Disfunção endotelial e microvascular: causas, sintomas e riscos para o coração
A disfunção endotelial e microvascular aumenta o risco de doenças cardiovasculares e pode ser um estágio inicial da doença cardíaca. Saiba identificar sinais e riscos.
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A disfunção endotelial e a disfunção microvascular são condições cada vez mais reconhecidas como importantes fatores de risco para doenças cardiovasculares, mesmo quando exames tradicionais do coração parecem normais. Elas afetam os vasos sanguíneos e podem comprometer progressivamente a saúde do coração.
Um artigo de revisão publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia apontou que a disfunção microvascular é uma condição cada vez mais diagnosticada, especialmente em mulheres, representando cerca de 60% a 70% dos casos entre aquelas submetidas à angiografia coronária, contra aproximadamente 30% entre os homens.
Outro estudo publicado no Global Cardiology Science & Practice demonstrou que cerca de 50% dos pacientes submetidos à angiografia coronária por indicação clínica, mas sem evidência de doença obstrutiva, apresentavam disfunção endotelial coronária.
Entender o que são essas disfunções, quais são suas causas, sintomas e riscos é fundamental para o diagnóstico precoce e a prevenção de complicações cardiovasculares. Continue a leitura e saiba como identificar essas alterações.
O que é disfunção endotelial?
A disfunção endotelial é um problema no funcionamento do endotélio, que é uma camada de células que reveste a parte interna dos vasos sanguíneos. A disfunção endotelial ocorre quando esse revestimento deixa de funcionar adequadamente. Como consequência, os vasos perdem a capacidade de se dilatar corretamente, favorecendo inflamação, aterosclerose e alterações na circulação sanguínea.
Coordenador da cardiologia do Hospital Copa D’Or, Dr. Luís Felipe Miranda explica que essa camada de células tem um papel fundamental para manter o sangue circulando de forma adequada. “O endotélio ajuda os vasos a relaxarem e se contraírem, evita inflamações e reduz a formação de coágulos. Na disfunção endotelial, essas funções começam a falhar”, descreve.
O que é disfunção microvascular?
Já a disfunção microvascular é um problema que afeta os vasos sanguíneos muito pequenos, chamados de microvasos, que levam sangue diretamente aos tecidos e às células.
“Esses vasos são essenciais para que o oxigênio e os nutrientes cheguem a todos os órgãos. Quando há disfunção eles perdem a capacidade de se dilatar e se contrair na hora certa, o que compromete a chegada adequada de sangue aos tecidos, ou seja, mesmo que as grandes artérias estejam normais, o sangue não chega de forma eficiente aos órgãos”, destaca Dr. Luís Felipe Miranda.
Diferenças entre disfunção endotelial e disfunção microvascular
De acordo com o Dr. Miranda, essas disfunções estão relacionadas, mas não são a mesma coisa. “A disfunção endotelial pode levar à disfunção microvascular, mas não se restringe necessariamente à microcirculação e pode afetar as artérias maiores. Além disso nem toda disfunção microvascular é causada apenas pela disfunção do endotélio, ela também envolve alterações de contratilidade e funcionais dos microvasos. É comum as duas coexistirem”, ressalta.
Principais causas da disfunção endotelial e microvascular
As disfunções endotelial e microvascular costumam ter as mesmas causas, porque ambas estão ligadas à saúde dos vasos sanguíneos. Diversos fatores podem levar ao desenvolvimento dessas disfunções, entre eles:
Doenças:
- Diabetes;
- Hipertensão arterial;
- Dislipidemia;
- Obesidade;
- Doenças inflamatórias crônicas;
- Doença renal crônica.
Hábitos de vida:
Fatores emocionais e hormonais:
“Envelhecimento e histórico familiar costumam estar presentes em pacientes que apresentam essas disfunções”, aponta Dr. Luís Felipe Miranda.
Sintomas mais comuns de disfunção endotelial e disfunção microvascular
Os sintomas da disfunção endotelial e microvascular nem sempre são específicos, o que dificulta o diagnóstico. “Essas disfunções muitas vezes não aparecem nos exames rotineiros tradicionais. Mesmo quando exames como eletrocardiograma, tomografia ou até cateterismo não sugerem obstrução arterial”, explica o cardiologista.
Entre os sintomas mais frequentes estão:
- Dor ou desconforto no peito, especialmente aos esforços ou em situações de estresse;
- Falta de ar desproporcional ao esforço;
- Cansaço excessivo, mesmo com atividades leves;
- Palpitação;
- Sensação de coração acelerado porque o sangue não chega aos tecidos na quantidade ideal, principalmente em situações de estresse físico ou emocional quando há maior demanda de oxigênio.
Em muitos casos, esses sintomas são subestimados ou atribuídos a ansiedade ou estresse, atrasando o diagnóstico correto.
Quais são os riscos cardiovasculares associados a disfunção endotelial e disfunção microvascular?
Dr. Luís Felipe Miranda destaca que essas disfunções se associam a um maior risco de doenças cardiovasculares e isso hoje está muito bem estabelecido, sendo consideradas estágios iniciais da doença cardiovascular. “Indicam inflamação vascular ativa, comprometem a regulação do fluxo sanguíneo e predispõem eventos agudos mesmo sem obstruções importantes, como angina do peito, infarto do miocárdio, isquemia miocárdica silenciosa (INCLUIR QUANDO ENTRAR TEXTO: Isquemia silenciosa: o que é, riscos e como identificar?), insuficiência cardíaca, AVC e trombose arterial.”
Como é feito o diagnóstico da disfunção endotelial e disfunção microvascular
Não existe um único exame simples e definitivo para o diagnóstico da disfunção endotelial. O diagnóstico pode envolver uma combinação de avaliação clínica e exames específicos. “Ela é avaliada principalmente por testes funcionais, que observam como o vaso se comporta diante de estímulos. Tais exames podem ser invasivos durante um cateterismo ou não invasivos durante testes funcionais que meçam a reserva de fluxo coronário”, explica o especialista.
A investigação dessas condições deve ser individualizada, especialmente em pacientes com sintomas persistentes e exames convencionais normais. “O diagnóstico da disfunção microvascular é feito quando observamos 3 aspectos que devem estar presentes simultaneamente: presença de sintomas isquêmicos, ausência de obstrução nas grandes artérias através de um exame anatômico e testes funcionais que demonstram a presença de isquemia no coração”, detalha Dr. Luís Felipe Miranda.
Qual o tratamento da disfunção endotelial e disfunção microvascular?
O tratamento da disfunção endotelial e microvascular é um conjunto de medidas que envolvem o controle adequado dos fatores de risco e das doenças de base e a adoção de um estilo de vida com hábitos saudáveis:
- Mudanças no estilo de vida (alimentação equilibrada, atividade física regular);
- Controle rigoroso da pressão arterial e do diabetes;
- Uso de medicamentos para colesterol;
- Abandono do tabagismo;
- Tratamento de inflamações associadas;
- Medicações específicas, conforme avaliação médica.
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O acompanhamento com um cardiologista é essencial para definir a melhor estratégia terapêutica. “A prevenção na prática é a adoção das medidas terapêuticas em fases precoces da vida, em especial das populações com fatores de risco”, aponta Dr. Miranda.
Pessoas com fatores de risco cardiovascular, mulheres após a menopausa, portadores de doenças crônicas inflamatórias, pessoas com histórico de hábitos de risco, pessoas com poucos fatores de risco, mas com sintomas que podem sugerir isquemia miocárdica devem investigar essas condições de forma preventiva. Se você faz parte desse grupo, agende uma consulta com um cardiologista D’Or.