Como o calor afeta o coração e quais cuidados ter no verão
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O calor intenso do verão pode afetar diretamente o funcionamento do coração e aumentar o risco de complicações cardiovasculares, especialmente em pessoas com doenças cardíacas, hipertensão e outros fatores de risco.
Embora o verão seja uma das épocas mais aguardadas do ano, as altas temperaturas exigem atenção redobrada com a saúde cardiovascular. Estimativas globais indicam que o calor extremo já pode ser responsável por cerca de 490 mil mortes adicionais por ano, número que tende a crescer com o avanço das mudanças climáticas. Projeta-se que, na ausência de medidas de adaptação eficazes, a mortalidade excessiva relacionada ao calor quase triplique entre os anos de 2030 e 2050.
Estudos epidemiológicos indicam que o aumento do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares associado ao calor afeta principalmente idosos acima de 65 anos, pessoas com comorbidades, como hipertensão, diabetes, dislipidemia e doença arterial coronariana, e populações em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica. Continue lendo e confira dicas de como cuidar da saúde cardiovascular no verão.
Como o calor afeta o coração?
Quando a temperatura sobe, o corpo precisa se adaptar para manter o equilíbrio térmico. Para isso, ocorrem alguns mecanismos fisiológicos que impactam diretamente o sistema cardiovascular:
- Vasodilatação:
Os vasos sanguíneos se dilatam para facilitar a perda de calor pela pele, o que pode levar à queda da pressão arterial.
“Isso reduz a pressão arterial e faz com que o coração aumente a frequência cardíaca para manter a circulação adequada”, explica Dr. Andre Pazos, coordenador do serviço de Cardiologia do Hospital Norte D’Or, filiado Rede D’Or, no Rio de Janeiro.
- Aumento da frequência cardíaca:
O coração trabalha mais para manter o fluxo sanguíneo adequado.
“A frequência cardíaca se eleva nos dias muito quentes porque o sistema cardiovascular precisa auxiliar no controle da temperatura corporal. Quando estamos expostos ao calor, o organismo envia mais sangue para a pele para facilitar a perda de calor por evaporação”, descreve.
- Maior perda de líquidos e sais minerais:
Suor excessivo pode causar desidratação e desequilíbrios eletrolíticos, afetando o ritmo cardíaco.
“A perda de líquidos pelo suor diminui o volume circulante, exigindo ainda mais esforço do sistema cardiovascular, e estimulando ainda mais a taquicardia como forma de preservar a pressão arterial e a perfusão tecidual”, destaca o médico cardiologista com mais de 20 anos de experiência na assistência a pacientes com doenças cardiovasculares.
- Sobrecarga cardíaca:
Em pessoas com doenças pré-existentes, o esforço adicional pode desencadear sintomas ou agravar quadros clínicos.
“Esses ajustes são fisiológicos, mas podem gerar sintomas em pessoas com doenças cardíacas ou pressão instável. Em resumo: quanto maior o calor, maior a demanda circulatória — e isso pode desestabilizar quem já tem o sistema cardiovascular no limite”, alerta Dr. Andre Pazos.
Principais riscos cardiovasculares no verão
Durante períodos de calor intenso, alguns problemas podem se tornar mais frequentes:
- Desidratação, que reduz o volume de sangue e favorece queda de pressão, tonturas e desmaios;
- Desequilíbrio de eletrólitos (como sódio e potássio), que pode desencadear arritmias;
- Crises de hipotensão ou hipertensão;
- Aumento da frequência cardíaca, exigindo mais esforço do coração para resfriar o corpo;
- Arritmias cardíacas, especialmente em pessoas predispostas;
- Descompensação de doenças pré-existentes, como insuficiência cardíaca ou doença coronariana;
- Maior risco de trombose e AVC, porque o sangue fica mais viscoso quando há muita perda de líquidos;
- Maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto, principalmente em idosos e pacientes com doenças crônicas.
“O calor dilata os vasos sanguíneos e aumenta a perda de líquidos pelo suor, o que facilita a queda de pressão. Isso é mais comum em idosos, pessoas com pressão naturalmente baixa, usuários de diuréticos ou anti-hipertensivos, diabéticos com neuropatia e indivíduos desidratados”, complementa Dr. Pazos.
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Sintomas exigem atenção no calor
“Quando a temperatura está muito alta, alguns sinais devem ser considerados de alerta imediato, porque podem indicar que o sistema cardiovascular está em sofrimento”, aponta Dr. Andre Pazos, elencando os sintomas abaixo:
- Dor no peito, especialmente em aperto ou pressão, é um dos principais sinais de risco e pode sugerir isquemia cardíaca.
- Falta de ar que surge de forma súbita ou que não melhora ao repouso também merece atenção, pois pode representar uma descompensação cardíaca.
- Tontura intensa ou episódios de desmaio indicam queda importante da pressão arterial, comum em desidratação avançada.
- Palpitações fortes, principalmente quando irregulares, podem ser consequência de distúrbios eletrolíticos típicos do calor.
- Alterações de comportamento, confusão mental ou fala arrastada podem refletir desde insolação até um evento neurológico associado ao estresse térmico.
Se qualquer um desses sintomas aparecer durante uma onda de calor, a orientação é buscar atendimento médico sem demora.
“O mal-estar causado pelo calor costuma provocar tontura, fraqueza e queda de pressão que melhoram rapidamente ao beber água e se afastar do calor. Já os sinais de infarto e arritmia são mais específicos: dor no peito em aperto que não passa, falta de ar intensa, palpitações irregulares ou desmaio súbito. Se os sintomas persistem mesmo em ambiente fresco ou surgem de forma abrupta e intensa, a chance de serem cardíacos é maior e a avaliação médica deve ser imediata”, aconselha Dr. Pazos.
Embora muitas pessoas associem o calor apenas ao cansaço ou ao suor excessivo, existem sinais mais discretos que podem indicar que o coração está sendo exigido além do normal. Um deles é o aumento persistente da frequência cardíaca em repouso, mesmo em ambientes climatizados, sugerindo que o organismo está compensando a perda de líquidos ou a vasodilatação intensa.
Outro sintoma sutil é a redução do fôlego para atividades habituais, quando tarefas simples passam a exigir mais esforço do que o usual. Episódios repetidos de tontura ao levantar, especialmente no calor, são outro sinal de que a pressão está oscilando mais do que deveria. “Esses sintomas podem parecer banais, mas quando surgem com frequência durante dias muito quentes, merecem atenção, pois podem indicar sobrecarga cardiovascular”, alerta.
Quem corre maior risco de sofrer complicações cardíacas no verão?
Idosos, hipertensos, diabéticos e pessoas com doenças cardiovasculares precisam de atenção redobrada no calor. As complicações cardíacas no verão são mais comuns em pessoas que têm menor capacidade de adaptação ao calor ou já possuem alguma fragilidade cardiovascular.
- Idosos estão entre os mais vulneráveis, pois regulam a pressão e a temperatura com menos eficiência.
- Pacientes com doenças cardíacas (como insuficiência cardíaca, doença coronariana e arritmias) também têm risco maior, já que o calor aumenta a demanda circulatória.
- Diabéticos, sobretudo os com neuropatia, podem ter dificuldade de perceber desidratação ou quedas de pressão.
- Usuários de diuréticos e certos anti-hipertensivos perdem mais líquido ou têm limitação na resposta cardiovascular ao calor.
- Pessoas com doenças renais e indivíduos obesos também enfrentam maior sobrecarga térmica.
“Em todos esses grupos, o calor intenso pode precipitar descompensação, tornando a prevenção fundamental”, ressalta Dr. Andre Pazos.
Como cuidar da saúde cardiovascular no verão?
O principal cuidado é manter uma hidratação regular, mesmo sem sede, evitando intervalos longos sem ingerir líquidos. ”A hidratação tem um papel central na proteção do coração durante o calor porque garante que o organismo mantenha um volume circulante adequado”, explica Dr. Pazos.
Também é importante evitar exposição ao sol nos horários mais quentes, quando a vasodilatação é mais intensa e a pressão tende a oscilar mais. “Em dias quentes, a perda de água pode ser grande, favorecendo quedas de pressão, aumento da frequência cardíaca e até alterações do ritmo cardíaco”, complementa.
“Diabéticos precisam monitorar a glicemia com mais rigor, já que o calor altera o metabolismo e favorece desequilíbrios. Além disso, manter ambientes ventilados, não realizar esforço físico nas horas de maior calor e observar qualquer mudança no padrão de batimentos, respiração ou pressão são medidas simples que reduzem significativamente o risco de descompensações”, ressalta.
A principal recomendação para proteger o coração no verão é antecipar a hidratação e evitar exposição prolongada ao calor, especialmente nos horários de maior temperatura. Quando a hidratação está em dia, o coração trabalha com menos esforço e o corpo consegue regular melhor a temperatura.
“Manter o corpo hidratado e resfriado reduz a sobrecarga circulatória, estabiliza a pressão arterial e diminui o risco de arritmias, desmaios e isquemia cardíaca. Em outras palavras, a melhor forma de manter o coração saudável no verão é não permitir que o organismo chegue ao limite: hidratar-se ao longo do dia, buscar ambientes ventilados ou climatizados e adaptar a rotina ao clima são medidas simples que trazem grande impacto cardiovascular”, destaca Dr. Pazos.
Com informação, prevenção e acompanhamento médico adequado, é possível aproveitar o verão de forma segura. Cuidar da saúde cardiovascular durante os dias quentes é essencial para evitar complicações e garantir mais qualidade de vida.
Se você tem alguma condição cardíaca ou fatores de risco, agende uma consulta com um cardiologista D’Or e ajuste seus cuidados para atravessar o verão com tranquilidade.