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Mapa x Holter: qual a diferença entre os exames e quando são indicados?

MAPA e Holter são exames cardiológicos diferentes. Saiba quando cada um é indicado, para que servem e como ajudam no diagnóstico.
Por: Rede D'Or
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Exames cardíacos como MAPA e Holter costumam gerar dúvidas, principalmente porque ambos envolvem o uso de aparelhos portáteis e o monitoramento do coração ao longo do dia.

Apesar de parecidos à primeira vista, eles têm objetivos diferentes e são indicados para situações específicas. Enquanto o MAPA acompanha a pressão arterial do paciente ao longo do período estipulado pelo médico, o Holter monitora a atividade elétrica do coração, ajudando a identificar arritmias e outras alterações no ritmo cardíaco.

A avaliação com um cardiologista é fundamental para definir qual exame é o mais adequado para cada situação.

De forma geral, 24 horas é o tempo mais comum para a realização do MAPA e também para o Holter. Em alguns casos, o médico pode ampliar o tempo de monitorização do Holter para 48 ou 72 horas.

Neste texto vamos entender a diferença entre o MAPA e o Holter e quando cada um é indicado para um diagnóstico correto e um tratamento mais eficaz. Continue lendo e entenda.

O que é o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial)?

O MAPA é um exame que avalia a pressão arterial durante 24 horas, ou mais, enquanto a pessoa realiza suas atividades habituais, inclusive durante o sono. Um aparelho é conectado ao braço do paciente e mede automaticamente a pressão em intervalos regulares ao longo do dia e da noite.

Cardiologista e arritmologista que atua como Rotina do Serviço de Arritmia no Hospital Barra D’Or, Dra. Ana Luiza Moreno detalha que o MAPA é um aparelho que o paciente leva para casa, preso na cintura ou pendurado ao pescoço, com uma braçadeira parecida com a do aparelho comum de pressão.

“O dispositivo mede sua pressão várias vezes ao longo do dia e da noite, (por exemplo, a cada 15–30 minutos durante o dia e a cada 30–60 minutos à noite). Você faz suas atividades normais: trabalha, anda, se alimenta, dorme. Depois, o médico baixa os dados no computador e analisa um gráfico completo da sua pressão nas 24 horas”, exemplifica.

Para que o MAPA é indicado?

O MAPA é indicado para avaliar situações que envolvem a pressão arterial do paciente. “Ele mostra como está a pressão na vida real, e não só naquele momento dentro do consultório”, explica Dra. Ana Luiza Moreno.

O MAPA oferece uma visão muito mais fiel da pressão arterial. Com ele é possível:

  • Confirmar ou excluir hipertensão;
  • Avaliar se o tratamento (remédios) está funcionando o dia todo;
  • Investigar hipertensão do jaleco branco (só no consultório);
  • Investigar hipertensão mascarada (pressão alta fora do consultório);
  • Avaliar queda ou elevação da pressão à noite;
  • Investigar episódios de:
  • Tontura, mal-estar ou desmaios que podem estar ligados à pressão muito baixa;
  • Dor de cabeça, zumbido ou mal-estar associados a picos de pressão.

“Portanto, ele serve tanto para diagnóstico quanto para ajuste fino do tratamento”, ressalta Dra. Ana Luiza Moreno.

O que é o Holter?

O Holter é um exame que monitora a atividade elétrica do coração. “O Holter faz o registro contínuo dos batimentos do coração (eletrocardiograma) durante 24 horas ou mais”, diz Dra. Ana Luiza.

Pequenos eletrodos (adesivos) são fixados no peito do paciente e conectados a um pequeno gravador que registra cada batida do coração continuamente, mesmo quando o paciente não se queixa de nenhum incômodo.

“O paciente vai para casa, faz suas atividades habituais e, ao final do período, o aparelho é retirado e os dados são analisados. Isso permite identificar alterações do ritmo cardíaco ao longo do dia, inclusive aquelas que ocorrem de forma intermitente”, descreve a especialista.

Para que o Holter é indicado?

O Holter é indicado principalmente para análise de ritmo cardíaco. Ele permite correlacionar sintomas relatados pelo paciente com alterações do ritmo do coração.

Além de avaliar o ritmo cardíaco, o Holter também serve para:

  • Correlacionar sintomas (palpitações, tontura ou desmaio) com alterações elétricas;
  • Avaliar efeitos de medicamentos que alteram a frequência cardíaca;
  • Analisar a variabilidade da frequência cardíaca;
  • Monitorar marca-passos e desfibriladores.

“Então, ele vai além de ‘sim ou não arritmia’: ajuda a entender qual arritmia, com que frequência e em que contexto”, destaca Dra. Ana Luiza.

MAPA e Holter: qual a diferença?

Apesar de ambos serem exames ambulatoriais, a diferença central está no que cada um avalia:

  • MAPA: avalia a pressão arterial medindo o número da pressão (ex.: 12×8, 14×9), buscando diagnosticar e acompanhar pacientes com pressão alta.
  • Holter: avalia os batimentos do coração (ritmo cardíaco), registrando o traçado do eletrocardiograma o tempo todo com o objetivo de diagnosticar e acompanhar arritmias e outras alterações elétricas do coração.

“O MAPA é mais indicado quando a principal dúvida é sobre pressão arterial, por exemplo, quando há suspeita de hipertensão, dúvida se a pressão está bem controlada com o tratamento, avaliação de pacientes com pressão muito variável ao longo do dia, avaliar se existe queda exagerada da pressão à noite ou, ao contrário. Nesses contextos, o Holter não resolve, porque ele não foi feito para medir pressão, e sim batimentos”, destaca.

O Holter é mais útil quando a dúvida é sobre o ritmo do coração. “Quando há palpitações, tonturas, desmaios ou ‘quase-desmaios’, é possível realizar uma avaliação mais detalhada de arritmias detectadas em um eletrocardiograma simples no consultório”, explica.

Através do Holter é possível também ter o controle de pacientes com:

  • Fibrilação atrial ou outras arritmias.
  • Marca-passo ou desfibrilador implantável.
  • Acompanhamento do efeito de medicamentos que alteram a frequência ou o ritmo cardíaco.

“Nesses casos, o MAPA não ajuda, porque ele só mede pressão, não o traçado do coração”, detalha Dra. Ana Luiza.

Ambos os exames são importantes para avaliar a saúde cardiovascular. “Eles mostram como o coração e a pressão do paciente se comportam no dia a dia, e não só no momento rápido da consulta. Eles são fundamentais para prevenir complicações, como infarto, AVC, desmaios e piora de doenças do coração”, destaca.

MAPA e Holter são exames que podem ser complementares, inclusive podem ser realizados em um mesmo momento. De modo geral, são exames muito seguros, com riscos mínimos. Na prática, para a imensa maioria das pessoas, são exames seguros e bem tolerados. Em raros casos podem causar:

  • Pequeno desconforto pelo aperto da braçadeira (MAPA).
  • Pequena irritação na pele causada pelos adesivos (Holter).

“São exames que não envolvem radiação, não levam choques, não são invasivos. Pacientes com marca-passo ou desfibrilador podem fazer Holter, aliás, é um dos exames usados justamente para avaliar o funcionamento desses dispositivos e o ritmo cardíaco. E também podem fazer MAPA normalmente, porque a braçadeira não interfere no marca-passo ou no desfibrilador, que ficam no peito”, ressalta.

Contraindicações para esses exames são raras e costumam estar ligadas a situações muito específicas, como:

  • Feridas extensas na pele onde seriam colocados os eletrodos.
  • Dor intensa no braço impossibilitando o uso da braçadeira.

Dra. Ana Luiza elenca as situações em que pode ser necessário repetir o MAPA ou o Holter:

  • Os sintomas não apareceram durante o período monitorado.
  • O exame ficou incompleto (aparelho saiu do lugar, falha técnica, muitas medidas inválidas).
  • Houve mudança recente na medicação e o médico quer rever o novo comportamento.
  • Há dúvida sobre o resultado ou se deseja confirmar um achado importante.
  • A pessoa tem uma doença crônica e o médico precisa de reavaliações periódicas.

“A decisão é sempre individualizada pelo cardiologista”, aponta.

Como é preparação do paciente para o MAPA?

Para realizar o exame de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), o paciente deve:

  • Usar roupas confortáveis, de preferência com mangas mais largas para acomodar a braçadeira;
  • Tomar medicamentos normalmente, a menos que o médico oriente o contrário;
  • Manter suas atividades habituais, para que o exame reflita seu dia a dia;
  • Durante as medições (quando a braçadeira começa a inflar):
  • Parar o movimento do braço.
  • Manter o braço relaxado e estendido ao lado do corpo.
  • É importante anotar em um diário:
  • Horário em que dormiu e acordou.
  • Horário das refeições, remédios, sintomas (dor de cabeça, tontura, mal-estar).

“No MAPA o maior incômodo é a braçadeira apertando o braço várias vezes ao dia e à noite, isso pode atrapalhar um pouco o sono, principalmente em pessoas mais sensíveis. Mas, em geral, é possível trabalhar, caminhar e fazer atividades leves”, detalha a Dra. Ana Luiza Moreno.

Como é preparação do paciente para o Holter?

Para realizar o exame de Holter, o paciente precisa:

  • Tomar banho antes do exame, porque na maior parte dos casos não pode molhar o aparelho;
  • Não usar cremes ou óleos no peito, pois atrapalham a fixação dos adesivos;
  • Usar roupas confortáveis e que facilitem a passagem dos fios sob a camiseta;
  • Se o médico não orientou o contrário, manter seus remédios habituais.
  • Tentar realizar atividades do dia a dia e anotar sintomas:
  • Quando sentiu palpitação, tontura, dor no peito;
  • O que estava fazendo naquele momento.

“No Holter o incômodo vem dos eletrodos colados no peito e dos fios. Algumas pessoas sentem leve irritação na pele onde ficam os adesivos. Eles não costumam apertar nada, mas limita banho durante o período e atividades muito intensas ou com muito suor podem ser desaconselhadas, dependendo do aparelho”, explica.