Cuidar da saúde do coração não deve começar apenas quando aparecem sintomas. O acompanhamento cardiovascular ao longo da vida ajuda a identificar fatores de risco, detectar alterações precocemente e definir estratégias para reduzir a possibilidade de complicações.
Mas uma dúvida é bastante comum: com que idade é preciso começar o check-up do coração e quais exames devem ser feitos?
A resposta não é igual para todas as pessoas. A necessidade de acompanhamento e a indicação de exames dependem de diferentes fatores, como:
- Idade;
- histórico familiar;
- pressão arterial;
- colesterol;
- diabetes;
- tabagismo;
- sedentarismo;
- excesso de peso;
- sintomas;
- doenças cardiovasculares já diagnosticadas.
Por isso, não existe uma lista única de exames que sirva igualmente para todas as pessoas. O chamado check-up cardiológico deve ser individualizado, de acordo com o perfil e as necessidades de cada paciente.
Neste artigo, entenda o que é o check-up do coração, quando começar, quais exames podem fazer parte da avaliação e com que frequência o acompanhamento pode ser necessário em diferentes fases da vida.
O que é um check-up do coração?
O check-up do coração, também chamado de check-up cardiológico ou avaliação cardiovascular, é uma avaliação preventiva da saúde do coração e da circulação. O principal objetivo é:
- identificar fatores de risco para doenças cardiovasculares;
- investigar sintomas;
- avaliar a saúde cardiovascular;
- detectar alterações que podem não causar sintomas;
- orientar medidas de prevenção e tratamento.
Coordenador da UTI Geral do Hospital DF Star, Dr. Antonio Aurélio Fagundes Jr. explica que o principal objetivo do check-up do coração é identificar precocemente doenças cardiovasculares ou fatores que aumentam o risco de eventos como infarto e AVC.
“Mesmo pessoas sem sintomas podem apresentar hipertensão, colesterol elevado, diabetes, arritmias ou alterações cardíacas silenciosas. Detectar essas condições precocemente permite iniciar medidas de prevenção e tratamento antes que ocorram complicações”, destaca o cardiologista.
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Com que idade devo começar o check-up do coração?
Não existe uma idade única para começar o check-up do coração. A necessidade de avaliação cardiovascular depende da idade, dos fatores de risco, do histórico familiar, dos hábitos de vida, da presença de sintomas e de doenças já diagnosticadas.
Em pessoas sem sintomas e sem fatores de risco importantes, a avaliação pode seguir uma rotina definida pelo médico. Já quem apresenta maior risco cardiovascular pode precisar de acompanhamento mais próximo e de investigação iniciada mais cedo.
Por isso, mais importante do que estabelecer uma idade fixa é avaliar qual é o risco cardiovascular de cada pessoa.
Adultos jovens
Em adultos jovens, o foco do acompanhamento costuma estar na identificação de fatores que podem aumentar o risco cardiovascular ao longo dos anos.
A avaliação pode considerar:
- pressão arterial;
- colesterol e outros exames laboratoriais;
- alimentação;
- prática de atividade física;
- tabagismo;
- excesso de peso;
- histórico familiar;
- presença de doenças ou condições hereditárias.
“Geralmente, consulta clínica, aferição da pressão arterial e exames laboratoriais são suficientes, complementados por ECG e ecocardiograma quando indicado”, complementa Dr. Fagundes Jr.
Isso significa que nem todo adulto jovem precisa realizar uma bateria de exames cardiológicos. A indicação deve partir da avaliação individual.
Meia-idade
Com o avanço da idade, torna-se ainda mais importante avaliar o risco cardiovascular global e acompanhar fatores como hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, excesso de peso e histórico familiar.
Dependendo do perfil do paciente e dos achados da avaliação clínica, o cardiologista pode indicar exames complementares, como:
- teste ergométrico;
- ecocardiograma;
- escore de cálcio;
- angiotomografia de coronárias;
- outros exames para investigação de doença arterial coronariana.
A escolha depende da situação clínica. Esses exames não fazem parte obrigatoriamente do check-up de todas as pessoas.
Idosos
Em pessoas mais velhas, além da prevenção, a avaliação pode buscar alterações relacionadas ao envelhecimento e doenças cardiovasculares que se tornam mais frequentes com o passar dos anos.
Entre as condições que podem ser investigadas estão:
“A investigação costuma ser mais abrangente, sempre baseada na condição clínica”, destaca o cardiologista.
Quais exames fazem parte do check-up do coração?
Não existe um único exame capaz de avaliar sozinho toda a saúde do coração. O check-up começa com a consulta e a avaliação clínica e, quando necessário, pode ser complementado por exames laboratoriais, cardiológicos ou de imagem.
De acordo com o Dr. Antonio Aurélio Fagundes Jr., os exames que podem fazer parte da avaliação incluem:
- Consulta com avaliação do histórico pessoal e familiar.
- Medição da pressão arterial, peso, altura e circunferência abdominal.
- Eletrocardiograma (ECG).
- Exames laboratoriais, como glicemia, hemoglobina glicada, colesterol e triglicerídeos, lipoproteína a, além da avaliação da função renal.
- Ecocardiograma.
- Teste ergométrico (teste de esforço), especialmente para pessoas com fatores de risco, sintomas ou que praticam atividade física intensa.
- Holter 24 horas (monitorização de arritmias cardíacas por 24h).
- MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial); Monitorização da pressão arterial por 24h.
- Ecodoppler de carótidas e vertebrais: exame não invasivo que utiliza ultrassom para avaliar as artérias carótidas, localizadas no pescoço e responsáveis por levar sangue ao cérebro. “Seu principal objetivo é identificar a presença de placas de gordura, estreitamentos (estenoses) e alterações no fluxo sanguíneo, fatores que podem aumentar o risco de acidente vascular cerebral (AVC)”, explica Dr. Antonio Aurélio Fagundes Jr.
- Tomografia para escore de cálcio: exame que mede o cálcio presente nas artérias coronárias – os vasos que irrigam o coração.
- Angiotomografia coronária: exame de imagem mais completo que o escore de cálcio. “A angiotomografia coronária utiliza contraste intravenoso para visualizar diretamente as artérias do coração e identificar placas de gordura, calcificadas ou não, além de avaliar se há estreitamentos (obstruções) que possam comprometer o fluxo sanguíneo”, descreve o especialista.
O cardiologista destaca que o mais importante é lembrar que nem todos precisam realizar todos esses exames. A indicação depende da avaliação médica.
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Todo mundo precisa fazer exames cardiológicos?
Não. Fazer mais exames não significa necessariamente fazer uma avaliação cardiovascular melhor.
Cada exame fornece informações diferentes e pode ter indicações específicas. Por isso, o cardiologista deve avaliar primeiro o histórico do paciente, os sintomas, os fatores de risco e os resultados da consulta antes de decidir quais exames podem ser úteis.
Quem precisa fazer check-up cardiológico com mais frequência?
O acompanhamento cardiovascular pode precisar ser mais próximo em pessoas com:
- hipertensão,
- diabetes,
- colesterol alto,
- obesidade,
- tabagismo,
- histórico familiar de doenças cardíacas.
“Essas pessoas apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares e, por isso, necessitam de acompanhamento mais próximo”, aponta Dr. Fagundes Jr.
Nesses casos, o acompanhamento costuma incluir:
- consultas mais frequentes;
- controle rigoroso da pressão arterial, glicemia e colesterol;
- maior atenção aos hábitos de vida;
- exames complementares quando houver indicação.
“Dependendo do caso, exames complementares podem ser realizados com maior frequência para detectar alterações precoces e orientar o tratamento”, frisa.
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Quais sintomas não devem esperar pelo check-up?
O check-up do coração tem caráter preventivo e não deve ser usado para adiar uma avaliação médica quando surgem sintomas importantes.
Segundo Dr. Antonio Aurélio Fagundes Jr., alguns sintomas exigem avaliação médica imediata, especialmente quando surgem de forma intensa ou súbita:
- Dor ou pressão no peito, principalmente se irradiar para braço, mandíbula, costas ou pescoço;
- Falta de ar intensa ou repentina;
- Desmaios ou perda de consciência;
- Palpitações acompanhadas de tontura, falta de ar ou dor no peito;
- Dor no peito durante esforço físico;
- Inchaço importante nas pernas associado à falta de ar;
- Fraqueza súbita, dificuldade para falar ou movimentar um lado do corpo, que também podem indicar um AVC.
“Nessas situações, o ideal é procurar imediatamente um serviço de emergência, e não aguardar uma consulta de rotina”, orienta.
Hábitos saudáveis que ajudam a proteger o coração ao longo da vida
O check-up cardiovascular não se resume aos exames. A prevenção das doenças cardiovasculares depende principalmente do estilo de vida.
As principais recomendações são:
- Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras;
- Praticar atividade física regularmente, conforme orientação médica.
- Não fumar e evitar a exposição ao cigarro;
- Controlar o peso corporal;
- Manter a pressão arterial, o colesterol e a glicemia dentro das metas recomendadas;
- Dormir adequadamente e cuidar da saúde mental, reduzindo o estresse crônico.
- Não consumir bebidas alcoólicas;
- Seguir corretamente os tratamentos prescritos e comparecer às consultas de acompanhamento.
“A combinação de hábitos saudáveis com acompanhamento médico periódico continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares ao longo da vida”, conclui o Dr. Antonio Aurélio Fagundes Jr.
Perguntas frequentes sobre check-up do coração
Não existe uma idade única para começar. A necessidade de avaliação depende da idade, dos fatores de risco, do histórico familiar, dos hábitos de vida, dos sintomas e da presença de doenças cardiovasculares.
Dependendo de cada caso, a avaliação pode incluir exames de sangue, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, Holter, MAPA e exames de imagem. A indicação deve ser individualizada pelo cardiologista.
A avaliação das artérias coronárias pode envolver exames específicos, como escore de cálcio ou angiotomografia coronária, dependendo do objetivo da investigação e do perfil do paciente. A indicação deve ser feita pelo cardiologista.
Sim. Algumas condições relacionadas ao risco cardiovascular, como hipertensão, colesterol elevado e diabetes, podem não causar sintomas.
Não necessariamente. A necessidade e a frequência do eletrocardiograma dependem da avaliação clínica, dos fatores de risco, dos sintomas e do histórico de cada paciente.
Não necessariamente. O ecocardiograma é indicado quando existe uma razão clínica para avaliar a estrutura e o funcionamento do coração. O cardiologista define a necessidade do exame de acordo com cada caso.
O histórico familiar é um dos fatores considerados na avaliação do risco cardiovascular. Dependendo da doença presente na família, da idade em que ela ocorreu e de outros fatores de risco, o médico pode recomendar acompanhamento mais próximo ou investigação específica.
Quando devo procurar o cardiologista?
Além do acompanhamento preventivo, sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações, tontura ou desmaio devem ser avaliados. Quando os sintomas forem intensos ou surgirem de forma súbita, é importante procurar um serviço de emergência.
Se faz algum tempo desde sua última avaliação cardiovascular, agende uma consulta com um cardiologista D’Or para entender qual acompanhamento é adequado para você.