Notícias

Disfunção ventricular: o que é, sintomas, causas e tratamento

Entenda o que é disfunção ventricular, suas causas, sintomas, diagnóstico e tratamento. Saiba quando procurar um cardiologista.
Dr. Rodrigo Batista
Publicado em

A disfunção ventricular é uma alteração que ocorre quando um ou ambos os ventrículos do coração apresentam dificuldade para contrair, relaxar ou bombear sangue adequadamente. O problema pode estar relacionado a diferentes doenças cardiovasculares.

Embora muitas pessoas só descubram o problema após exames cardiológicos, a alteração pode evoluir de forma silenciosa e, quando não tratada, aumentar o risco de insuficiência cardíaca, arritmias e outras complicações cardiovasculares.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a insuficiência cardíaca é uma das principais causas de internação por doenças cardiovasculares no Brasil, e a disfunção ventricular está entre os mecanismos que podem estar relacionados ao desenvolvimento do quadro.

Mas, afinal, o que é disfunção ventricular? Quais são as causas, os sintomas e como é feito o tratamento? Continue lendo e saiba mais sobre essa condição.

O que é disfunção ventricular?

A disfunção ventricular ocorre quando o ventrículo esquerdo, o ventrículo direito ou ambos apresentam dificuldade para contrair ou relaxar e se encher adequadamente de sangue. Como essas câmaras são responsáveis por impulsionar o sangue para os pulmões e para todo o organismo, qualquer alteração em seu funcionamento pode comprometer a circulação.

A condição pode estar relacionada a diferentes doenças cardiovasculares e apresentar diferentes graus de intensidade. Em alguns casos, não provoca sintomas inicialmente e é identificada durante exames cardiológicos.

O cardiologista e médico intensivista da Unidade Coronariana da Rede D’Or Anália Franco Dr. Rodrigo Batista Rocha explica o conceito de forma simples, comparando a função do coração à de uma bomba:

“Imagine que o nosso coração é uma bomba que ejeta uma quantidade de líquido. Se essa ‘bomba’ fica fraca, o líquido irá se acumular. Desse acúmulo de líquido é de onde começam a surgir sintomas como inchaço e ganho de peso. A disfunção ventricular pode ser definida como a redução da função cardíaca”, descreve.

Quais são os tipos de disfunção ventricular?

Dependendo do tipo de alteração, a disfunção ventricular pode acometer diferentes regiões do coração.

O coração é dividido em dois lados com funções distintas. O lado direito recebe o sangue venoso e o bombeia para os pulmões, onde ocorre a oxigenação. Já o lado esquerdo recebe o sangue oxigenado vindo dos pulmões e o impulsiona para a aorta, distribuindo-o para todos os órgãos e tecidos do corpo.

A disfunção ventricular, ou seja, a redução da função do coração, pode acometer somente o lado esquerdo, somente o lado direito ou, em casos mais graves, ambos os lados, o que chamamos de disfunção biventricular.

Disfunção ventricular esquerda

É a forma mais frequente e ocorre quando o ventrículo esquerdo perde eficiência para bombear sangue para o restante do corpo.

Disfunção ventricular direita

Nesse caso, o ventrículo direito apresenta dificuldade para enviar sangue aos pulmões.

Ela costuma estar relacionada a doenças pulmonares, hipertensão pulmonar, embolia pulmonar ou como consequência de doenças que inicialmente acometeram o ventrículo esquerdo.

Disfunção biventricular

“A disfunção biventricular é quando a função cardíaca do lado esquerdo e do lado direito do coração estão reduzidas. É uma condição mais grave que a disfunção de um lado do coração e a avaliação cardiológica deve ser imediata visando investigar a causa, otimizar o tratamento o mais rápido possível e assim melhorar as chances de reversão da disfunção”, descreve o Dr. Rodrigo Batista Rocha.

Quando ambos os ventrículos apresentam comprometimento funcional, o quadro costuma ser mais grave e exige acompanhamento especializado.

Disfunção sistólica e diastólica

A disfunção ventricular também pode estar relacionada à dificuldade de contração do coração, chamada disfunção sistólica, ou à dificuldade de relaxamento e enchimento dos ventrículos, conhecida como disfunção diastólica.

A avaliação do tipo de alteração é feita pelo cardiologista com base nos sintomas, no histórico clínico e nos resultados dos exames.

O que é fração de ejeção?

A fração de ejeção, também chamada de FEVE quando se refere ao ventrículo esquerdo, é uma medida utilizada para avaliar quanto sangue o ventrículo esquerdo consegue bombear a cada contração. Ela é expressa em porcentagem e pode ajudar o cardiologista a avaliar a função de bombeamento do coração.

O valor da fração de ejeção deve ser interpretado junto com os sintomas, o histórico do paciente e outros resultados de exames. Uma alteração na fração de ejeção também não significa, isoladamente, que o paciente tenha insuficiência cardíaca.

Quais são as causas da disfunção ventricular?

“A principal causa de disfunção ventricular no Brasil e no mundo é a doença coronária. As coronárias são os vasos arteriais que irrigam todo o músculo do coração. Se esses vasos estão doentes, ‘entupidos’ por gordura, o que chamamos de aterosclerose coronariana, a irrigação é prejudicada, levando ao risco de infarto do miocárdio”, destaca Dr. Rodrigo Batista Rocha.

Outras causas de disfunção ventricular são:

  • Doenças inflamatórias;
  • Arritmias;
  • Doenças genéticas;
  • Efeitos adversos do tratamento do câncer;
  • Sepse;
  • Embolia pulmonar;
  • Entre outras condições.

“A disfunção ventricular pode não apresentar sintomas, especialmente no início. Quando ocorrem os sintomas, chamamos de insuficiência cardíaca”, ressalta Dr. Rocha.

Sintomas da disfunção ventricular

Os sintomas de disfunção ventricular podem variar conforme a gravidade da alteração e o ventrículo acometido. Nos estágios iniciais, muitas pessoas não apresentam qualquer manifestação clínica.

Quando apresentados, os principais sintomas da disfunção ventricular são:

  • Cansaço ou fadiga;
  • Falta de ar, principalmente aos esforços;
  • Inchaço nas pernas, tornozelos ou pés;
  • Tosse;
  • Ganho de peso relacionado à retenção de líquidos;
  • Piora da falta de ar ao deitar;
  • Acordar à noite devido à falta de ar;
  • Dificuldade de realizar atividades do dia a dia.

Dr. Rodrigo Batista Rocha exemplifica que o paciente pode ter dificuldade de tomar banho ou subir escadas, por exemplo, pois sente-se cansado.

Como é feito o diagnóstico da disfunção ventricular?

O diagnóstico da disfunção ventricular começa pela avaliação clínica, que inclui histórico de saúde, sintomas e exame físico. Dependendo da suspeita, o cardiologista pode solicitar exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, exames de sangue e outros métodos de imagem.

O ecocardiograma tem papel importante na avaliação da função ventricular porque permite analisar a estrutura e o funcionamento do coração e estimar a fração de ejeção. Outros exames podem ser indicados para identificar a causa da alteração ou complementar a investigação.

Entre eles:

Como é feito o tratamento da disfunção ventricular?

Na maioria dos casos, o tratamento da disfunção ventricular envolve uma combinação de medicamentos, mudanças no estilo de vida e acompanhamento cardiológico. A estratégia depende da causa, da gravidade da alteração e das condições de saúde de cada paciente.

“O tratamento da disfunção ventricular é feito com medicamentos que ajudam a proteger o coração, aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Quatro classes de medicamentos formam a base do tratamento e idealmente usamos em conjunto. No entanto, a avaliação individualizada do paciente é essencial e podemos indicar outros medicamentos de acordo com a causa da doença e as necessidades de cada paciente”, destaca o especialista.

Um grande pilar do tratamento são as medidas comportamentais:

“Essas são medidas que ajudam o coração a funcionar melhor. Preservar a saúde do coração envolve realizar consultas com cardiologista e seguir corretamente o tratamento recomendado”, complementa o médico.

Disfunção ventricular é a mesma coisa que insuficiência cardíaca?

Não. A disfunção ventricular é uma alteração da função de um ou ambos os ventrículos do coração. Já a insuficiência cardíaca é uma condição clínica que pode ocorrer quando o coração não consegue bombear sangue adequadamente para atender às necessidades do organismo.

A disfunção ventricular pode estar presente na insuficiência cardíaca, mas os dois termos não são sinônimos. Além disso, uma pessoa pode apresentar alteração da função ventricular sem necessariamente ter sintomas de insuficiência cardíaca.

Perguntas frequentes sobre disfunção ventricular

Significa que um ou ambos os ventrículos do coração perderam parte da capacidade de bombear ou receber sangue de forma eficiente.

A gravidade depende da causa e do grau de comprometimento da função do coração. Algumas alterações são leves e podem não provocar sintomas, enquanto casos mais avançados podem estar associados à insuficiência cardíaca e outras complicações.

O principal exame é o ecocardiograma, que pode ser complementado por eletrocardiograma, exames laboratoriais, ressonância cardíaca e outros métodos de imagem, conforme indicação médica.

Sim. O tratamento depende da causa e pode incluir medicamentos, mudanças no estilo de vida, controle dos fatores de risco e procedimentos cardiológicos quando necessários.

Na maioria dos casos, sim. A prática de exercícios costuma fazer parte do tratamento, desde que seja individualizada e orientada pelo cardiologista.

Disfunção ventricular pode melhorar?

Com o acompanhamento cardiológico correto, a adesão do paciente ao tratamento e auxílio de uma equipe multidisciplinar através da reabilitação cardíaca, a disfunção ventricular, assim como a insuficiência cardíaca, pode ser revertida.

“É muito importante ressaltar que quanto antes o tratamento for iniciado, maior é a chance de reverter a doença. Portanto, mesmo sem sintomas, o famoso check-up cardiológico deve ser realizado por todo mundo”, destaca.

A disfunção ventricular pode evoluir de forma silenciosa, mas o diagnóstico precoce faz toda a diferença para preservar a função do coração e prevenir complicações.

Se você apresenta sintomas como falta de ar, cansaço excessivo, palpitações ou possui fatores de risco para doenças cardiovasculares, agende sua consulta para avaliação com um cardiologista D’Or.