Perder peso melhora a saúde do coração? Entenda os benefícios cardiovasculares

Quando o assunto é emagrecimento, é comum pensar principalmente em estética ou em números na balança. Mas o peso corporal também está relacionado ao funcionamento do coração e de outros sistemas do organismo.
O excesso de peso, especialmente quando associado ao acúmulo de gordura visceral, aumenta o risco de:
- hipertensão arterial,
- alterações do colesterol,
- resistência à insulina,
- diabetes tipo 2,
- apneia obstrutiva do sono,
- doenças cardiovasculares.
A obesidade também pode exercer efeitos diretos sobre a estrutura e o funcionamento do coração por mecanismos relacionados à inflamação e às alterações metabólicas.
Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), com base em estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a projeção para 2025 era de 2,3 bilhões de adultos acima do peso em todo o mundo, sendo cerca de 700 milhões de pessoas com obesidade.
Ainda de acordo com a ABESO, no Brasil, a obesidade apresentou um crescimento expressivo ao longo de 13 anos. A prevalência passou de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2019, representando um aumento de 72%.
Continue lendo e entenda como o emagrecimento pode proteger a saúde cardiovascular e por que pequenas mudanças já podem fazer diferença.
Como perder peso pode beneficiar o coração?
A redução de peso pode produzir diferentes efeitos positivos sobre os fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares. Coordenador da Cardiologia da Rede D´or São Luiz em SP, Dr. Andre Feldman destaca que perder peso melhora a saúde do coração, especialmente quando o excesso de peso está ligado a pressão alta, colesterol alto ou diabetes.
Entre os principais benefícios da perda de peso estão:
- Queda da pressão arterial;
A pressão arterial costuma cair (cada quilo perdido pode reduzir cerca de 1 mmHg).
- Redução do colesterol ruim (LDL) e dos triglicerídeos;
O colesterol ruim (LDL) e os triglicerídeos diminuem, o colesterol bom (HDL) tende a subir.
- Melhor controle do açúcar no sangue
A glicemia melhora, ajudando no controle do diabetes.
“Tudo isso alivia o trabalho do coração. Perder de 5% a 10% do peso já traz resultados visíveis em alguns meses, e, em muitos casos, o médico consegue reduzir ou até suspender medicações – mas isso nunca deve ser feito por conta própria”, ressalta Dr. Andre Feldman.
O cardiologista destaca que só o profissional de saúde pode avaliar, com exames, se e quando ajustar os remédios. O benefício é real, porém individual: depende do peso inicial, da genética e de quanto peso você consegue manter.
Quanto peso é preciso perder para fazer diferença no coração?
Essa é uma das dúvidas mais comuns, e a resposta pode surpreender, pois não é necessário esperar uma grande perda de peso para começar a obter benefícios metabólicos e cardiovasculares.
A Diretriz Brasileira Baseada em Evidências de 2025 para o Manejo da Obesidade e Prevenção de Doenças Cardiovasculares e Complicações Associadas à Obesidade de 2025 considera uma redução sustentada de pelo menos 5% do peso corporal uma meta capaz de contribuir para a redução de alguns fatores de risco cardiovascular em determinados adultos com sobrepeso ou obesidade.
Questionado sobre a partir de qual perda de peso já é possível observar benefícios para a saúde cardiovascular, o especialista destaca que o paciente começa a colher benefícios com uma perda pequena:
- A partir de 3% do peso corporal já há melhora na pressão arterial e nos triglicerídeos.
- Com 5% a 10%, os ganhos ficam mais claros — queda maior da pressão, redução do colesterol ruim (LDL) e melhor controle do açúcar no sangue.
- Acima de 10%, os benefícios se ampliam ainda mais, com menos risco de diabetes, menos inflamação e menor chance de infarto ou derrame.
“Para uma pessoa de 80 kg, por exemplo, 5% significam perder apenas 4 kg — algo bem acessível. O importante é que a perda seja gradual e mantida, pois o que sustenta o coração saudável é a constância, não a velocidade”, detalha Dr. Feldman.
Perder peso faz bem ao coração?
A perda de peso ajuda a reduzir o risco de infarto, AVC (derrame) e insuficiência cardíaca. Perder de 5% a 10% do peso já é associado a menor chance dessas doenças ao longo do tempo.
“Existem estudos que demonstram benefícios de até 20% no risco de infarto e derrame e melhora na qualidade de vida em pacientes com insuficiência cardíaca. O benefício é maior quando a perda é gradual e mantida, junto com alimentação equilibrada e atividade física”, aponta Dr. Andre Feldman.
Qual a diferença entre perder peso de forma gradual e emagrecer rapidamente?
Perder peso de forma gradual ou emagrecer rapidamente tem uma diferença importante. Veja qual abordagem é mais segura para o coração:
Perder peso gradualmente (cerca de 0,5 a 1 kg por semana) é mais seguro para o coração, pois:
- Preserva massa muscular;
- Evita a perda rápida de líquidos e minerais;
- Mantém a pressão e o coração mais estáveis.
Emagrecer muito rápido costuma vir de dietas restritivas que podem causar:
- Fraqueza;
- Tontura;
- Queda de pressão;
- Desequilíbrio de nutrientes — além de aumentar a chance de recuperar o peso depois (efeito rebote).
“O ideal é um ritmo constante e sustentável, com alimentação equilibrada e atividade física, acompanhado por um profissional de saúde. A velocidade não é o objetivo; o que protege o coração é a perda mantida em longo prazo”, enfatiza o especialista.
Nesse contexto, os avanços no tratamento da obesidade também levantam questões importantes sobre a saúde cardiovascular. Entre as opções terapêuticas, os agonistas do receptor de GLP-1 têm ganhado destaque, mas será que seu uso pode trazer algum impacto negativo ao coração?
“Os agonistas de GLP-1 (como semaglutida, liraglutida e tirzepatida) não prejudicam o coração — na verdade, estudos mostram que eles o protegem, reduzindo risco de infarto, derrame e complicações em pessoas com diabetes ou obesidade”, destaca Dr. Feldman.
Os efeitos negativos mais comuns do uso dessas substâncias são gastrointestinais (náusea, vômito, diarreia), que costumam melhorar com o tempo, e casos raros de problemas na vesícula ou no pâncreas. “Eles devem ser usados somente com prescrição e acompanhamento médico, pois o controle minimiza a ocorrência desses efeitos colaterais”, orienta o especialista.
O peso é apenas uma parte da avaliação cardiovascular
É importante lembrar que saúde não pode ser resumida ao número apresentado pela balança. Além da balança, o ideal é acompanhar indicadores que mostram o que está mudando por dentro como:
- pressão arterial,
- exames de sangue (colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos e glicemia),
- circunferência da cintura, que reflete melhor a gordura ao redor dos órgãos, mais perigosa para o coração.
“Aliás esses parâmetros são muito mais importantes do que o número na balança”, destaca Dr. Feldman.
Também vale observar como você se sente no dia a dia:
- mais disposição,
- menos falta de ar,
- sono melhor são bons sinais.
O médico pode acompanhar ainda o risco cardiovascular geral e, se necessário, exames de imagem como o ultrassom de abdome.
Perguntas frequentes sobre perder peso e benefícios cardiovasculares
A perda de peso pode contribuir para a redução de diversos fatores de risco cardiovascular e, em determinados grupos, está associada à redução do risco de eventos cardiovasculares. O benefício depende do perfil individual e não deve ser avaliado apenas pelo peso.
Não necessariamente. Benefícios metabólicos podem ocorrer antes de atingir um determinado peso. A meta deve ser individualizada e considerar o conjunto de fatores de risco e o estado de saúde.
Sim. A atividade física pode melhorar pressão arterial, sensibilidade à insulina, colesterol e condicionamento cardiorrespiratório independentemente da perda de peso.
O foco deve ser uma perda de peso segura e sustentável, e não simplesmente a velocidade do emagrecimento. Estratégias muito restritivas ou sem acompanhamento podem não ser adequadas.
Exercício também protege o coração mesmo quando a balança não muda
A prática de atividade física traz benefícios para o coração mesmo quando não ocorre uma perda significativa de peso. Por isso, exercício e movimento devem fazer parte do cuidado cardiovascular independentemente do resultado na balança.
Mesmo que a balança não mude muito, quem se exercita regularmente tem menor risco de:
- infarto,
- AVC
- diabetes.
“Outro ponto importante: o exercício ajuda a manter o peso perdido, evitando o efeito rebote. Aliás o exercício físico resistido pode preservar a massa muscular, o que pode levar à atenuação de perda de peso em números, mas maior funcionalidade e saúde”, aponta Dr. Andre Feldman.
Os hábitos mais importantes para proteger o coração enquanto você emagrece são:
- alimentação equilibrada (com menos ultraprocessados, sal e açúcar, e mais frutas, verduras e fibras),
- atividade física regular (como caminhada, pelo menos 30 minutos 4x por semana),
- sono de qualidade,
- controlar o estresse,
- evitar cigarro e excesso de álcool.
Para pessoas com sobrepeso ou obesidade, uma perda de peso sustentada pode melhorar pressão arterial, colesterol, triglicerídeos e controle da glicose, além de contribuir para a redução do risco de complicações cardiovasculares.
E não é preciso esperar uma transformação radical para começar a cuidar da saúde. Pequenas mudanças sustentadas podem representar ganhos importantes para o organismo.
O melhor caminho é avaliar o peso e o risco cardiovascular de forma individualizada e estabelecer metas realistas, seguras e adequadas à saúde de cada pessoa. Agende uma consulta com um especialista D’Or para perder peso com segurança e trazer benefícios para o seu coração.