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Como a obesidade infantil pode afetar o coração.

A obesidade infantil é causada principalmente pelos maus hábitos alimentares que contribuem para o surgimento de problemas de saúde que afetam o coração.
Por: Rede D'Or
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A obesidade infantil é causada principalmente por maus hábitos alimentares. O excesso de peso precoce contribui para o surgimento de problemas de saúde que incluem desde a baixa autoestima até condições que afetam o coração como a hipertensão e o colesterol alto.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas no mundo são obesas, dessas, 340 milhões são adolescentes e 39 milhões são crianças.

No Brasil, até meados de setembro de 2022, mais de 340 mil crianças de 5 a 10 anos de idade foram diagnosticadas com obesidade infantil, de acordo com dados do relatório público do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde.

Uma dieta rica em alimentos processados, com alto teor de gordura saturada, açúcar e sódio, além de baixo consumo de frutas, vegetais e alimentos nutritivos em geral são as características dos maus hábitos alimentares.

O excesso de calorias proveniente dessas escolhas alimentares inadequadas, combinado com a falta de atividade física, contribuem para o aumento de peso e a deterioração da saúde.

Celebra-se o Dia da Conscientização contra a Obesidade Mórbida Infantil em 03 de junho. Reunimos alguns esclarecimentos a fim de contribuir para a conscientização da população sobre alguns cuidados importantes para evitar esse problema que afeta milhares de crianças no mundo inteiro. Continue lendo e confira.

Veja também: Projeto social patrocinado pela Rede D´Or visa levar alimentação saudável para crianças

Como a obesidade infantil afeta o coração e o organismo

A obesidade infantil não apenas afeta a saúde física, mas também pode ter impactos psicossociais significativos, como baixa autoestima, dificuldades de relacionamento e problemas emocionais.

De acordo com o Dr. Ronaldo Gismondi, coordenador da Cardiologia no Hospital Niterói D’Or, Rio de Janeiro, na criança o excesso de peso causa problemas de saúde imediatos e aumenta o risco de outros problemas, inclusive na idade adulta.

Com o desenvolvimento da obesidade, a criança pode apresentar:

– baixa autoestima;

– depressão e queda no rendimento escolar;

– problemas de coluna e no quadril, com dores e dificuldade para andar;

– cansaço e falta de ar;

– roncos noturnos e apneia do sono;

– acúmulo de gordura no fígado (esteatose).

“A obesidade infantil é hoje uma doença com incidência em crescimento em diversas regiões do mundo. Uma pesquisa brasileira recente mostrou que 7% a 8% das crianças no país estão com obesidade, sendo que em algumas regiões essas taxas ultrapassam 10%. Países como os Estados Unidos enfrentam taxas ainda piores, com estimativa de 20% da população infantil com obesidade”, aponta o médico.

A obesidade infantil pode também influenciar no surgimento de doenças que afetam o coração, como:

– aumento da pressão arterial (hipertensão);

– ampliação dos níveis de colesterol;

– progressão do açúcar (diabetes mellitus).

Quando uma criança começa a apresentar ganho de peso excessivo, é comum o médico solicitar alguns exames para investigar se o aumento de peso está relacionado a algum problema de saúde, tais como:

– problemas hormonais; ou

– doenças genéticas.

Pessoas que foram obesas na infância apresentam ainda maior risco de hipertensão, diabetes, colesterol alto, infarto, derrame (AVC) e morte na idade adulta.

A pressão alta na criança com obesidade

A obesidade em crianças pode levar ao desenvolvimento de hipertensão, uma vez que o acúmulo de gordura no corpo pode produzir substâncias prejudiciais ao coração e aos vasos sanguíneos.

Além disso, o organismo tem que lidar com o peso extra e enfrentar maior resistência nos movimentos, resultando no aumento da demanda sobre o coração.

Como resultado desses fatores, ocorre um aumento na pressão arterial, que representa a força com que o sangue é bombeado pelos vasos sanguíneos. Esse aumento da pressão arterial coloca uma carga adicional sobre o sistema cardiovascular, o que pode levar a complicações como doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais (AVC), por exemplo.

Segundo Dr. Gismondi, a pressão arterial normal varia com a idade. Ele explica que a partir dos 8 anos de idade, ou com 30kg, a pressão arterial de uma criança é próxima a de um adulto, com 120 x 80 mmHg sendo considerada normal.

“O médico, após medir a pressão arterial, consulta uma tabela com os valores de normalidade conforme idade, peso e altura. Se a pressão ficar repetidamente alta, o paciente é diagnosticado como hipertenso e deve adotar medidas saudáveis para perder peso”, explica.

É essencial abordar a obesidade infantil de maneira abrangente e desde cedo, promovendo hábitos alimentares saudáveis, atividade física regular e um estilo de vida equilibrado.

A perda de peso pode colaborar até mesmo para a cura da hipertensão infantil, sem precisar mais do uso de remédios, e proporcionar às crianças uma base sólida para uma vida saudável.

Quais as formas de prevenir e tratar a obesidade infantil

Para prevenir e combater a obesidade infantil é fundamental promover uma alimentação balanceada, com ênfase nos alimentos saudáveis e nutritivos, como frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras. Além disso, incentivar a prática regular de atividades físicas é essencial para ajudar as crianças a manterem um peso saudável e desenvolverem um estilo de vida ativo.

Na infância, os hábitos são a primeira linha de tratamento, existem também algumas opções de medicações nessa faixa etária, mas elas são o último recurso e só devem ser utilizadas sob supervisão e prescrição médica.

“A família toda deve procurar aconselhamento nutricional e mudar os hábitos para uma dieta balanceada, com mais alimentos vegetais, fibras e redução no consumo de açúcares e gordura animal. A redução do sal na comida passa também a ser fundamental”, descreve Dr. Gismondi.

O médico ainda destaca que a atividade física deve ser incentivada, não só na escola, como com amigos e a família. “Infelizmente, a causa mais comum de obesidade é comportamental, causada por maior tempo na tela e nos eletrônicos, redução da atividade física (sedentarismo). Atividades de lazer que envolvam áreas externa e movimentação são bem interessantes para aumentar o gasto de energia, como andar no calçadão da praia, passear num parque ou de bicicleta pela cidade”, aconselha o médico.

Alimentos que contribuem para a obesidade infantil

A alimentação saudável desempenha um papel fundamental na prevenção da obesidade e das doenças cardiovasculares em crianças. A nutróloga Dra. Karla Gouvea, coordenadora da Cardiologia do Hospital Villa Lobos, em São Paulo, destaca que é importante comer “comida de verdade” e evitar o consumo de alimentos processados e prontos que vêm em caixinhas.

A médica aponta que o crescente consumo de alimentos ultraprocessados, alimentos ricos em açúcar simples, gorduras saturadas e sódio, como biscoitos recheados, bebidas artificiais açucaradas, fast-food, embutidos, bolos prontos recheados, compostos lácteos, entre outros, contribuem para a obesidade e o surgimento de doenças cardiológicas em crianças.

“E também o consumo de alimentos ricos em calorias, como balas, doces, biscoitos, sucos de caixinha, sorvete e refrigerante”, acrescenta o médico cardiologista Dr. Ronaldo Gismondi.

Dicas para evitar a obesidade infantil e doenças cardiovasculares em crianças

A Dra. Karla Gouvea, que também é membro da Associação Brasileira de Obesidade e Síndrome Metabólica, elenca:

– respeito à tradição cultural alimentar de cada família/região;

– priorize uma alimentação rica em legumes, verduras e hortaliças, frutas e gorduras boas – as chamadas “comidas de verdade”;

– evite alimentos “que saem de caixinha”;

– consuma adequadamente proteínas como carne, peixe, frango e ovos, leite e derivados;

– garanta também o consumo adequado de leguminosas do grupo dos feijões como ervilha, lentilha, grão-de-bico, dentre outros;

– para as crianças é importante também o consumo de alimentos fontes de carboidratos de qualidade em todas as 5 refeições do dia como:

  • arroz;
  • macarrão;
  • raízes (mandioca, mandioquinha, batata, inhame, cará, batata-doce);

“De todos, o principal cuidado é o exemplo. Quando falamos de educação, o exemplo está acima de tudo, mas falando de comida, a criança acaba seguindo os hábitos alimentares dos pais, então a melhor forma de educar nutricionalmente seus filhos é comendo exatamente aquilo que queira que seus filhos comam”, enfatiza Dra. Karla.

É fundamental ensinar desde cedo às crianças quais alimentos são saudáveis e quais devem ser consumidos com moderação. No entanto, é importante abordar esse assunto de forma lúdica, para que elas possam compreender os benefícios de uma alimentação equilibrada sem criar uma relação negativa com a comida.

É necessário ter cuidado para evitar extremismos que possam levar a problemas psicológicos, como distúrbios alimentares.

Veja também: alimentação saudável desde a infância

Uma abordagem adequada é envolver as crianças no processo de escolha e preparação dos alimentos, tornando a experiência divertida e educativa. Explique de maneira simples e acessível os motivos pelos quais determinados alimentos são considerados bons, como eles ajudam no crescimento saudável, fornecem energia e nutrientes importantes.

Ao mesmo tempo, é importante ensinar que não há problema em desfrutar de alimentos menos saudáveis em ocasiões especiais, desde que seja feito de forma moderada. Incentive o equilíbrio e a variedade na alimentação, mostrando que uma dieta saudável é composta por diferentes tipos de alimentos.

Promova uma relação positiva com a comida, focando na importância de nutrir o corpo e aproveitar os sabores e texturas dos alimentos. A educação alimentar adequada desde cedo pode ajudar as crianças a desenvolverem hábitos saudáveis que irão beneficiá-las ao longo da vida, sem causar ansiedade ou preocupações excessivas com a alimentação.

Durante toda a infância e adolescência, é crucial que os pais supervisionem a alimentação de seus filhos. “Observar o que as crianças estão ingerindo na escola também é algo muito importante, os pais devem acompanhar isso de perto, até porque infelizmente, até hoje, apesar da Política Nacional de Alimentação Escolar, a escola ainda é considerada um ambiente obesogênico, com lanches de baixo teor de nutrientes e alto teor de açúcar, gordura e sódio”, aponta a médica.

Os pais podem preparar lanches saudáveis para seus filhos levarem à escola, evitando assim que eles sejam tentados a consumir alimentos menos nutritivos disponíveis na cantina. Promover uma alimentação balanceada em casa e estimular o interesse pelas escolhas alimentares saudáveis também é fundamental.

A supervisão ativa dos pais na questão alimentar durante a infância e adolescência pode contribuir para o estabelecimento de hábitos saudáveis, prevenindo a obesidade e suas consequências e assim promover uma boa saúde em longo prazo.

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