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Insuficiência mitral: o que é, causas, sintomas e tratamento

Quando não tratada corretamente, pode evoluir para insuficiência cardíaca, uma condição que requer tratamento contínuo.
Por: Rede D'Or
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A insuficiência mitral é uma das doenças valvares mais comuns do coração. Essa condição ocorre quando a válvula mitral, responsável por controlar o fluxo sanguíneo entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo, não se fecha completamente. Como resultado, parte do sangue retorna para o átrio esquerdo, prejudicando a circulação e a eficiência do bombeamento cardíaco.

Segundo um estudo publicado no International Journal of Surgery Case Reports, a insuficiência mitral afeta cerca de 2% da população, com incidência crescente após os 65 anos. Ela é a segunda valvopatia mais tratada cirurgicamente, ficando atrás apenas da estenose aórtica.

Neste artigo, você entenderá as principais causas, sintomas, como é feito o diagnóstico e opções de tratamento para a insuficiência mitral. Continue lendo e saiba mais.

O que é a insuficiência mitral?

De acordo com o cardiologista Dr. Octávio Drummond Guina, que atua na rotina do serviço de clínica médica e da cardiologia do hospital SAMER Rede Dor em Resende (RJ), a insuficiência mitral (ou regurgitação mitral) é uma condição cardíaca em que a válvula mitral não se fecha adequadamente, fazendo que um pequeno volume do sangue retorne para o átrio esquerdo em vez de seguir o fluxo unidirecional normal para o ventrículo esquerdo.

A válvula mitral é composta por duas cúspides (ou folhetos) que se abrem e fecham para garantir que o sangue flua em apenas uma direção dentro do coração. Quando ocorre a insuficiência mitral, essa válvula não se fecha adequadamente, permitindo que o sangue volte para o átrio esquerdo.

Dependendo da gravidade, a insuficiência mitral pode ser classificada em leve, moderada e grave, podendo afetar o funcionamento do coração de diversas maneiras.

Aumento do volume de sangue sobrecarregando os átrios e ventrículos

O Dr. Octávio Drummond Guina descreve que como o sangue vaza de volta para o átrio esquerdo, este pode se dilatar devido ao aumento de volume de sangue, o que pode levar a um aumento da pressão na câmara. “Eventualmente, o ventrículo esquerdo também pode se dilatar para compensar o aumento de volume”, complementa.

Queda da eficiência da contração cardíaca

“Isso ocorre porque menos sangue é empurrado para a frente para o restante do corpo a cada batida, pois há o retorno de uma parte do sangue para o átrio”, esclarece o cardiologista.

Aumento da pressão do leito pulmonar

“O aumento da pressão no átrio esquerdo pode causar um aumento da pressão venosa pulmonar, levando à congestão pulmonar“, diz.

Risco maior de arritmias

“A dilatação do átrio esquerdo devido ao excesso de volume pode gerar arritmias como fibrilação atrial, que é um fator de risco importante para o acidente vascular cerebral“, ressalta.

Comprometimento do fluxo de sangue para o organismo

“Considerando o refluxo e a sobrecarga do ventrículo esquerdo, pode haver um suprimento insatisfatório de sangue oxigenado para os órgãos e tecidos do corpo”, atesta.

Causas da insuficiência mitral

Dr. Guina enfatiza que a insuficiência mitral pode ser adquirida ou congênita. “A insuficiência mitral adquirida se desenvolve ao longo do tempo, geralmente devido a danos, alterações ou doenças que afetam a estrutura e a função da válvula mitral após o nascimento. Já no caso da insuficiência mitral congênita, as alterações da válvula estão presentes no nascimento e resultam de anomalias no desenvolvimento da válvula durante a gestação”, afirma.

Na insuficiência mitral adquirida as causas mais comuns são:

Doença cardíaca reumática

A doença reumática pode surgir após infecções de garganta causadas por bactérias estreptocócicas. Com o tempo, essas infecções podem deixar cicatrizes na válvula do coração, afetando seu funcionamento.

Degeneração mixomatosa

Nessa condição, o tecido da válvula mitral se torna mais frágil e alongado, o que pode comprometer seu fechamento adequado. Esse problema é mais comum com o avanço da idade.

Infarto

A isquemia (falta de oxigenação e de nutrição adequadas) secundária ao infarto pode danificar os músculos que suportam a válvula mitral, comprometendo sua função.

Endocardite infecciosa

A endocardite infecciosa é uma infecção potencialmente grave que pode danificar as estruturas valvares.

Prolapso da válvula mitral

Embora geralmente o prolapso da válvula mitral seja uma condição congênita, pode evoluir ao longo dos anos e causar insuficiência mitral em estágios mais avançados da vida.

Na insuficiência mitral congênita as causas mais comuns são:

  • defeitos congênitos que afetam a estrutura das válvulas do coração ou os tecidos ao redor delas;
  • síndromes genéticas que influenciam o desenvolvimento normal das válvulas cardíacas.

“São doenças mais específicas em que a atuação de um cardiopediatra é preferível”, frisa Dr. Guina.

Sintomas da insuficiência mitral

Os sintomas podem variar de acordo com a gravidade do problema. Na maior parte das vezes, a insuficiência mitral é assintomática, ou seja, não apresenta sintomas. Porém, com o tempo, os sintomas podem se desenvolver e piorar à medida que a condição progride.

Os sintomas mais comuns da insuficiência mitral incluem:

  • Falta de ar (dispneia): “Este é um dos sintomas mais usuais, podendo ocorrer inicialmente durante atividades físicas e em estágios mais avançados também em repouso”, informa Dr. Guina.
  • Fadiga: “Devido à menor eficiência do bombeamento cardíaco, o sangue oxigenado pode não chegar adequadamente aos músculos e outros tecidos, causando cansaço constante”, destaca.
  • Tosse seca: “Frequentemente pior à noite ou quando deitado; pode ser um reflexo do aumento da pressão nas veias pulmonares”, alerta.
  • Palpitações: “Sensações de batimentos cardíacos rápidos ou irregulares, geralmente associados a arritmias, como a fibrilação atrial”, explica.
  • Inchaço nos pés e tornozelos (edema): “Pode ocorrer devido à retenção de fluidos causada pelo funcionamento inadequado do coração”, atesta.
  • Dor no peito: “Embora menos comum, algumas pessoas podem experienciar desconforto torácico”.

Nos casos mais graves, especialmente quando a insuficiência mitral não é tratada corretamente, pode evoluir para insuficiência cardíaca, uma condição que requer tratamento contínuo.

Diagnóstico da insuficiência mitral

O diagnóstico da insuficiência mitral envolve exames clínicos e de imagem. “O diagnóstico da insuficiência mitral é inicialmente clínico, isto é, envolve uma boa anamnese (entrevista clínica) e o exame físico do paciente”, afirma Dr. Guina.

Durante o exame clínico, o médico coleta um histórico completo dos sintomas, como falta de ar, palpitações, fadiga e inchaço. “É importante também revisar qualquer história prévia de doenças cardíacas, infecções ou condições como febre reumática“, enfatiza o cardiologista.

No que diz respeito aos exames complementares, o ecocardiograma é o principal aliado, pois oferece informações importantes sobre as condições da válvula mitral, além de ser amplamente disponível e de baixo custo.

Em alguns casos, o cardiologista aponta que o ecocardiograma transesofágico pode ser necessário para extrair mais informações das condições da válvula mitral. Outros exames como a ressonância cardíaca podem fornecer imagens detalhadas do coração e avaliar a função e estrutura em casos complexos.

Tratamento para insuficiência mitral

“O tratamento da insuficiência mitral deverá ser sempre individualizado, pois cada paciente encontra-se em um estágio da doença e possui suas particularidades, tais como outros problemas/condições de saúde, questões socioeconômicas e expectativas diferentes”, destaca Dr. Guina.

As opções de tratamento para a insuficiência mitral podem ser através de:

Mudanças no estilo de vida

O tratamento para insuficiência mitral sempre começa com mudanças no estilo de vida do paciente, de acordo com o Dr. Guina, com a aprovação do cardiologista assistente, a prática de atividades físicas é uma grande aliada, assim como a adoção de uma alimentação saudável, a perda de peso, o abandono do consumo de álcool, drogas e tabaco, além do controle da pressão arterial e dos níveis glicêmicos.

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Uso de medicamentos

“Dentre os medicamentos utilizados, algumas classes já são bem difundidas e fazem parte do arsenal no tratamento da insuficiência mitral, tais como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), betabloqueadores, diuréticos e anticoagulantes”, aponta.

Cirurgias

  • Reparos valvares transcateter: “Seu principal representante é o MitraClip, que pode ser uma opção minimamente invasiva para reparar mecanicamente a válvula mitral em pacientes que não são bons candidatos para cirurgia convencional”, explica Dr. Guina.
  • Reparação Valvar Mitral: “Sempre que possível, a reparação é preferencial pois preserva a válvula nativa e otimiza o resultado funcional a longo prazo”.
  • Substituição Valvar Mitral: “Indicada se a reparação não é viável. Envolve a substituição da válvula por uma prótese mecânica ou biológica. As válvulas mecânicas duram mais, mas requerem anticoagulação prolongada; já as biológicas têm menor durabilidade, mas não necessitam de anticoagulação crônica”, ressalta.

A cirurgia de troca de válvula mitral, como qualquer procedimento cirúrgico importante, possui riscos e complicações potenciais que podem ocorrer no período pós-operatório.

De acordo com o Dr. Guina, caso não seja tratada de maneira adequada, a insuficiência mitral pode evoluir para:

  • Insuficiência cardíaca: complicação na qual o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo;
  • Arritmias cardíacas: pode predispor à fibrilação atrial, aumentando o risco da ocorrência de acidente vascular cerebral e também contribui para o agravamento da insuficiência cardíaca;
  • Hipertensão pulmonar: o aumento crônico da pressão no átrio esquerdo pode acarretar aumento de pressão nos vasos pulmonares, levando à hipertensão pulmonar;
  • Maior suscetibilidade à ocorrência de endocardite infecciosa: pacientes com insuficiência mitral são mais suscetíveis a infecções nas válvulas cardíacas, uma condição que pode ser grave e requer tratamento imediato;
  • Síndrome de baixo débito cardíaco: queda da eficiência da contração cardíaca, entre outras condições.

A insuficiência mitral é uma condição que pode variar de leve a grave e exige acompanhamento médico regular. Nos casos mais avançados, o tratamento pode envolver cirurgias ou procedimentos minimamente invasivos para restaurar a função da válvula mitral.

Se você sente sintomas como fadiga, falta de ar ou palpitações, agende uma consulta com um cardiologista D’Or para avaliação. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença na qualidade de vida e no prognóstico dos pacientes com insuficiência mitral.