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Quem tem fibrilação atrial pode fazer exercício físico?

Descubra quais exercícios são seguros para quem tem fibrilação atrial, os benefícios da atividade física e quando interromper o treino
Dr. Nilson Araujo
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Na maioria dos casos, quem tem fibrilação atrial pode fazer exercício físico. Quando orientada pelo cardiologista, a atividade física faz parte do tratamento e pode ajudar a melhorar o condicionamento físico, controlar fatores de risco cardiovasculares e aumentar a qualidade de vida.

No entanto, a prática deve ser individualizada. O tipo de exercício, a intensidade e a frequência precisam levar em consideração fatores como o controle da arritmia, a presença de outras doenças cardiovasculares e o uso de medicamentos, como os anticoagulantes.

A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca sustentada mais comum no mundo. Segundo o Relatório do Comitê Conjunto de Diretrizes de Prática Clínica do Colégio Americano de Cardiologia (ACC) e da Associação Americana do Coração (AHA), sua incidência e prevalência vêm crescendo globalmente, principalmente devido ao envelhecimento da população e ao aumento de fatores de risco como obesidade, hipertensão arterial e diabetes.

Neste artigo, você vai entender se quem tem fibrilação atrial pode fazer exercício físico, quais atividades costumam ser mais indicadas, quando o exercício deve ser evitado, quais cuidados tomar antes e durante a prática e quais sinais exigem avaliação médica.

O que é fibrilação atrial?

A fibrilação atrial é uma arritmia cardíaca caracterizada por uma alteração na atividade elétrica dos átrios, as duas câmaras superiores do coração. Em vez de se contraírem de forma organizada, os átrios passam a apresentar impulsos elétricos desordenados, fazendo com que os batimentos cardíacos fiquem rápidos e irregulares.

Essa alteração compromete a eficiência do bombeamento do sangue e aumenta o risco de formação de coágulos dentro do coração. Se esses coágulos se desprenderem, podem obstruir a circulação em outros órgãos, aumentando o risco de complicações graves, como o acidente vascular cerebral (AVC).

O cardiologista Dr. Nilson Araujo, coordenador do Laboratório de Eletrofisiologia da Rede D’Or no Rio de Janeiro, explica que a fibrilação atrial se manifesta inicialmente por surtos de taquicardia irregular que levam à contração ineficaz de uma parte do coração.

“Os átrios são primordialmente responsáveis por controlar a frequência cardíaca. Esses surtos se tornam cada vez mais frequentes levando ao crescimento do coração e à progressiva piora da função cardíaca, acarretando cansaço, sensação de palpitação e possibilidade de formação de coágulos no coração que podem se desprender e levar a eventos tromboembólicos, como um AVC, por exemplo”, descreve e o cardiologista.

Sem o tratamento adequado, a fibrilação tende a se tornar permanente, dificultando o retorno ao ritmo normal do coração e aumentando o risco de complicações cardiovasculares.

Entre as principais complicações estão:

Como é feito o tratamento da fibrilação atrial?

O tratamento depende das características de cada paciente e tem como objetivos controlar os sintomas, reduzir o risco de complicações e melhorar o bem-estar.

As opções terapêuticas podem incluir:

  • medicamentos para controle da frequência cardíaca;
  • medicamentos antiarrítmicos;
  • anticoagulantes para reduzir o risco de AVC;
  • mudanças no estilo de vida;
  • controle de fatores de risco, como obesidade, hipertensão arterial e apneia do sono;
  • ablação por cateter, quando indicada.

“O tratamento é feito com medicação antiarrítmica, anticoagulantes e, em alguns casos, a ablação, na qual através de um procedimento de cateterismo o médico localiza e cauteriza os focos arritmogênicos, levando a um controle muito mais eficaz da doença”, complementa o cardiologista.

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O que causa fibrilação atrial?

A fibrilação atrial tem origem multifatorial. Isso significa que diferentes fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

Entre os principais estão:

  • envelhecimento;
  • hipertensão arterial;
  • obesidade;
  • diabetes;
  • apneia obstrutiva do sono;
  • doenças das válvulas cardíacas;
  • predisposição genética;
  • consumo excessivo de álcool;
  • tabagismo;
  • sedentarismo.

Controlar esses fatores reduz o risco de progressão da doença e melhora os resultados do tratamento, especialmente quando associado à prática regular de exercícios físicos orientados.

Quem tem fibrilação atrial pode fazer exercício físico?

Sim. Na maioria dos casos, quem tem fibrilação atrial pode fazer exercício físico, desde que a prática seja orientada pelo cardiologista e adaptada às características de cada paciente.

Longe de ser um fator de risco, a atividade física faz parte do tratamento da fibrilação atrial para muitos pacientes. Quando realizada de forma regular e segura, ela contribui para melhorar o condicionamento cardiorrespiratório, controlar fatores de risco cardiovasculares e aumentar a qualidade de vida.

A recomendação, porém, não é a mesma para todos. Antes de iniciar ou retomar uma rotina de exercícios, é importante avaliar se a arritmia está controlada, quais medicamentos estão sendo utilizados e se há outras doenças associadas, como insuficiência cardíaca, hipertensão arterial ou doença arterial coronariana.

Segundo o cardiologista Dr. Nilson Araujo, os benefícios da atividade física para pessoas com fibrilação atrial já estão bem estabelecidos. “Está bastante comprovado o efeito benéfico de atividades físicas no controle de diversas doenças cardiovasculares.”

Além de melhorar o condicionamento físico, os exercícios ajudam no controle da obesidade, da pressão arterial, do diabetes e da apneia obstrutiva do sono — fatores que aumentam o risco de desenvolvimento e progressão da fibrilação atrial.

“Mesmo pacientes com fibrilação atrial permanente podem se beneficiar de um esquema de exercícios de reabilitação cardiovascular, ajudando na melhora do cansaço”, ressalta Dr. Araújo.

Pacientes que utilizam medicamentos anticoagulantes devem evitar esportes de contato ou propensos a trauma.

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Como o exercício físico ajuda a controlar a fibrilação atrial?

A prática regular de exercícios promove uma série de adaptações benéficas para o sistema cardiovascular.

Entre os principais benefícios estão:

  • melhora do condicionamento físico;
  • redução da frequência cardíaca em repouso;
  • controle da pressão arterial;
  • redução do excesso de peso;
  • melhora da capacidade funcional;
  • redução da inflamação sistêmica;
  • melhor controle do diabetes;
  • melhora da qualidade do sono;
  • redução da progressão da fibrilação atrial;
  • melhora da qualidade de vida.

Estudos científicos mostram que pacientes fisicamente ativos tendem a apresentar menos episódios de fibrilação atrial e melhor resposta ao tratamento quando comparados aos sedentários.

“Atividades aeróbicas de moderada a intensa promovem diminuição da carga de fibrilação atrial por diversos mecanismos, sendo um deles o controle da obesidade”, afirma Dr. Araújo.

“Mesmo pacientes com fibrilação atrial permanente podem se beneficiar de um esquema de exercícios de reabilitação cardiovascular, ajudando na melhora do cansaço”, complementa.

Quais exercícios são mais indicados para quem tem fibrilação atrial?

De maneira geral, os exercícios aeróbicos de moderada intensidade são os mais recomendados para pessoas com fibrilação atrial. Essas atividades melhoram o condicionamento cardiorrespiratório e favorecem o controle dos fatores de risco cardiovasculares sem sobrecarregar o coração.

As modalidades mais indicadas costumam ser:

  • caminhada;
  • bicicleta;
  • natação;
  • hidroginástica;
  • dança;
  • corrida leve (quando liberada pelo cardiologista).

A escolha da atividade deve considerar a idade, o condicionamento físico, os sintomas apresentados, outras doenças existentes e o controle da arritmia.

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Quem tem fibrilação atrial pode caminhar todos os dias?

Sim. A caminhada costuma ser um dos exercícios mais recomendados para pessoas com fibrilação atrial. Além de ser uma atividade de baixo impacto, ajuda a melhorar o desempenho físico, auxilia no controle da pressão arterial e contribui para o controle do peso corporal.

Para quem está iniciando uma rotina de exercícios, a caminhada geralmente representa uma forma segura de aumentar gradualmente a capacidade cardiovascular, desde que haja orientação médica.

Quem tem fibrilação atrial pode fazer musculação?

Sim. A musculação também pode fazer parte da rotina de pacientes com fibrilação atrial, especialmente quando realizada com cargas adequadas e acompanhamento profissional.

O treinamento resistido ajuda a preservar a massa muscular, melhora a força, aumenta a autonomia nas atividades do dia a dia e complementa os benefícios dos exercícios aeróbicos.

Exercícios de fortalecimento muscular são atualmente recomendados como parte de um programa completo de saúde cardiovascular.

Quem tem fibrilação atrial pode correr?

Depende. Pacientes com fibrilação atrial controlada podem praticar corrida leve ou moderada quando houver liberação médica.

Já exercícios de alta intensidade ou competições de endurance exigem avaliação individualizada.

Segundo Dr. Nilson Araujo:

“No entanto, um cuidado deve ser tomado, atividades físicas muito intensas podem na verdade causar piora da fibrilação atrial. Em geral essas atividades não são praticadas por pessoas comuns, mas exercícios de alta performance como ciclismo competitivo podem ser prejudiciais.”

Exercícios muito intensos podem fazer mal?

Sim, em algumas situações.

Embora a atividade física seja benéfica para a maioria das pessoas com fibrilação atrial, exercícios de alta performance podem aumentar a ocorrência de episódios da arritmia em indivíduos predispostos.

Isso costuma ocorrer principalmente em atletas de endurance ou pessoas que treinam por longos períodos e com intensidade muito elevada.

O especialista acrescenta:

“As drogas antiarrítmicas também podem levar a uma piora da performance em atletas. Atletas de alta performance em geral se beneficiam de tratamentos invasivos de modo mais precoce, sendo uma das indicações de realização de ablação.”

Quem usa anticoagulante pode praticar esportes?

Sim, mas alguns cuidados são necessários.

Pacientes que utilizam anticoagulantes podem praticar atividade física, porém devem evitar esportes com alto risco de quedas ou traumas, pois esses medicamentos aumentam o risco de sangramentos em caso de acidentes.

Entre as modalidades que normalmente exigem maior cautela estão:

  • lutas;
  • futebol;
  • rugby;
  • artes marciais;
  • mountain bike em trilhas técnicas;
  • esportes radicais.

A decisão deve sempre ser individualizada e discutida com o cardiologista responsável pelo acompanhamento.

É preciso fazer exames antes de iniciar os exercícios?

Sim. Antes de aderir à prática esportiva, todo paciente com arritmia cardíaca deve passar por uma avaliação cardiológica prévia, não só para identificar comorbidades que podem estar associadas como para garantir que a fibrilação atrial está otimamente controlada e orientar a melhor prática de atividades físicas.

Os exames indicados variam conforme a idade, os sintomas, o histórico clínico e a presença de outras doenças. Entre os mais utilizados estão:

A partir dessa avaliação, o cardiologista poderá orientar a prática de exercícios com mais segurança e individualizar a prescrição da atividade física.

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Quais cuidados devem ser tomados antes e durante o exercício físico?

Embora a atividade física seja recomendada para a maioria dos pacientes com fibrilação atrial, alguns cuidados ajudam a tornar a prática mais segura.

As principais recomendações são:

  • realizar avaliação cardiológica antes de iniciar um programa de exercícios;
  • respeitar os limites do próprio corpo;
  • aumentar a intensidade dos treinos de forma gradual;
  • manter boa hidratação;
  • evitar exercícios durante episódios de febre ou doenças agudas;
  • seguir corretamente o tratamento prescrito;
  • monitorar a frequência cardíaca quando indicado;
  • interromper a atividade caso apareçam sintomas de alerta.

Segundo o cardiologista:

“Sempre praticar atividades físicas sob supervisão de profissional capacitado, de preferência inicialmente por um profissional de reabilitação cardiovascular, principalmente nos casos mais avançados.”

Outro cuidado importante é acompanhar a resposta do organismo ao exercício.

“Manter o controle da frequência cardíaca durante a atividade física também é importante, sendo recomendado o uso de frequencímetros.”

Para alguns pacientes, principalmente aqueles em programas de reabilitação cardiovascular, o monitoramento da frequência cardíaca pode ajudar a manter o exercício dentro da intensidade planejada.

Quando o exercício físico deve ser interrompido?

Durante a prática de atividade física, alguns sintomas podem indicar que o coração está sendo excessivamente sobrecarregado ou que a fibrilação atrial necessita de uma nova avaliação médica.

O exercício deve ser interrompido imediatamente caso surjam:

  • dor no peito;
  • falta de ar intensa ou desproporcional ao esforço;
  • tontura;
  • sensação de desmaio (lipotimia);
  • desmaio;
  • palpitações persistentes;
  • cansaço intenso ou diferente do habitual.

“Esses devem ser sinais de alerta de que o exercício deve ser interrompido e uma avaliação médica deve ser realizada”, orienta o médico.

Caso os sintomas persistam ou sejam intensos, é importante procurar atendimento médico imediatamente.

Perguntas frequentes sobre fibrilação atrial e exercício físico

Sim. Na maioria dos casos, a atividade física é recomendada, desde que seja liberada e orientada pelo cardiologista, considerando o controle da arritmia, a presença de outras doenças e os medicamentos utilizados.

Não existe um único exercício ideal para todos os pacientes.

Geralmente, exercícios aeróbicos de intensidade moderada, como caminhada, bicicleta e natação, costumam ser os mais recomendados. A escolha, porém, deve ser individualizada.

Sim, em algumas situações.

Exercícios de endurance ou atividades de alta performance podem favorecer o aparecimento ou a recorrência da fibrilação atrial em pessoas predispostas. Por isso, atletas e praticantes de exercícios intensos devem ser acompanhados por um cardiologista.

Sim. A avaliação cardiológica é recomendada antes de iniciar um programa de exercícios. Dependendo do caso, o médico pode solicitar exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico ou Holter para avaliar a segurança da prática esportiva.

Quando procurar um cardiologista?

Embora muitas pessoas com fibrilação atrial possam praticar exercícios físicos com segurança, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica antes ou durante a prática esportiva.

Procure um cardiologista se você:

  • apresentar palpitações frequentes;
  • sentir falta de ar aos esforços;
  • perceber batimentos cardíacos irregulares;
  • apresentar tonturas ou episódios de desmaio;
  • sentir dor no peito durante a atividade física;
  • tiver diagnóstico recente de fibrilação atrial e desejar iniciar uma rotina de exercícios;
  • estiver em uso de anticoagulantes e tiver dúvidas sobre quais esportes são seguros.

A avaliação especializada permite definir o tratamento mais adequado e orientar a prática de exercícios de forma individualizada.

Se você tem fibrilação atrial, apresenta palpitações, falta de ar ou batimentos cardíacos irregulares, agende uma avaliação com um cardiologista da Rede D’Or. O diagnóstico e o acompanhamento especializados são fundamentais para definir o tratamento mais adequado e orientar a prática segura de exercícios físicos.