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Vitamina B12 em excesso pode causar câncer?

Entenda o que os especialistas dizem sobre níveis elevados de vitamina B12, suplementação e possível relação com o câncer.

A vitamina B12 é um nutriente essencial para o funcionamento adequado do organismo. Também conhecida como cobalamina, ela participa de processos fundamentais como a formação das células sanguíneas, a manutenção do sistema nervoso e a síntese do DNA, material genético presente em todas as células do corpo.

Como o organismo não produz vitamina B12 em quantidades suficientes, sua obtenção depende principalmente da alimentação, sobretudo por meio de alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leite e derivados.

Em algumas situações, porém, a suplementação pode ser necessária, principalmente em idosos, pessoas com doenças que afetam a absorção intestinal (como gastrite atrófica ou anemia perniciosa) e indivíduos que seguem dietas restritivas, como vegetarianos estritos.

Nos últimos anos, o aumento do uso de suplementos vitamínicos fez surgir dúvidas sobre os possíveis riscos do consumo excessivo desse nutriente. Entre elas, uma das mais frequentes é se existe relação entre vitamina B12 e câncer.

Vitamina B12 em excesso pode causar câncer?

Com base nas evidências científicas disponíveis até o momento, não há comprovação de que o excesso de vitamina B12 cause câncer diretamente. O que os estudos mostram é uma relação mais complexa e, em muitos casos, indireta.

O que os estudos mostram?

Uma das hipóteses discutidas na literatura médica é que níveis elevados de vitamina B12 podem funcionar como um marcador biológico de doenças já existentes, incluindo alguns tipos de câncer, e não necessariamente como causa dessas doenças.

Alguns tumores podem alterar proteínas envolvidas no transporte e metabolismo da vitamina B12, como a transcobalamina e a haptocorrina. Isso pode levar ao aumento dos níveis séricos da vitamina, fazendo com que a elevação da B12 seja, em certos casos, um sinal indireto de uma doença já instalada.

Além disso, estudos observacionais sugerem uma possível associação em formato de “curva em U”, na qual tanto níveis baixos quanto níveis elevados de vitamina B12 estariam associados a maior risco de desfechos adversos, incluindo câncer. No entanto, esse tipo de estudo não permite estabelecer relação de causa e efeito.

Uma pesquisa publicada em 2025 no Vietnã observou essa associação em análise populacional, mas, por se tratar de estudo observacional, não é possível concluir que a vitamina B12 cause câncer.

Por esse motivo, em muitos casos, níveis elevados de vitamina B12 podem ser consequência de doenças subjacentes e não sua causa.

Por que essa relação é tão estudada?

A vitamina B12 é essencial para a síntese e reparo do DNA e participa diretamente da divisão celular. Em condições normais, essas funções são fundamentais para a renovação dos tecidos e a manutenção da saúde.

Teoricamente, em um ambiente propício ao crescimento tumoral, alterações metabólicas envolvendo vitaminas e vias de proliferação celular poderiam influenciar o comportamento de células já alteradas. No entanto, até o momento, não há evidência científica de que níveis elevados de vitamina B12 por si só estimulem o desenvolvimento de câncer.

Por outro lado, a deficiência de vitamina B12 também é prejudicial, podendo comprometer a síntese de DNA e favorecer instabilidade genética e acúmulo de alterações celulares ao longo do tempo.

Confira: Carcinogênese: como as células se tornam cancerígenas

Então, devo me preocupar com a suplementação?

Até o momento, não existem evidências robustas de que a suplementação de vitamina B12, quando indicada de forma adequada por um profissional de saúde, aumente o risco de câncer em pessoas saudáveis.

O principal cuidado recomendado é evitar o uso de megadoses sem indicação clínica. O mais importante é manter níveis adequados da vitamina, evitando tanto a deficiência quanto excessos persistentes sem investigação.

Excesso de vitamina B12 faz mal?

De modo geral, a vitamina B12 é considerada segura e a toxicidade é rara. Por ser uma vitamina hidrossolúvel, o excesso costuma ser parcialmente eliminado pela urina, o que reduz o risco de acúmulo significativo no organismo, especialmente quando comparada a vitaminas lipossolúveis como A, D, E e K.

No entanto, a suplementação sem necessidade pode dificultar a interpretação de exames laboratoriais e atrasar a investigação de possíveis doenças associadas a níveis elevados da vitamina.

Além disso, níveis muito altos de vitamina B12 no sangue podem estar associados a sintomas inespecíficos, como erupções cutâneas, acne, cefaleia, náuseas, desconforto gastrointestinal, diarreia, fadiga e fraqueza, embora esses sintomas não sejam específicos e nem sempre tenham relação causal direta com a vitamina.

Vitamina B12 alta: o que significa?

Entre as causas mais comuns de níveis elevados de vitamina B12, estão:

  • Uso de suplementos vitamínicos
  • Aplicações injetáveis de vitamina B12
  • Doenças hepáticas, como hepatites e cirrose
  • Doenças renais
  • Doenças hematológicas, como algumas leucemias e síndromes mieloproliferativas
  • Processos inflamatórios crônicos
  • Alguns tipos de câncer

Por esse motivo, a interpretação da dosagem de vitamina B12 deve ser sempre feita por um médico, levando em conta o contexto clínico, sintomas e outros exames laboratoriais.

Vitamina B12 e câncer de pulmão: existe relação?

Até o momento, estudos epidemiológicos identificaram uma associação estatística entre níveis elevados de vitamina B12 e câncer de pulmão, mas não demonstraram relação de causa e efeito.

Um estudo publicado em 2017 no Journal of Clinical Oncology observou associação entre o uso prolongado de altas doses de vitaminas do complexo B, incluindo vitamina B12, e maior risco de câncer de pulmão em homens. Essa associação foi mais evidente em fumantes, que já apresentam um dos principais fatores de risco para a doença.

No entanto, esses resultados não comprovam que a vitamina B12 cause câncer, apenas que pode haver uma correlação em determinados contextos clínicos.

Por isso, o uso de suplementos deve sempre ser orientado por profissional de saúde, e fumantes ou ex-fumantes devem manter acompanhamento médico regular para prevenção e detecção precoce do câncer de pulmão.

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Quando investigar um exame de vitamina B12 alterado?

A investigação costuma ser indicada quando níveis elevados de vitamina B12 persistem sem explicação aparente, especialmente em pessoas que não utilizam suplementação.

Situações que podem justificar investigação incluem:

  • Níveis persistentemente elevados em exames repetidos
  • Ausência de suplementação que explique o resultado
  • Alterações em outros exames laboratoriais
  • Sintomas sem causa definida
  • Histórico de doenças hepáticas, renais ou hematológicas

E quando a vitamina B12 está baixa?

A deficiência de vitamina B12 também é clinicamente relevante. Quando não tratada, pode causar anemia megaloblástica, alterações neurológicas e outros sintomas sistêmicos.

A investigação é especialmente importante em pessoas com:

  • Dietas vegetarianas ou veganas sem suplementação
  • Doenças que prejudicam a absorção intestinal
  • Cirurgias bariátricas ou ressecções gástricas/intestinais
  • Uso prolongado de medicamentos como metformina ou inibidores de bomba de prótons
  • Sintomas como fadiga, fraqueza, formigamentos e alterações cognitivas

Quais exames podem complementar a investigação?

Dependendo do caso, o médico pode solicitar exames adicionais para esclarecer a causa da alteração dos níveis de vitamina B12, como:

  • Hemograma completo
  • Função hepática
  • Função renal
  • Marcadores inflamatórios
  • Ácido metilmalônico e homocisteína, que ajudam a avaliar a real atividade metabólica da vitamina B12

A escolha dos exames deve sempre ser individualizada, de acordo com o contexto clínico do paciente.

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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