Insuficiência valvar cardíaca: o que é e quando se preocupar?
Insuficiência valvar cardíaca pode evoluir com o tempo. Saiba quais são os sintomas, quando a condição preocupa e quando procurar avaliação médica.
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A insuficiência valvar cardíaca é uma condição cardíaca relativamente comum e que costuma gerar muitas dúvidas. Em muitos casos, ela não causa sintomas imediatos, mas, dependendo da gravidade, pode evoluir e comprometer o funcionamento do coração.
Um estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia aponta que a doença valvar cardíaca atinge cerca de 2,5% da população mundial, com um crescimento significativo da incidência a partir dos 65 anos de idade.
Entender o que é a insuficiência valvar, suas causas, sintomas e formas de acompanhamento é fundamental para cuidar da saúde cardiovascular. Continue lendo e saiba o que é insuficiência valvar e se você deve se preocupar.
O que é insuficiência valvar cardíaca?
O coração possui quatro válvulas que funcionam como “portas”, garantindo que o sangue circule na direção correta.
Cardiologista do Hospital Vila Nova Star (SP), Dr. Francisco Magalhães explica que a insuficiência valvar ocorre quando uma dessas válvulas não se fecha completamente, permitindo que parte do sangue volte no sentido contrário, fenômeno conhecido como refluxo ou regurgitação. Esse esforço extra pode, ao longo do tempo, sobrecarregar o coração e levar a alterações na sua estrutura e função.
“Quando a válvula não se fecha adequadamente, ocorre refluxo de sangue, que pode levar à sobrecarga das câmaras cardíacas, dilatação do coração e, com o tempo, redução da eficiência e força do bombeamento, podendo evoluir para insuficiência cardíaca”, destaca o cardiologista.
Quais válvulas podem ser afetadas pela insuficiência valvar?
A insuficiência pode acometer qualquer válvula cardíaca, cada uma tem características próprias, mas todas compartilham o princípio do fechamento inadequado da válvula.
As válvulas do coração são:
- Válvula mitral;
- Válvula aórtica;
- Válvula tricúspide;
- Válvula pulmonar.
De acordo com o especialista em doenças valvares, as mais frequentemente afetadas pela insuficiência são as válvulas mitral e aórtica.
Quais as causas da insuficiência valvar?
As causas de insuficiência valvar variam conforme a válvula envolvida e a idade do paciente, mas, de acordo com o Dr. Francisco Magalhães, as principais causas incluem:
- Doenças degenerativas;
- Febre reumática;
- Infarto do miocárdio;
- Doenças congênitas;
- Dilatação do coração;
- Infecções das válvulas (endocardite).
A insuficiência valvar pode estar relacionada ainda a:
- Envelhecimento natural das válvulas;
- Doenças cardíacas prévias;
- Hipertensão arterial;
- Infecções, como a endocardite infecciosa;
- Doenças inflamatórias ou reumáticas.
Em alguns casos pode haver fatores genéticos envolvidos. “Certas alterações valvares podem ter componente genético, especialmente em doenças congênitas ou em condições como o prolapso da válvula mitral. Ter familiares com doenças valvares pode aumentar o risco”, afirma Dr. Magalhães.
Quais são os sintomas da insuficiência valvar? Devo me preocupar?
A insuficiência valvar pode ser assintomática por muitos anos, especialmente quando é leve, sendo detectada apenas em exames de rotina.
Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:
- Falta de ar;
- Cansaço aos esforços;
- Palpitações;
- Inchaço nas pernas;
- Tonturas ou desmaios.
A presença de sintomas geralmente indica progressão da doença e merece avaliação médica.
A insuficiência valvar se torna preocupante quando:
- Os sintomas aparecem;
- Há dilatação ou enfraquecimento do coração;
- O refluxo é classificado como moderado a grave.
Nesses casos, o acompanhamento médico deve ser rigoroso. Casos leves costumam apenas exigir acompanhamento regular. Casos moderados a graves podem levar à dilatação do coração, insuficiência cardíaca e maior risco de arritmias se não tratados adequadamente. Por isso, o acompanhamento com cardiologista é essencial, mesmo quando não há sintomas.
De acordo com o Dr. Francisco Magalhães, a insuficiência valvar pode aumentar o risco de:
- Insuficiência cardíaca;
- Arritmias, como fibrilação atrial;
- AVC, especialmente quando há formação de coágulos;
“O risco de morte existe principalmente nos casos graves e não tratados, ou quando surgem complicações importantes”, alerta.
Como a insuficiência valvar é diagnosticada?
“Um bom exame físico consegue detectar a maioria dos casos de insuficiência valvar. Mas o principal exame complementar é o ecocardiograma, que avalia o funcionamento das válvulas e do coração”, destaca Dr. Magalhães.
Outros exames podem incluir:
- Eletrocardiograma;
- Radiografia de tórax;
- Teste ergométrico;
- Ressonância magnética cardíaca;
- Tomografia cardíaca, em casos selecionados.
Como é o tratamento da insuficiência valvar?
O tratamento depende da gravidade e dos sintomas. O tratamento cirúrgico é indicado quando a insuficiência é grave ou causa prejuízo ao coração.
“Medicamentos nunca corrigem a válvula, eles apenas ajudam a controlar sintomas. A única forma de ‘curar’ uma insuficiência valvar severa, quando indicado, é com abordagem valvar por cirurgia ou transcateter”, destaca Dr. Francisco Magalhães.
Em casos iniciais o tratamento inclui:
- Acompanhamento clínico e exames periódicos;
- Controle rigoroso da pressão arterial;
- Uso de medicamentos para reduzir sintomas e proteger o coração;
Em casos mais avançados, procedimentos ou cirurgias valvares podem ser indicados, entre elas:
- Reparo da válvula, quando possível;
- Troca valvar, com prótese biológica ou mecânica.
“Hoje em dia vivemos uma grande evolução nos procedimentos minimamente invasivos ou transcateter, que surgem como uma ótima opção. A escolha de qual tratamento realizar (cirurgia ou transcateter) deve ser definida após detalhada avaliação cardiológica”, destaca o especialista.
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