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Pessoa magra pode ter colesterol alto? Entenda os fatores genéticos e metabólicos

Pessoa magra também pode ter colesterol alto. Descubra as causas, os riscos para o coração e quando fazer exames e procurar um cardiologista.]
Dr. Antônio Carlos Sobral Sousa
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Sim, uma pessoa magra pode ter colesterol alto. Embora o excesso de peso aumente o risco de alterações nos níveis de colesterol, indivíduos com peso adequado também podem apresentar elevação do LDL-colesterol devido a fatores genéticos, doenças hormonais ou hábitos de vida.

Ter peso normal não significa estar protegido contra doenças cardiovasculares. O colesterol elevado pode ocorrer em qualquer pessoa e deve ser investigado por meio de exames laboratoriais, especialmente quando existe histórico familiar de colesterol alto, infarto ou AVC.

Embora o excesso de peso seja um importante fator de risco, ele não é o único responsável pelas alterações no colesterol. Fatores genéticos, hormonais, metabólicos e comportamentais também exercem influência direta sobre a saúde cardiovascular.

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Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente quatro em cada dez adultos brasileiros apresentam alterações nos níveis de colesterol.

Neste artigo, você vai entender por que uma pessoa magra pode ter colesterol alto, quais são os principais fatores envolvidos, como confirmar o diagnóstico e quando procurar avaliação médica.

O que é colesterol?

O colesterol é uma substância gordurosa produzida naturalmente pelo organismo e também obtida por meio da alimentação. Apesar de muitas vezes ser associado a problemas de saúde, ele desempenha funções essenciais para o funcionamento do corpo.

Entre suas principais funções estão:

  • Produção de hormônios;
  • Formação das membranas celulares;
  • Síntese de vitamina D;
  • Produção de ácidos biliares, que auxiliam na digestão de gorduras.

O problema surge quando seus níveis ficam elevados, especialmente o colesterol LDL, conhecido popularmente como “colesterol ruim”, favorecendo o acúmulo de gordura nas artérias e aumentando o risco de doenças cardiovasculares.

Quais são os tipos de colesterol?

Nem todo colesterol é igual. Conhecer seus diferentes tipos ajuda a entender por que alguns aumentam o risco cardiovascular enquanto outros exercem efeito protetor.

LDL (colesterol ruim):

O LDL (lipoproteína de baixa densidade) transporta colesterol do fígado para os tecidos. Quando está em excesso, pode se acumular nas paredes das artérias, formando placas de gordura (aterosclerose), que dificultam a circulação do sangue e aumentam o risco de infarto e AVC.

HDL (colesterol bom):

O HDL (lipoproteína de alta densidade) atua removendo parte do colesterol da corrente sanguínea e transportando-o de volta ao fígado para eliminação. Em geral, níveis mais elevados de HDL estão associados à proteção cardiovascular.

Triglicerídeos:

Os triglicerídeos são outro tipo de gordura presente no sangue. Quando estão elevados, principalmente em associação ao colesterol alto, também contribuem para o aumento do risco cardiovascular.

Pessoa magra pode ter colesterol alto?

Sim. O colesterol alto não está relacionado apenas ao peso corporal.

Ter peso adequado não significa, necessariamente, ter níveis normais de colesterol. Embora a obesidade, especialmente a abdominal, esteja associada a um maior risco de alterações metabólicas, indivíduos magros também podem apresentar níveis elevados de LDL-colesterol, conhecido como “colesterol ruim”.

Diversos fatores influenciam o perfil lipídico, independentemente do índice de massa corporal (IMC).

O Prof. Dr. Antônio Carlos Sobral Sousa, coordenador do Serviço de Cardiologia do Hospital São Lucas de Aracaju (SE)/Rede D’Or, explica que os principais fatores que influenciam os níveis de colesterol são:

“Por isso, a aparência física não substitui a avaliação laboratorial. Mesmo indivíduos magros devem dosar periodicamente o colesterol, sobretudo quando há histórico familiar de infarto agudo do miocárdio, de AVC e/ou de colesterol elevado”, aconselha o Prof. Dr. Sousa.

Além desses fatores, alterações no colesterol também podem estar relacionadas a:

Assim, o colesterol elevado deve sempre ser avaliado de forma individualizada, considerando o histórico clínico, os exames laboratoriais e os fatores de risco cardiovasculares.

“Por isso, diante de colesterol elevado, o médico não deve olhar apenas para a balança, mas avaliar o conjunto: glicemia, pressão arterial, função tireoidiana, função renal, hábitos de vida, história familiar e risco cardiovascular global”, ressalta o Prof. Dr. Antônio Carlos Sobral Sousa.

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A genética pode influenciar o colesterol alto?

Sim. A genética é uma das principais causas de colesterol alto em pessoas magras.

Embora hábitos de vida tenham grande impacto na saúde cardiovascular, a genética também desempenha um papel importante nos níveis de colesterol. Segundo o Prof. Dr. Sousa, algumas pessoas herdam alterações que fazem o organismo produzir mais colesterol ou ter dificuldade para removê-lo do sangue.

Essa predisposição genética pode manter o LDL elevado durante toda a vida, aumentando gradualmente o risco cardiovascular.

“Nesses casos, o LDL pode permanecer elevado mesmo com alimentação equilibrada e peso normal. A diretriz americana destaca a importância de reconhecer precocemente essas situações, pois a exposição prolongada ao LDL alto, desde a juventude, aumenta o risco de aterosclerose, infarto e derrame ao longo da vida. Quando vários familiares apresentam colesterol alto ou eventos cardiovasculares precoces, a possibilidade de causa genética deve ser considerada”, destaca.

Hipercolesterolemia familiar

A principal doença hereditária relacionada ao colesterol é a hipercolesterolemia familiar. Nessa condição, o LDL-colesterol costuma permanecer muito elevado desde a infância ou juventude, frequentemente acima de 190 mg/dL em adultos, aumentando significativamente o risco de infarto precoce e outras doenças cardiovasculares.

Segundo a Federação Mundial do Coração, a hipercolesterolemia familiar afeta aproximadamente uma em cada 200 a 250 pessoas em todo o mundo.

“A pessoa pode ser magra, ativa e ainda assim apresentar colesterol muito alto”, reforça o Prof. Dr. Antônio Sousa.

Alguns sinais podem levantar a suspeita de colesterol alto de origem familiar:

  • LDL persistentemente elevado;
  • História de infarto ou AVC em idade precoce na família;
  • Vários parentes com colesterol alto.

“Em alguns casos, podem aparecer sinais físicos, como depósitos de gordura em tendões ou ao redor dos olhos, mas eles nem sempre estão presentes. A diretriz também admite o uso de testes genéticos em situações selecionadas”, aponta.

Como saber se o colesterol está alto?

O colesterol alto raramente causa sintomas. Por isso, a única forma confiável de confirmar o diagnóstico é por meio de um exame de sangue chamado perfil lipídico, que avalia os principais tipos de gordura circulantes no organismo.

O exame mede:

De acordo com o Prof. Dr. Sousa, o LDL é o principal alvo do tratamento, porque está diretamente relacionado à formação de placas de gordura nas artérias e ao aumento do risco de doenças cardiovasculares.

O especialista destaca ainda que as diretrizes atuais também valorizam outros marcadores para uma avaliação mais completa do risco cardiovascular, especialmente em pessoas com diabetes, triglicerídeos elevados ou maior probabilidade de desenvolver doenças do coração.

Entre eles estão:

A Lp(a) merece atenção especial porque é fortemente determinada pela genética e pode aumentar o risco de infarto e AVC mesmo quando os demais exames apresentam resultados considerados adequados.

Como reduzir o colesterol alto?

O tratamento do colesterol alto depende da causa da alteração, dos níveis de LDL-colesterol e do risco cardiovascular de cada pessoa. Na maioria dos casos, mudanças no estilo de vida fazem parte do tratamento e contribuem para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

As principais medidas para reduzir o colesterol alto incluem:

  • Alimentação equilibrada;
  • Prática regular de atividade física;
  • Controle do peso;
  • Sono adequado;
  • Abandono do tabagismo;
  • Controle de doenças associadas, como diabetes e hipertensão;
  • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e gorduras saturadas;
  • Uso de medicamentos.

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“Essas medidas são fundamentais e devem ser recomendadas para todos. No entanto, na maioria das pessoas que precisam de reduções importantes do LDL-colesterol para atingir as metas recomendadas, essas medidas isoladas não são suficientes”.

O especialista ressalta que, em muitos pacientes, o tratamento também exige medicamentos para controlar adequadamente o colesterol.

“Estilo de vida é a base, mas muitas vezes não substitui o tratamento medicamentoso”, complementa.

Quando os medicamentos são indicados?

O uso de medicamentos pode ser recomendado quando o risco cardiovascular é elevado ou quando o colesterol LDL permanece em níveis preocupantes.

Isso inclui pessoas que apresentam:

  • Histórico de infarto;
  • AVC;
  • Angina;
  • Colocação de stent;
  • Cirurgia cardíaca;
  • Pacientes com diabetes;
  • Doença renal crônica;
  • Aterosclerose subclínica;
  • Indivíduos com LDL igual ou acima de 190 mg/dL;
  • Pessoas cujo cálculo de risco mostra maior probabilidade de eventos cardiovasculares.

Segundo o Prof. Dr. Antônio Sousa, a decisão para o tratamento medicamentoso deve considerar fatores clínicos como:

“Quanto maior o risco, mais baixa deve ser a meta de LDL”, destaca o Prof. Dr. Sousa.

Como prevenir o colesterol alto?

Embora fatores genéticos não possam ser modificados, a adoção de hábitos saudáveis reduz significativamente o risco cardiovascular e ajuda no controle do colesterol.

As principais medidas de prevenção são:

  • Dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes e gorduras de boa qualidade;
  • Preferir gorduras saudáveis, como azeite de oliva e oleaginosas;
  • Reduzir o consumo de gorduras saturadas, ultraprocessados, frituras, embutidos e excesso de açúcar;
  • Prática regular de atividade física;
  • Não fumar;
  • Dormir bem;
  • Controlar pressão, glicemia e estresse.

“Mesmo quem tem peso normal deve fazer exames periódicos, especialmente se houver história familiar de colesterol alto, infarto ou AVC precoce. A principal mensagem é simples: peso adequado ajuda, mas não garante proteção. O colesterol precisa ser medido, interpretado e tratado conforme o risco de cada pessoa”, orienta.

Importância do diagnóstico do colesterol alto

Uma pessoa magra pode ter colesterol alto, mesmo sendo fisicamente ativa e mantendo peso adequado, e apresentar risco aumentado para infarto, AVC e aterosclerose, principalmente quando existem fatores genéticos ou outras doenças associadas. Como o colesterol elevado geralmente não causa sintomas, realizar exames periódicos e manter acompanhamento médico é a melhor forma de prevenção e tratamento.

Se houver histórico familiar de colesterol elevado ou doenças cardiovasculares, ou se seus exames mostrarem alterações no perfil lipídico, procure avaliação com um cardiologista. O diagnóstico precoce e o tratamento individualizado são fundamentais para proteger a saúde do coração e prevenir complicações ao longo da vida.

Agende uma consulta com um cardiologista da Rede D’Or e cuide da saúde do seu coração com acompanhamento especializado.

Agende uma consulta

Sim. O colesterol alto pode ocorrer em pessoas magras devido à genética, alterações metabólicas, doenças hormonais, alimentação inadequada, sedentarismo e outros fatores que não estão diretamente relacionados ao peso corporal.

Sim. A hipercolesterolemia familiar é uma doença hereditária que faz com que o colesterol LDL permaneça elevado desde cedo, mesmo em pessoas fisicamente ativas, com alimentação equilibrada e peso normal.

Na maioria dos casos, não. O colesterol alto é uma condição silenciosa e costuma ser identificado apenas por exames de sangue.

O perfil lipídico é o principal exame para avaliar colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. Em alguns casos, o médico também pode solicitar exames como ApoB e lipoproteína(a).

Apenas com exame de sangue (perfil lipídico).

Sim. O risco de infarto, AVC e aterosclerose depende principalmente dos níveis de colesterol e do risco cardiovascular global, e não apenas do peso corporal.

A avaliação médica é recomendada para todas as pessoas com colesterol elevado, histórico familiar de infarto ou AVC precoce, diabetes, hipertensão, doença renal ou outros fatores de risco cardiovascular. O acompanhamento também é importante para pessoas magras, especialmente quando há suspeita de hipercolesterolemia familiar.