Arritmia cardíaca: o que é, sintomas, causas e quando procurar ajuda

A arritmia cardíaca é uma alteração no ritmo dos batimentos do coração, que podem ficar acelerados, lentos ou irregulares. Em vários casos, a condição não provoca sintomas graves, mas algumas arritmias podem aumentar o risco de complicações cardiovasculares e exigir acompanhamento médico.
Muitas pessoas se perguntam se arritmia cardíaca é grave. A resposta depende do tipo de arritmia e da condição clínica do paciente. Algumas alterações são benignas e não exigem tratamento específico, enquanto outras podem aumentar o risco de insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC) e morte súbita.
Segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de arritmia cardíaca e aproximadamente 320 mil morrem a cada ano.
Neste artigo, você vai entender o que é arritmia cardíaca, quais são seus principais sintomas, causas, tipos e quando procurar ajuda especializada.
O que é arritmia cardíaca?
A arritmia cardíaca acontece quando há uma alteração na formação ou condução dos impulsos elétricos responsáveis pelos batimentos cardíacos.
O coração possui um sistema elétrico próprio que coordena contração e relaxamento do músculo cardíaco. Quando esse sistema sofre alguma alteração, o ritmo pode sair do padrão considerado normal.
A cardiologista Dra. Martha Pinheiro, Coordenadora do Serviço de Arritmias Cardíacas da Rede D’Or – RJ, explica que o coração é um músculo oco responsável por bombear sangue para todo o corpo. “Suas contrações são ativadas por meio de impulsos elétricos provenientes de uma pequena área interna chamada nodo sinusal. Ele é o nosso ‘marca-passo natural’ e faz o coração bater num ritmo regular: como uma música que toca no compasso certo”, descreve.
A arritmia cardíaca acontece quando esse ritmo se altera:
- o coração pode bater mais rápido do que o normal (taquicardia);
- mais devagar (bradicardia);
- de forma desorganizada.
Essas situações podem ser sintomáticas ou assintomáticas.
Tipos mais comuns de arritmia cardíaca
Existem diversos tipos de arritmia, com gravidades e abordagens diferentes. Os principais tipos de arritmia cardíaca são:
- Extrassístoles: batimentos extras que ocorrem antes do tempo. “Aquela sensação de ‘coração dispara e dá uma pausa’ ou ‘bate fora do ritmo’. São muito comuns e, na maioria das vezes, benignas”, descreve a Dra. Martha Pinheiro.
- Fibrilação atrial: o ritmo fica rápido e desorganizado. “É uma das arritmias mais frequentes, especialmente acima dos 60 anos, e merece acompanhamento porque pode aumentar o risco de derrame (AVC) e insuficiência cardíaca”, alerta.
- Taquicardia supraventricular: arritmia que envolve ativamente os átrios e habitualmente se manifesta como crises de batimento acelerado que começam e terminam subitamente.
- Taquicardia ventricular: um ritmo acelerado que nasce nas câmaras inferiores do coração (ventrículos). “É mais séria e exige avaliação médica urgente. Mais comum em pacientes com cardiopatias prévias, como infarto, coração aumentado”, explica Dra. Martha.
- Bradicardia: o coração bate muito devagar (geralmente abaixo de 50 batimentos por minuto em repouso). “Pode causar cansaço, tontura ou desmaio. Em alguns casos, é necessário um marca-passo”, ressalta.
- Bloqueio cardíaco: um atraso ou interrupção na passagem do impulso elétrico dentro do coração. “Pode ser leve (não causa sintomas) ou grave (exige marca-passo)”, alerta a especialista.
Principais sintomas de arritmia cardíaca
Os sintomas variam conforme o tipo de arritmia, frequência dos episódios e condição clínica do paciente. Os sintomas mais frequentes incluem:
- Palpitações: sensação de que o coração está “pulando”, “batendo forte”, “acelerado” ou “descompassado”;
- Tontura ou sensação de desmaio: principalmente se vier acompanhada de batimento irregular;
- Falta de ar ou cansaço fácil em atividades que antes eram facilmente desempenhadas;
- Dor ou desconforto no peito: pode ou não estar associada à arritmia;
- Desmaio (síncope): perda súbita e breve da consciência.
LEIA TAMBÉM: Fique atento aos sinais: cansaço, falta de ar e inchaço podem indicar insuficiência cardíaca
“É importante lembrar que nem toda palpitação significa problema grave. Muitas pessoas sentem o coração bater mais forte em momentos de ansiedade, estresse ou esforço físico”, destaca Dra. Martha Pinheiro.
Em alguns casos, a arritmia pode ser silenciosa e descoberta apenas em exames de rotina. “Muitas arritmias não provocam sintomas clássicos, ou os sintomas são tão sutis que a pessoa usualmente não os relaciona ao coração”, ressalta a cardiologista.
Exemplos de sintomas silenciosos de arritmias que podem passar despercebidos:
- Cansaço inexplicável: acordar cansado ou sentir disposição menor ao longo do dia;
- Desconforto vago no peito: que a pessoa acha ser “má digestão” ou “nervosismo”;
- Roncos anormais e sono agitado: em alguns casos, a arritmia se manifesta durante o sono e atrapalha a qualidade do descanso;
- Nenhum sintoma: sim, é possível ter uma arritmia e não sentir absolutamente nada, o diagnóstico vem por acaso, num check-up ou exame de rotina, daí a importância de acompanhamento médico regular.
Quais são as causas da arritmia?
As causas de arritmias são variadas e incluem fatores cardíacos e não cardíacos.
Causas cardíacas:
- Doença coronariana;
- Insuficiência cardíaca;
- Problemas nas válvulas do coração.
Causas não cardíacas:
- Distúrbios da tireoide;
- Diabetes;
- Apneia do sono;
- Alterações de potássio ou magnésio no sangue;
- Infecções;
- Febre;
- Anemia.
A cardiologista destaca que hábitos e fatores de risco têm impacto direto no surgimento de arritmias. A especialista aponta que aumentam o risco de arritmias:
- Consumo de bebidas energéticas, álcool, café em excesso e cigarro;
- Estresse prolongado e ansiedade não tratada;
- Sedentarismo e obesidade;
- Má qualidade do sono (dormir pouco ou ter apneia não diagnosticada);
- Uso de certos medicamentos ou drogas ilícitas (cocaína, anfetaminas).
Quando a arritmia exige atendimento médico imediato?
Muitas arritmias são benignas, mas algumas merecem atenção e cuidados imediatos. Procure atendimento de urgência se a arritmia vier acompanhada de:
- Desmaio ou perda de consciência, mesmo que breve, e, principalmente, se ocorrer durante atividade física;
- Dor no peito que aperta, queima ou irradia para braço, costas ou mandíbula;
- Falta de ar intensa ou sensação de que “o ar não chega”;
- Palpitação que não passa após alguns minutos, principalmente se vier com tontura forte;
- Sudorese fria e sensação de desmaio iminente.
“Nesses casos, não espere em casa: procure um hospital imediatamente”, reforça a cardiologista.
É necessário acompanhamento médico regular mesmo em caso de arritmias leves. Dra. Martha Pinheiro reforça que mesmo as arritmias consideradas benignas merecem acompanhamento periódico porque:
- O quadro pode mudar com o tempo: o que hoje é leve pode modificar com o surgimento de outras condições (pressão alta, envelhecimento, novas doenças);
- Sintomas podem aparecer depois: uma arritmia que nunca deu sintomas pode começar a provocar palpitações ou cansaço;
- O tratamento preventivo evita complicações: na fibrilação atrial, por exemplo, o uso de anticoagulantes reduz drasticamente o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
Tratamento de arritmias cardíacas
O tratamento é individualizado e depende do tipo de arritmia, da causa, dos sintomas e do risco de complicações. As principais abordagens são:
- Mudanças no estilo de vida: muitas vezes, ajustar hábitos já reduz significativamente os episódios.
- Medicamentos:
Antiarrítmicos: para controlar o ritmo e/ou a frequência dos batimentos cardíacos.
Anticoagulantes: para prevenir AVC em casos como fibrilação atrial.
- Procedimentos:
Ablação por cateter: um procedimento minimamente invasivo que “cauteriza” o foco da arritmia dentro do coração. Muito eficaz para vários tipos de arritmia.
Cardioversão elétrica: aplicação de um choque controlado para restaurar rapidamente o ritmo cardíaco, porém não trata a arritmia de base.
Implante de marca-passo: indicado para bradicardias sintomáticas ou bloqueios cardíacos avançados.
Cardiodesfibrilador implantável (CDI): para pacientes com risco de arritmias ventriculares graves e ameaçadoras à vida.
- Acompanhamento médico contínuo com consultas periódicas e exames (Holter, ecocardiograma, monitor de eventos) para monitorar a resposta ao tratamento.
Arritmia cardíaca: sintomas, causas e quando procurar ajuda
O que é arritmia cardíaca?
É uma alteração no ritmo dos batimentos do coração, que podem ficar mais rápidos, lentos ou irregulares.
Quais são os sintomas mais comuns de arritmia?
Palpitações, tontura, falta de ar, cansaço, dor no peito e desmaios podem ser sinais de arritmia.
O estresse pode causar arritmia?
Sim. Estresse, ansiedade e privação de sono podem desencadear alterações no ritmo cardíaco.
Quem tem arritmia pode praticar exercícios
Depende do tipo de arritmia e da condição clínica do paciente. Em muitos casos, a atividade física pode ser liberada com orientação adequada.
Smartwatch consegue detectar arritmia?
Alguns relógios inteligentes podem identificar alterações sugestivas, mas não substituem a avaliação médica.
Como prevenir arritmias?
Medidas de prevenção e hábitos que ajudam a reduzir o risco de arritmias beneficiam a saúde como um todo.
- Alimentação equilibrada: pobre em sal, gorduras e açúcares, rica em vegetais, frutas, grãos integrais e fontes de potássio e magnésio (banana, abacate, folhas verdes, castanhas);
- Atividade física regular: 150 minutos de atividade moderada por semana (caminhada, bicicleta, natação): sempre após liberação médica;
- Controle do estresse: meditação, hobbies, terapia, cultivar amigos;
- Sono de qualidade: dormir 7 a 8 horas por noite, num ambiente escuro e silencioso;
- Cuidados: café (até 2 a 3 xícaras por dia), e álcool com moderação. Abandonar o tabagismo e drogas ilícitas;
- Tratar condições associadas: manter pressão, diabetes e colesterol controlados;
- Check-up regular: eletrocardiograma, exames de sangue e, se indicado, holter de 24h ajudam a detectar arritmias silenciosas;
Se você percebe alterações no ritmo cardíaco ou sintomas recorrentes, agende uma avaliação com um cardiologista D’Or. Cuidar da saúde do coração é também entender os sinais que ele envia.