Quem tem mais risco de AVC? Conheça os principais fatores de risco e como preveni-los

O acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como derrame, acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido ou quando um vaso sanguíneo cerebral se rompe. Como o cérebro depende do sangue para receber oxigênio e nutrientes, o atendimento rápido é fundamental para reduzir o risco de sequelas e outras complicações.
Dados da Sociedade Brasileira de AVC apontam que o acidente vascular cerebral é a segunda principal causa de morte no Brasil e no mundo.
Embora o risco de AVC aumente com a idade, ele não é um problema exclusivo de pessoas mais velhas. Alguns fatores podem aumentar significativamente a probabilidade de ter um AVC. Muitos deles podem ser prevenidos ou controlados.
Por isso, conhecer os fatores de risco é uma das principais etapas para proteger a saúde do cérebro e do coração. Continue lendo e saiba quem tem mais risco de AVC e como preveni-lo.
Quem tem mais risco de AVC?
Não existe apenas um perfil de pessoa com risco de AVC. O risco resulta da combinação de diversos fatores. De acordo com a Dra. Márcia Santos Neiva, coordenadora da equipe de Neurologia dos hospitais da Rede D’Or na regional do Distrito Federal, o AVC é mais prevalente em pessoas idosas, especialmente acima dos 60 anos, e naquelas que apresentam fatores de risco vascular.
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“Ele também pode ocorrer em pessoas mais jovens e, embora seja muito mais raro, até mesmo em crianças. Portanto, o AVC não é uma doença exclusiva da velhice. Ele acomete homens e mulheres de forma bastante semelhante, com uma discreta maior proporção entre as mulheres”, ressalta a neurologista.
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Quais são os principais fatores de risco que levam a um AVC?
Os fatores de risco podem ser divididos, de maneira geral, em modificáveis e não modificáveis.
Os principais fatores de risco modificáveis para o AVC incluem:
- Hipertensão arterial,
- Diabetes,
- Colesterol elevado,
- Obesidade,
- Tabagismo,
- Consumo excessivo de álcool,
- Algumas arritmias cardíacas,
- Sedentarismo,
- Estresse crônico.
“A hipertensão arterial é o principal fator de risco modificável associado ao AVC. No entanto, não podemos menosprezar os demais. Diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade e sedentarismo também têm grande importância, principalmente porque frequentemente estão associados entre si e à própria hipertensão”, alerta a especialista.
“A pressão elevada ao longo dos anos provoca lesões nos vasos sanguíneos e aumenta tanto o risco de AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria, quanto de AVC hemorrágico, provocado pelo rompimento de um vaso”, complementa.
Quanto maior o número de fatores de risco presentes e quanto pior o seu controle, maior tende a ser o risco cardiovascular e cerebrovascular.
“Hoje também sabemos que dormir poucas horas, apresentar um sono de má qualidade e ter apneia obstrutiva do sono podem aumentar o risco vascular”, complementa a especialista.
A idade e o histórico familiar são fatores de risco não modificáveis que também aumentam o risco de AVC. “As pessoas mais idosas devem estar especialmente atentas aos sinais de AVC, já que essa condição é mais frequente nessa população. No entanto, pessoas jovens e até crianças também podem sofrer um AVC”, ressalta Dra. Márcia Santos Neiva.
Em pessoas mais jovens, algumas causas são mais características e podem incluir:
- Doenças autoimunes,
- Alterações da coagulação sanguínea,
- Dissecção arterial,
- Outras condições específicas.
“Além disso, o uso de hormônios, especialmente de esteroides anabolizantes com finalidade estética, tem se tornado um fator de risco cada vez mais relevante para AVC, infarto e outros eventos trombóticos. Essa informação precisa estar muito clara para quem utiliza essas substâncias, inclusive quando seu uso ocorre sob prescrição médica com finalidade estética”, alerta Dra. Márcia.
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Quais hábitos de vida ajudam a prevenir o AVC?
A prevenção é uma das principais formas de reduzir o impacto do AVC, principalmente por meio do controle dos fatores de risco modificáveis. De acordo com a neurologista, as pessoas que apresentam menor risco de sofrer um AVC são justamente aquelas que cuidam dos fatores de risco vascular e mantêm hábitos de vida saudáveis.
Entre os principais hábitos de vida que ajudam a prevenir um AVC estão:
- Praticar atividade física regularmente,
- Não fumar,
- Evitar o consumo excessivo de álcool,
- Manter uma alimentação equilibrada,
- Dormir adequadamente,
- Cuidar da saúde mental,
- Controlar o estresse.
“Quando existem condições como hipertensão, diabetes ou colesterol elevado, é fundamental manter um controle rigoroso, com acompanhamento médico, uso correto das medicações e medidas não medicamentosas” destaca a médica.
Também são medidas fundamentais de prevenção ao AVC:
- Medir a pressão regularmente,
- Manter acompanhamento médico;
- Usar corretamente os medicamentos quando indicados.
Mesmo quando a pessoa já apresenta fatores de risco conhecidos, é possível reduzir de forma importante o risco de AVC. “Para isso, é fundamental manter esses fatores bem controlados, com uso adequado das medicações quando indicadas, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, acompanhamento médico periódico e cuidados com a saúde mental e o estresse”, aconselha Dra. Márcia.
Ter um fator de risco não significa necessariamente que a pessoa terá um AVC. A forma como esses fatores são controlados ao longo da vida faz uma grande diferença.
Como saber qual é o meu risco de AVC?
A avaliação do risco de AVC não deve ser feita apenas com base na idade ou em um único exame. O neurologista é o profissional responsável por avaliar o sistema nervoso e identificar possíveis alterações relacionadas ao risco de AVC.
Durante uma consulta médica, o profissional pode avaliar fatores como:
- Histórico clínico e familiar do paciente,
- Hábitos de vida,
- Fatores de risco,
- Presença de sintomas neurológicos.
A partir dessa avaliação, pode orientar a investigação necessária, indicar exames e encaminhar o paciente a outros especialistas quando apropriado.
Consultas regulares com o cardiologista ou clínico geral também são importantes para identificar e acompanhar fatores de risco para doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. Nessas avaliações, podem ser solicitados exames de sangue para detectar:
- Diabetes,
- Alterações do colesterol,
- Outros problemas relacionados ao risco vascular.
Dependendo da idade, dos sintomas e dos fatores de risco de cada pessoa, também podem ser indicados exames como:
“Tomografia e ressonância não são exames de rastreamento de rotina para todas as pessoas, mas podem ser úteis em situações específicas, conforme a avaliação médica, inclusive para identificar alterações vasculares ou cerebrais relevantes”, descreve Dra. Márcia.
Quais são os principais sinais de alerta de um AVC e o que fazer diante deles?
Mesmo quem não apresenta fatores de risco conhecidos pode ter um AVC. Por isso, é fundamental reconhecer os sinais de alerta.
Os principais sinais e sintomas de um AVC podem ser lembrados pela palavra SAMU.
- O S é de sorriso: ao pedir que a pessoa sorria, podemos perceber se a boca está torta.
- O A é de abraço: ao pedir que a pessoa levante os dois braços, podemos identificar perda de força em um lado do corpo caso um deles não se eleve adequadamente.
- O M é de música: para lembrarmos das alterações da fala e da linguagem. A pessoa pode apresentar dificuldade para falar, articular as palavras, nomear objetos ou compreender o que está sendo dito.
- O U é de urgente: diante de qualquer um desses sinais, é fundamental procurar imediatamente um hospital, de preferência uma instituição com protocolo de AVC bem estabelecido e capacidade de realizar o tratamento rapidamente.
Além desses sinais, em caso de AVC, também podem ocorrer:
- alterações visuais,
- perda de sensibilidade em um lado do corpo,
- alterações súbitas do equilíbrio,
- vertigem intensa,
- dificuldade para caminhar,
- vômitos.
“Uma dor de cabeça súbita e muito intensa, especialmente quando descrita como ‘a pior dor de cabeça da vida’, também é um importante sinal de alerta e exige avaliação médica imediata”, ressalta a especialista.
No AVC, tempo é cérebro. Quanto mais rapidamente o paciente for avaliado e tratado, maiores são as chances de reduzir sequelas e preservar sua independência.
Perguntas frequentes sobre o risco de AVC
Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade, sedentarismo e algumas doenças cardíacas.
Sim. Controlar os fatores de risco, manter hábitos saudáveis e fazer acompanhamento médico ajudam a reduzir o risco.
Sim. Apesar de o risco aumentar com a idade, o AVC também pode ocorrer em pessoas mais jovens.
Fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar, alteração da visão, perda de equilíbrio ou dor de cabeça súbita e intensa.
Procure atendimento de emergência imediatamente ou acione o SAMU pelo 192.
Como começar a reduzir hoje o risco de ter um AVC?
De acordo com a Dra. Márcia Santos Neiva, a principal recomendação para reduzir o risco de ter um AVC é conhecer seus fatores de risco e tratá-los de forma consistente, tanto com medicamentos, quando indicados, quanto com mudanças no estilo de vida.
É fundamental:
- cuidar da qualidade do sono,
- controlar o estresse,
- praticar atividade física regularmente,
- manter uma alimentação adequada,
- reservar espaço na rotina para atividades que tragam prazer e bem-estar.
Também é importante evitar o uso de esteroides anabolizantes com finalidade estética e ter cautela com prescrições desse tipo, especialmente quando feitas fora de indicações médicas bem estabelecidas.
A avaliação médica é especialmente importante para quem possui múltiplos fatores de risco, histórico familiar ou já teve um AVC. Agende uma consulta com um especialista D’Or.