido?
Em alguns casos, sim.
“Se o resultado for considerado uma alteração limítrofe, com uma saturação de oxigênio entre 90-94%, por exemplo, ou se houver dúvida na interpretação do exame, ele deve ser repetido rapidamente uma hora após o primeiro teste. Pode ser repetido duas vezes além da testagem inicial”, ressalta Vivian.
Se a alteração persistir, o bebê pode ser encaminhado para avaliação com um cardiopediatra e exames complementares.
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Por que o teste do coraçãozinho é tão importante?
O teste do coraçãozinho é uma triagem neonatal fundamental porque muitas cardiopatias congênitas graves não apresentam sintomas ao nascimento.
A identificação precoce ajuda a acelerar o diagnóstico e aumenta as chances de um tratamento bem-sucedido.
A Dra. Vivian De Biase explica que muitas vezes o ecocardiograma (ultrassom do coração) não está disponível imediatamente ao nascimento da criança, e o teste do coraçãozinho consegue desempenhar um papel fundamental no rastreio de malformações cardíacas potencialmente graves, antecipando sua investigação inicial e diagnóstico.
“O teste do coraçãozinho não substitui exames cardiológicos específicos para o diagnóstico de cardiopatias congênitas, como o ecocardiograma ou o eletrocardiograma”, destaca.
Com o diagnóstico precoce, é possível:
- identificar alterações cardíacas rapidamente;
- encaminhar o bebê para avaliação com cardiopediatra;
- solicitar exames complementares;
- iniciar tratamento de forma precoce;
- reduzir o risco de complicações graves ou óbito.
“O recém-nascido passará por essa avaliação no momento da descoberta do teste alterado”, ressalta Dra. Vivian.
O que acontece se o teste do coraçãozinho der alterado?
Quando o resultado do teste do coraçãozinho apresenta alteração, o bebê pode precisar repetir o exame ou realizar exames complementares, como ecocardiograma e eletrocardiograma.
A investigação permite confirmar ou descartar cardiopatias congênitas e definir a necessidade de tratamento ou acompanhamento especializado.
Nem todo resultado alterado significa uma doença grave, mas a avaliação médica é essencial.
É possível detectar problemas cardíacos no bebê antes do teste do coraçãozinho?
Sim. Alguns problemas cardíacos podem ser suspeitados antes mesmo do teste do coraçãozinho, na realização do ecocardiograma fetal.
Esse exame é um ultrassom especializado que avalia a estrutura e o funcionamento do coração do bebê ainda no útero.
“O ecocardiograma fetal é um ultrassom do coração do feto, enquanto ele ainda está no útero da mãe, realizado preferencialmente entre a 24ª e 28ª semana de gestação, ou antes se houver alguma alteração já visualizada no ultrassom tradicional”, aponta a Dra. Vivian.
O exame permite diagnosticar malformações cardíacas ainda no período gestacional, possibilitando planejamento do parto, acompanhamento especializado e definição precoce do tratamento.
Mesmo assim, nem todas as cardiopatias são detectadas durante a gravidez. Por isso, o teste do coraçãozinho continua sendo indispensável após o nascimento.
Perguntas frequentes sobre teste do coraçãozinho
Para que serve o teste do coraçãozinho?
Serve para identificar cardiopatias congênitas graves e alterações na oxigenação do sangue do recém-nascido.
Quando é feito o teste do coraçãozinho?
O exame deve ser realizado entre 24 e 48 horas após o nascimento, antes da alta da maternidade.
O teste do coraçãozinho dói?
Não. É um exame rápido, simples e indolor.
Todo bebê precisa fazer o teste do coraçãozinho?
Sim. O exame é recomendado para todos os recém-nascidos como parte da triagem neonatal.
O teste do coraçãozinho substitui outros exames?
Não. Ele é uma triagem inicial e não substitui exames como ecocardiograma ou eletrocardiograma.
Resultado alterado no teste do coraçãozinho significa doença?
Nem sempre. O resultado alterado indica a necessidade de investigação complementar.
Teste do coraçãozinho: um cuidado essencial desde os primeiros dias de vida
O teste do coraçãozinho representa um dos primeiros passos na proteção da saúde cardiovascular do bebê. Simples, rápido e seguro, ele pode fazer diferença no diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas e no início do tratamento no momento certo.
Garantir a realização desse exame é um direito do recém-nascido e um cuidado fundamental para um começo de vida mais seguro.
Confie nos especialistas da Rede D’Or para um acompanhamento completo, do diagnóstico ao tratamento.
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