Como o cigarro aumenta o risco de infarto e outras doenças do coração

O cigarro é um dos principais fatores de risco evitáveis para doenças cardiovasculares. O tabagismo prejudica o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos, favorece a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose), aumenta a pressão arterial e eleva significativamente o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e outras doenças do coração. A boa notícia é que os benefícios de parar de fumar começam nas primeiras horas após o último cigarro e aumentam ao longo do tempo.
Embora seja frequentemente associado às doenças respiratórias, o cigarro também representa uma das principais causas evitáveis de problemas cardiovasculares. Tanto o tabagismo ativo quanto o tabagismo passivo comprometem a saúde do coração e da circulação, aumentando o risco de eventos cardiovasculares graves.
Segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS), o tabagismo está entre os principais fatores de risco modificáveis para condições cardíacas e favorece a ocorrência de:
- infarto agudo do miocárdio;
- acidente vascular cerebral (AVC);
- angina;
- doença arterial periférica;
- tromboses;
- morte súbita de origem cardíaca.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o tabagismo está associado a cerca de 25% dos casos de infarto agudo do miocárdio e a quase metade dos acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Além disso, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, respondendo por cerca de 19,8 milhões de óbitos por ano. No Brasil, aproximadamente 300 mil pessoas morrem anualmente em decorrência dessas doenças, o equivalente a duas mortes a cada dois minutos.
Entre as principais doenças relacionadas ao tabagismo estão:
- infarto agudo do miocárdio;
- acidente vascular cerebral (AVC);
- insuficiência cardíaca;
- doença renal de origem cardiovascular.
Continue a leitura e entenda como o cigarro afeta o coração, por que aumenta o risco de infarto e quais são os benefícios de abandonar o tabagismo.
Como o cigarro afeta o coração?
A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, incluindo nicotina, monóxido de carbono e outras toxinas que prejudicam diretamente o sistema cardiovascular. Ao serem inaladas, essas substâncias provocam alterações que comprometem a circulação sanguínea, lesionam os vasos sanguíneos e aumentam o esforço do coração para bombear o sangue.
Coordenador do Serviço de Cardiologia do Hospital Brasil – Unidade Mauá, Dr. Henrique do Nascimento Borges explica que o consumo de tabaco é um dos fatores de risco cardiovascular com maior impacto.
De acordo com o cirurgião cardiovascular, as substâncias absorvidas durante o consumo do tabaco promovem:
- inflamação nos vasos sanguíneos;
- elevação da pressão arterial;
- aumento da frequência cardíaca;
- aceleração da aterosclerose, processo caracterizado pelo acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias.
“Com o passar do tempo, esse risco acumulado gera um aumento dos casos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) na população tabagista”, afirma Dr. Henrique do Nascimento Borges, que atua no diagnóstico, tratamento e prevenção das doenças cardiovasculares.
Como a nicotina prejudica o sistema cardiovascular?
A nicotina é uma das principais substâncias responsáveis pelos danos cardiovasculares associados ao cigarro. Ela estimula a liberação de adrenalina, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial. Como consequência, o coração passa a trabalhar de forma mais intensa, enquanto os vasos sanguíneos sofrem maior desgaste.
Além disso, o cigarro reduz a oferta de oxigênio para o músculo cardíaco devido à presença de monóxido de carbono na fumaça. Esse efeito favorece lesões nas artérias e aumenta o risco de infarto e outras doenças cardiovasculares.
Como o cigarro provoca aterosclerose?
A aterosclerose é uma doença caracterizada pelo acúmulo de gordura nas paredes das artérias. Com o passar do tempo, essas placas estreitam os vasos sanguíneos e dificultam a circulação do sangue.
O tabagismo acelera esse processo ao provocar inflamação constante na parede dos vasos, favorecer o depósito de colesterol e aumentar a formação de coágulos. Quando uma dessas placas se rompe, pode ocorrer a obstrução completa da artéria, desencadeando um infarto ou um AVC.
Cigarro eletrônico e narguilé também fazem mal ao coração?
Sim. Apesar de muitas pessoas acreditarem que sejam alternativas menos prejudiciais que o cigarro convencional, as evidências científicas demonstram que tanto o cigarro eletrônico quanto o narguilé também oferecem riscos importantes para a saúde do coração.
Questionado sobre esse tema, Dr. Henrique do Nascimento Borges ressalta que essas formas de consumo não podem ser consideradas seguras.
“Os cigarros eletrônicos frequentemente contêm nicotina, que aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de outras substâncias que podem comprometer a saúde dos vasos sanguíneos”, frisa.
Já o narguilé expõe o organismo a quantidades significativas de nicotina, monóxido de carbono e partículas tóxicas.
“Dependendo da duração da sessão, a exposição pode ser bastante elevada. Por isso, nenhuma dessas formas de consumo pode ser considerada segura para a saúde do coração”, complementa Dr. Henrique do Nascimento Borges.
Por que o cigarro aumenta o risco de infarto?
O infarto agudo do miocárdio geralmente acontece por uma obstrução súbita de um vaso sanguíneo, impedindo, assim, que o sangue chegue ao músculo cardíaco. Sem oxigênio suficiente, parte do coração pode sofrer lesões permanentes.
“O tabagismo contribui para esse processo, justamente, porque acelera a formação das placas ateroscleróticas, inflamando os vasos sanguíneos, e aumentando o risco de formação de trombos, que são coágulos que podem promover a obstrução do fluxo sanguíneo”, destaca o especialista.
Por esse motivo, pessoas que fumam apresentam um risco significativamente maior de desenvolver doença coronariana e sofrer um infarto quando comparadas àquelas que não fumam.
Quais doenças cardiovasculares o cigarro pode causar?
O tabagismo está associado ao desenvolvimento de diversas condições cardiovasculares e é considerado um dos principais fatores de risco modificáveis para problemas do coração e da circulação. As substâncias presentes na fumaça do cigarro provocam inflamação, aceleram a aterosclerose e favorecem a formação de coágulos, aumentando o risco de eventos cardiovasculares graves.
Entre as principais doenças do coração causadas pelo cigarro estão:
- infarto agudo do miocárdio;
- acidente vascular cerebral (AVC);
- doença arterial periférica, que compromete a circulação principalmente das pernas;
- aneurismas da aorta;
- insuficiência cardíaca;
- doença das artérias carótidas;
- morte súbita de origem cardíaca.
Essas doenças podem comprometer significativamente a qualidade de vida e, em muitos casos, evoluir de forma silenciosa antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
“Atualmente, o tabagismo é reconhecido como um dos fatores de risco modificáveis mais importantes para doenças cardiovasculares e uma das principais causas evitáveis de morte em todo o mundo”, alerta Dr. Borges, que também atua na integração das equipes multidisciplinares e no desenvolvimento de estratégias que promovem cuidado cardiovascular qualificado, humanizado e alinhado aos mais elevados padrões de excelência.
Como o cigarro aumenta o risco de AVC?
Assim como acontece no infarto, o cigarro favorece a formação de placas de gordura e coágulos nas artérias, reduzindo ou interrompendo o fluxo de sangue para o cérebro. Esse processo aumenta significativamente o risco de acidente vascular cerebral (AVC), tanto do tipo isquêmico quanto, indiretamente, por favorecer fatores relacionados ao AVC hemorrágico, como a hipertensão arterial.
O cigarro pode causar insuficiência cardíaca?
Sim. O tabagismo aumenta a sobrecarga do coração e favorece doenças como infarto e hipertensão arterial, que estão entre as principais causas da insuficiência cardíaca. Com o passar do tempo, o músculo cardíaco pode perder sua capacidade de bombear sangue de forma eficiente para todo o organismo.
O tabagismo passivo também aumenta o risco no coração?
Sim. A exposição à fumaça do cigarro também pode trazer consequências para pessoas que não fumam. O chamado tabagismo passivo está associado ao aumento do risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares.
Mesmo pequenas quantidades de fumaça são capazes de provocar inflamação dos vasos sanguíneos e alterações na circulação, comprometendo a saúde cardiovascular ao longo do tempo.
“Estudos mostraram que o tabagismo passivo está associado a um aumento do risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares. O que os estudos evidenciaram é que mesmo quando expostos a pequenas quantidades de fumaça, ocorre o mesmo processo de inflamação que do consumo habitual de tabaco, e em minha opinião existe um agravante, o tempo de exposição ao cigarro eletrônico/narguilé é, habitualmente, muito maior quando comparado ao consumo de cigarro convencional, muitas vezes as pessoas o consomem por horas, e isso aumenta e muito o risco”, explica o cardiologista.
Por isso, ambientes livres de fumaça representam uma importante medida de proteção para a saúde coletiva.
Quanto tempo depois de parar de fumar o coração começa a melhorar?
Os benefícios de parar de fumar começam rapidamente. Desde as primeiras horas após o último cigarro, o organismo inicia um processo gradual de recuperação que reduz o risco de problemas cardiovasculares.
De forma geral, a recuperação acontece da seguinte maneira:
- nas primeiras horas após interromper o tabagismo, a frequência cardíaca e a pressão arterial começam a diminuir;
- ao longo das semanas e meses seguintes ocorre melhora progressiva da circulação sanguínea e da saúde cardiovascular;
- ao longo dos meses ocorre melhora progressiva da função dos vasos sanguíneos e redução da inflamação;
- após cerca de um ano sem fumar, o risco de doença coronariana já apresenta redução significativa;
- com o passar dos anos, o risco de infarto e outras doenças cardiovasculares continua diminuindo à medida que o organismo se recupera.
“Vale a pena ressaltar que qualquer hora é hora de parar, e que os benefícios da interrupção existem já nas primeiras horas, e que com o passar do tempo podem ser notados no dia a dia”, destaca.
Principais benefícios cardiovasculares de parar de fumar
Parar de fumar é uma das decisões mais importantes que uma pessoa pode tomar para proteger a saúde do coração. Independentemente da idade ou do tempo de tabagismo, interromper o consumo de cigarros reduz progressivamente o risco de complicações cardiovasculares.
Entre os principais benefícios de parar de fumar estão:
- redução do risco de infarto;
- redução do risco de AVC;
- melhora da circulação sanguínea;
- redução da pressão sobre o coração;
- melhor funcionamento dos vasos sanguíneos;
- diminuição da inflamação vascular;
- redução do risco de insuficiência cardíaca;
- menor probabilidade de necessitar de procedimentos cardiovasculares no futuro;
- aumento da expectativa e da qualidade de vida.
Além dos benefícios para o coração, abandonar o tabagismo melhora a saúde pulmonar, reduz o risco de diversos tipos de câncer e favorece o funcionamento de praticamente todos os órgãos do corpo.
“Costumo dizer aos pacientes que cada dia sem fumar representa um investimento na própria saúde. O organismo possui uma notável capacidade de recuperação, e os benefícios começam a aparecer muito antes do que a maioria das pessoas imaginam”, descreve Dr. Henrique do Nascimento Borges.
Quando procurar um cardiologista?
Mesmo após interromper o tabagismo, quem fumou por muitos anos deve manter acompanhamento médico, principalmente se apresentar sintomas que podem indicar problemas cardiovasculares.
Para pessoas expostas de forma prolongada ao cigarro, alguns sintomas merecem atenção especial, como:
- dor ou desconforto no peito;
- falta de ar;
- redução da tolerância aos esforços;
- palpitações;
- tonturas;
- desmaios;
- dor nas pernas ao caminhar.
“A avaliação deve ser individualizada e leva em consideração fatores como idade, carga tabágica, sintomas e presença de outros fatores de risco cardiovasculares”, destaca Dr. Borges.
Quando necessário, o cardiologista poderá solicitar exames para avaliar a saúde cardiovascular, entre eles:
- eletrocardiograma;
- ecocardiograma;
- teste ergométrico;
- exames laboratoriais;
- ultrassonografia das carótidas;
- exames de imagem das artérias coronárias.
O especialista reforça que muitas doenças cardiovasculares evoluem de forma silenciosa e podem permanecer sem sintomas por anos.
“Por isso, sempre recomendo que o paciente faça uma avaliação especializada e individualizada com um médico”, orienta Dr. Henrique do Nascimento Borges.
A avaliação precoce permite identificar fatores de risco, detectar alterações antes do aparecimento de complicações e iniciar o tratamento mais adequado para preservar a saúde do coração.
Como prevenir doenças cardiovasculares em fumantes e ex-fumantes?
Além de parar de fumar, outras medidas ajudam a proteger o coração e reduzir o risco cardiovascular:
- controlar a pressão arterial;
- manter os níveis de colesterol dentro dos valores recomendados;
- controlar o diabetes, quando presente;
- praticar atividade física regularmente;
- adotar uma alimentação equilibrada;
- manter um peso adequado;
- evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
- realizar acompanhamento médico periódico.
Esses hábitos, associados à interrupção do tabagismo, contribuem para a prevenção de infarto, AVC e outros problemas cardiovasculares.
Se você fuma, já fumou ou apresenta fatores de risco para condições cardiovasculares, não espere o aparecimento dos sintomas para cuidar da saúde do coração.
Uma avaliação cardiológica pode identificar precocemente alterações, orientar medidas de prevenção e indicar o tratamento mais adequado para reduzir o risco de infarto, AVC e outras complicações cardiovasculares.
Agende uma consulta com um cardiologista da Rede D’Or e receba uma avaliação especializada para proteger a saúde do seu coração.
Perguntas frequentes sobre cigarro e doenças do coração
Sim. O cigarro aumenta significativamente o risco de infarto porque favorece a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose), provoca inflamação dos vasos sanguíneos, eleva a pressão arterial e aumenta a formação de coágulos, que podem bloquear o fluxo de sangue para o coração.
Sim. Não existe uma quantidade segura de cigarros. Mesmo poucos cigarros por dia aumentam o risco cardiovascular. Quanto maior o tempo de exposição ao tabaco, maior tende a ser o risco cardiovascular.
Sim. Os cigarros eletrônicos frequentemente contêm nicotina e outras substâncias que aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial e podem causar danos aos vasos sanguíneos. Por isso, também estão associados a riscos para a saúde do coração e não devem ser considerados uma alternativa segura ao cigarro convencional.
Não. Embora muitas pessoas tenham essa percepção, o narguilé também expõe o organismo à nicotina, ao monóxido de carbono e a outras substâncias tóxicas. Como as sessões costumam durar mais tempo, a quantidade de fumaça inalada pode ser bastante elevada, aumentando o risco de condições cardiovasculares.
Sim. Os benefícios começam nas primeiras horas após o último cigarro e aumentam ao longo dos meses e anos.
Sim. A exposição frequente à fumaça do cigarro aumenta o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares.
Sim. Pessoas que fumaram por muitos anos podem manter um risco cardiovascular aumentado, especialmente quando apresentam outros fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças cardíacas. O acompanhamento com um cardiologista permite avaliar a saúde do coração e indicar medidas de prevenção adequadas para cada caso.